quarta-feira, 19 de abril de 2017

Um ícone da cultura gabrielense

O doutor Milton Teixeira era considerado o decano dos advogados de São Gabriel. Além da sua atuação na área jurídica destacou-se também no desenvolvimento da cultura em nosso município. Ele e mais algumas ilustres pessoas da comunidade fundaram a Associação Cultural Alcides Maia (ACAM), que resiste até hoje.

Como costumo fazer, me valho do historiador Osório Santana Figueiredo. Fiquei sabendo, em sua obra “História de São Gabriel”, que a ACAM partiu de uma idéia do doutor Milton. Ele, inclusive, cedeu o prédio localizado na rua General Mallet, de sua propriedade, para as primeiras reuniões da entidade e acabou virando sua sede.

Hoje, a entidade funciona em uma sala do “Sobrado da Praça”, cedida pela Prefeitura Municipal de São Gabriel.

O prefeito Balbo Teixeira criou uma Comissão para tratar do tema, que teve como membros o doutor Nelson Lydio Andrade de Azevedo, historiador Osório Santana Figueiredo, doutor Milton Teixeira, doutor Charlemagne Neme, Galeno Evangelho Costa, Ricardo Pereira Teixeira e doutor Aluizio Macedo.

Em 10 de setembro de 1986, em reunião festiva realizada no auditório da Câmara Municipal foi criada oficialmente a Associação Cultural Alcides Maya, cuja primeira Diretoria ficou assim constituída:

Presidente, Galeno Evangelho Costa; Secretária, doutora Maria Anita Prestes e Tesoureiro, doutor Gabriel Padilha Dornelles.

Lembro que depois do ato na Câmara Municipal, foi realizado um jantar na sede da entidade, na rua General Mallet, quando estive presente com a minha esposa, a jornalista Teresinha Motta.

Depois foi presidente o historiador Osório Santana Figueiredo, o doutor Milton Teixeira, a poetisa e escritora Maria da Graça Ferreira Cunha, o pastor Cláudio Moacir Moreira, Humberto Petrarca, Mara Rangel e Italo Zailu Gatto, se bem me lembro.

Hoje a entidade está nas mãos de Carlos Alberto Torres de Menezes, que ceertamente dará um grande impulso à entidade. Se faltou alguém peço desculpas, não foi intencional, sim  falta de memória, mesmo.

Durante todos esses anos a entidade realizou várias atividades de cunho cultural, como concursos literários, de declamações, músicas e danças, exposições de fotografias e artes plásticas, torneios, feiras, lançamentos de livros, com destaque para duas antologias de escritores gabrielenses, entre outras.

Patrocinou, ainda, o 7º Encontro Estadual de Micro História, em 1990, quando estiveram em São Gabriel historiadores de todo o Estado. E ainda o 7º e 8º Encontros do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul, em 1990 e 1991.

Em 28 de julho de 1992 a entidade promoveu a I Festa Mundial do Folclore, com participação de grupos da Bélgica, Alemanha e Argentina. Em 1998 organizou o livreto “Talentos Gabrielenses”, junto a Editora Alcance, de propriedade do escritor gabrielense Rossir Berny.

O PATRONO DA ACAM

Alcides Maia (Alcides Castilho Maia), que dá nome a entidade, foi jornalista, político, contista, romancista e ensaísta, nascido em São Gabriel, no dia 15 de setembro de 1878, e falecido no Rio de Janeiro, em 2 de outubro de 1944.

O pai de Alcides Maya, Henrique Maia de Castilho, era funcionário federal e de origem citadina. O vínculo com o pago e o sentimento gaúcho, que marcaram a ficção do escritor, vieram através da linha materna.

Carlinda de Castilho Leal, sua mãe, era filha de Manuel Coelho Leal, dono da “Estância do Jaguari”, no município de Lavras do Sul, e ainda de duas frações de campo em São Gabriel, chamadas “Tarumã” e “Guabiju”.

Alcides Maia passou a infância na “Estância de Jaguari”, cenário de muitas de suas páginas regionalistas, sobretudo no romance “Ruínas Vivas”, que é, de certo modo, a visão nostálgica da estância avoenga.

Antes de ter concluído o primário, Alcides foi levado para Porto Alegre, onde fez os estudos de humanidades. Em 1895, quando contava 18 anos, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo.

A sua verdadeira vocação, porém, eram as letras e o jornalismo, por isso abandonou o curso de Direito. Retornando a Porto Alegre em 1896, entregou-se à prática do jornalismo militante, atividade que exerceu ao longo de toda a vida.

Quando em atividade profissional no seu “Escritório Camboatá”, o doutor Milton distribuía aos seus clientes, ao preço de Cr$ 5,00, exemplares de uma revista chamada “Quadrins”, criada por desenhistas e roteiristas gaúchos. Isso por volta de 1979 e 1980.

O nome “Camboatá” que o doutor Milton tanto gostava, e que definia seu escritório de advocacia e sua propriedade rural, curiosamente lembra uma espécie de peixe de água doce e uma árvore sapindácea (plantas com flor).

O doutor Milton também enveredou pelos lados da política, tendo sido eleito vereador em São Gabriel no distante ano de 1959, pelo antigo Partido Social Democrático (PSD), alcançando a soma de 300 votos, bastante expressiva para a época quando o número de eleitores era bem menor que hoje.

Prova disso é que o prefeito eleito, José Sampaio Marques Luz, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) teve 4.472 votos. O candidato derrotado, Bernardo Fernandes Barbosa, da União Democrática Nacional (UDN), alcançou 4.161 votos.

UMA JUSTA HOMENAGEM

A IX Feira Municipal do Livro, a partir da edição de 2016, passou a chamar-se oficialmente de “Dr. Milton Teixeira”, uma justa homenagem a quem em vida fez tanto pela cultura de nosso município.

O prefeito Roque Montagner disse na ocasião que se tratava de um reconhecimento do Poder Executivo, uma forma de gratidão e agradecimento do município a quem dedicou uma grande parte da sua vida em prol da cultura de São Gabriel, e que jamais será esquecido por toda a comunidade. “Temos a certeza que a energia do doutor Milton está aqui, através de sua esposa dona Leni e demais familiares”, frisou.

A patronesse da Feira de 2016 foi a escritora Fernanda Alves Pinto, colunista de “O Fato”, que sofre de uma doença chamada “Distonia Muscular Generalizada”. Ela conhece as limitações que tem, mas sabe que nenhuma a impede de buscar e querer a felicidade. O Capataz da IX Feira do Livro foi José Fernando dos Santos.

O doutor Milton Teixeira era natural da cidade de Lavras do Sul, tendo nascido na estância de seu avô em Pontas do Salso, município de São Gabriel.

Ao ler isso uma dúvida me bateu na cabeça e fez com que consultasse o amigo Osório Santana Figueiredo, que atenciosamente respondeu:

“Caro Nilo. Ele mesmo contava e dava risada. Não sabia de que lado. Se nasceu em terras de São Gabriel, gabrielense é de fato. Foi sepultado no cemitério de Lavras do Sul, em jazigo próprio da família. O Edilberto também. Abraço. Osorio”.

Era filho de Valério Teixeira Neto e Maria Julia Teixeira e irmão do saudoso doutor Edilberto Teixeira, advogado, agropecuarista, proprietário da “Estância do Capão”, em Santa Margarida, além de autor de obras de cunho regionalista. Hoje, Edilberto Teixeira é nome de praça no município de Santa Margarida do Sul.

Ele teve grande importância para a cultura regionalista, através de poemas, composições e livros que retrataram o cotidiano da vida do homem do campo e das cidades do interior.

Mesmo passados muitos anos de sua morte, composições por ele escritas – de forma inédita – são entregues pelo seu filho Mariano Teixeira para serem musicadas e defendidas por músicos e intérpretes nos festivais de São Gabriel e também em vários outros municípios do Rio Grande do Sul.

Eu conheci tanto o doutor Milton, quanto seu irmão Edilberto. Deste, ganhei, quando de uma visita que fiz a ele em sua casa, com direito a autógrafo, um livro de poesias especificando as várias pelagens de cavalos, que guardo até hoje com carinho.

O falecimento de Milton Teixeira ocorreu no dia 29 de maio de 2015, após longa enfermidade. O sepultamento aconteceu no cemitério de Lavras do Sul.

O doutor Milton Teixeira era proprietário de terras no hoje município de Santa Margarida do Sul, que agora pertencem a viúva Leni e ao filho único do casal, Rogério Brenner Teixeira, conceituado empresário rural em São Gabriel.

UM LUGAR HISTÓRICO

E não se trata de uma propriedade qualquer, igual a tantas outras existentes na região. É um lugar histórico, onde nasceu Plácido de Castro, que hoje é nome de município no Acre, de um time de futebol, de um CTG e também está inserido no "Livro de Aço", chamado "Livro dos Heróis da Pátria", o qual lhe confere o status de "herói nacional".

A inclusão do nome do gabrielense aconteceu em 17 de novembro de 2004, por ocasião do centenário da celebração do Tratado de Petrópolis.

O historiador Osório Santana Figueiredo, anos atrás, fez uma pesquisa de campo para saber o local exato onde Plácido de Castro nasceu. Esteve acompanhado do saudoso Alberto Saboia de Castro Franzen, o “Seu Saboia”, que era sobrinho do herói pátrio.

Ao final da empreitada, que contou com a ajuda do doutor Milton Teixeira, chegou-se a conclusão que Plácido de Castro nascera em terras que pertenceram a sua bisavó materna, Genoveva Maria de Assumpção de Oliveira, situada entre os arroios Cambai Grande e Cambaisinho, que antigamente era conhecido por “Rincão da Genoveva”.

Atualmente, essa área fica localizada nos campos da família do doutor Milton Teixeira, em Laranjeiras, Santa Margarida do Sul, e chama-se “Estância do Camboatá”, conforme explica o historiador Osório Santana Figueiredo em seu livro “Plácido de Castro, o colosso do Acre”.

UM MONUMENTO PARA PLÁCIDO DE CASTRO

No local onde estão as ruinas da “Tapera da Genoveva” e em que Plácido nasceu, foi erguido um monumento em homenagem à ele, por ocasião do seu centenário de nascimento.

A inauguração do monumento foi um momento histórico, com a presença do vice-governador do Estado do Acre. A “Tapera da Genoveva”, desde então, é um símbolo de admiração e respeito para os povos margaridense e acreano.

Sabe-se, através da história contada pelos acreanos quando aqui estiveram, na ocasião da inauguração do monumento, que demonstram sentimentos de fanatismo pelo herói, por meio de gestos simples, mas de significação, como o de levar consigo um punhado de terra do lugar onde se localiza a “Tapera”, símbolo de recordação.

Em 2001, a prefeitura de Santa Margarida do Sul, através de ato assinado pelo então prefeito Orestes Goulart, instituiu no município a “Semana Farroupilha”, que desde então é realizada anualmente de 13 a 20 de setembro.

O acendimento da “Primeira Chama Farroupilha” no novo município aconteceu às 18 horas do dia 13 de setembro de 2001, na “Tapera da Genoveva”, localizada na propriedade do doutor Milton Teixeira, em Laranjeiras.

A primeira “Chama Crioula” de Santa Margarida do Sul foi denominada “Chama Crioula Plácido de Castro”. Os desfiles da “Semana Farroupilha” são realizados hoje na “Praça Edilberto Teixeira”, irmão de Milton Teixeira, localizada no Bairro Camboatá.

O município de Santa Margarida do Sul emancipou-se em 17 de abril de 1996, pela Lei nº 10.751, desmembrando-se de São Gabriel. Acredita-se que a origem do nome do município está ligada à existência de uma antiga estância de criação de gado.

Os primeiros habitantes que se estabeleceram em Santa Margarida do Sul eram de origem portuguesa e seus descendentes dedicaram-se, até meados do século XX, somente à pecuária tradicional.

Procurei a amiga Elody Helena Veiga de Menezes, gabrielense de destacada atuação nos meios culturais, que desde a infância dedica-se à poesia e à literatura. Cursou letras, foi professora e aposentou-se como serventuária da Justiça.

Publicou quatro livros: “Réstias de Luz” (poesias), “A História e as Lendas de uma Família”, que conta a trajetória da família Menezes no Brasil, e que recebi de presente da amiga, “Baú de Sonhos” (poesias) e “Reflexões e Devaneios” (crônicas e poesias).

Dona Elody também publicou duas antologias de escritores gabrielenses, quando participou da ACAM. Conquistou vários prêmios com as suas poesias, entre eles o primeiro lugar num concurso da Casa do Poeta de Porto Alegre e segundo lugar no concurso da revista Brasília, de Brasília, DF.

Atualmente, dedica-se mais às crônicas, embora continue a fazer poesias. É dinâmica, gosta de estar sempre atualizada e participar de tudo o que se refere à literatura.

Nos últimos anos aderiu ao uso do computador e, através da Internet, mantem-se informada de tudo o que se passa no mundo e está sempre em contato com familiares e amigos em qualquer lugar.

Pois também recorri a ela, para que escrevesse algo sobre a trajetória do doutor Milton nos meios culturais de São Gabriel. E aproveitei sua inspiração para dar título a esta matéria histórica.

UM ÍCONE DA CULTURA GABRIELENSE

Eu já conhecia o doutor Milton Teixeira, há muitos anos, mas somente através da Associação Cultural Alcides Maya (ACAM), quando convivi quase diariamente com ele, foi que pude compreender a importância de sua atuação na vida cultural de São Gabriel.

Durante o tempo em que participei da diretoria da ACAM, cuja sede, naquela época, funcionava em um prédio que lhe pertencia, pude constatar que a admiração pela sua grande inteligência, caráter íntegro e a maneira respeitosa e educada com que tratava as pessoas, era unanimidade, entre todos os associados.

Sempre que surgia alguma dúvida para organizar um evento, redigir um documento, ou qualquer outro problema inerente ao funcionamento da ACAM (e isso ocorria com muita frequência) nós apelávamos para a experiência e a grande cultura do doutor Milton para resolver a situação, sempre recebendo dele uma orientação paciente, lúcida e segura.

Porém, o que mais destacava a importância do doutor Milton Teixeira na sociedade gabrielense era a sua participação no desenvolvimento cultural e artístico de São Gabriel naquela época. Ele era, sem dúvida nenhuma, um verdadeiro agregador de talentos.

São incontáveis as exposições de artes, lançamentos de livros, saraus literários e encontros artísticos e culturais que se realizaram nas dependências do seu prédio, sempre sob a sua orientação e beneplácito. Isso sem falar em feiras do livro, concursos literários e festivais nativistas que ocorreram naquele período e que tiveram o apoio e o incentivo do doutor Milton Teixeira.
         
Apesar de contar com a participação de vários outros escritores e literatos gabrielenses, pode-se dizer que ele foi o verdadeiro idealizador e fundador da Associação Cultural Alcides Maya a qual, durante muitos anos, cresceu e se desenvolveu graças ao esforço e a generosidade daquele homem invulgar.

Foi ele também que, ao escolher o nome de Alcides Maya, o primeiro gaúcho a participar da Academia Brasileira de Letras, para patrono da ACAM, deu o destaque merecido a esse grande escritor conterrâneo, cuja importância na literatura gaúcha, infelizmente, a maioria dos gabrielenses ignorava.

O doutor Milton Teixeira, certamente, merece ser considerado um dos ícones da cultura gabrielense. (Elody Helena Veiga de Menezes) (Pesquisa: Nilo Dias - Publicada no jornal "O Fato", de São Gabriel-RS, edição de 31 de março de 2017)

Dr. Milton Teixeira com a esposa, Leni Benner Teixeira, o filho, Rogério, e as netas, Gabriela e Helena, na comemoração das Bodas de Ouro do casal.

domingo, 16 de abril de 2017

Recordar é viver

Festas, grande churrasco gordo, whisky gelado, confraternização das Diretorias do Esporte Clube Cruzeiro e Grêmio Esportivo Gabrielense, com final de batalha de espeto.

Na foto, a baratinha de luxo ao fundo, Arideu Ferreira pelo G.E. Gabrielense e doutor Alfredo Vicente Astarita pelo E.C. Cruzeiro.

O doutor Astarita já estava brabo... O tempo passa. No final todo mundo foi visitar a Rua do Chapéu e a famosa "Guerra dos Espetos" acabou. (Texto e fotos: Coluna "As 10 mais de Dagoberto Focaccia")

sexta-feira, 14 de abril de 2017

*Que legal. Eu amo esta cachorra. Na verdade eu ganhei a "Cacau" das ruas. Tadinha estava jogada na rua e em pânico, num domingo chuvoso de Páscoa. Desde então é minha companheira do dia inteiro. Adoção sempre, é o noso lema.

Tuca Stangarlin


terça-feira, 11 de abril de 2017

Verdadeira amizade

Tuca Stangarlin é gabrielense, reside em Florianópolis. Artista plástico conhecido internacionalmente. Se define como um plantador de flores, idéias, dúvidas, afeto, amor e cores. O mar e a vida, não teme a morte. Mas tem uma coisa que me faz admirá-lo muito mais: o amor aos animais.

Que o diga a linda Cacau, cachorrinha linda e fofa que ele ganhou de presente na Páscoa de 2010. E nesta Páscoa os dois comemoram sete anos de uma amizade verdadeira. Um au-au para os dois.






No tempo da ZYO-2

Comemoração no palco auditório da ZYO-2, Rádio São Gabriel, onde hoje se encontra a Câmara de Vereadores. Na foto, da esquerda para a direita: Canhoto, Antônio Paulo, Irmão Gonzalo, Homero Costa, o "Saporiti", Rivadávia Corrêa, Zenon Martins, Zelma e Italu Zailu Gatto. (Foto: Arquivo de Rivadávia Corrêa) 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

No Paraíso

Dagoberto, Ana Rita, Ana Laura, Teodorinho e Tomás, gozando a tranquilidade e a belza da residência na localidade de Suspiro, interior do município. E tem razão a Ana Rita ao dizer: "Lá é o paraíso". (Fotos: Página de Ana Rita Focaccia, no Facebook)









domingo, 2 de abril de 2017

Família Figueiredo em festa

Aniversariou ontem, 01/04/2017, o jovem Gustavo Ávila Figueiredo, filho do casal amigo Beraldo e Miriã Ávila Figueiredo. O aniversariante é neto do historiador da cidade, o inigualável amigão Osório Santana Figueiredo. Abaixo, fotos de Lourdes Figueiredo, com detalhes da bonita comemoração.




quinta-feira, 30 de março de 2017

Belas recordações

1911. Vista parcial da antiga São Gabriel. Rua Coronel Sezefredo, esquina da Praça Doutor Fernando Abbott. No local onde era a Casa A. Azambuja, está hoje a sede da agência do Banrisul. Destaca-se ao fundo, assinalado com uma seta, o grande edifício da Sociedade Literária Gabrielense. (Fototeca do Museu João Pedro Nunes)

Estância do Trilha. Este prédio foi construído em 1814, por Antônio Alves Trilha, de quem foi desapropriada meia légua de campo em quadro, para a fundação de São Gabriel. Sofreu várias reformas. Em uma delas perdeu a sotéia, mirante muito em moda nos solares de antigamente. Fica a dois quilômetros do centro da cidade e pertence ao município de São Gabriel, tendo sido adquirida em uma das gestões do prefeito Balbo Teixeira. (Fototeca do Museu João Pdero Nunes)

Casa onde nasceu Alcides Maya, na antiga Praça da Caridade, em São Gabriel. A frente do prédio a senhorita Ninfa D'Ávila, a senhora Ema Vieira Lannes e o menino José Vieira Lannes. (Foto: Álbum da família de Marco Aurélio DÁvila)

Fachada da casa onde residiu o coronel Manoel Deodoro da Fonseca, proclamador da República, quando serviu em São Gabriel. A frente da casa a profesora Ilza Maria Partes de Oliveira, historiador Osório Santana Figueiredo, dona Celina Barbosa Rodrigues, que era a proprietária do prédio, as professoras Rosane V. Pereira Fonseca e Loecy Maria Morteira. (Foto: Arquivo do historiador Osório Santana Figueiredo)

terça-feira, 21 de março de 2017

A festa rolou solta

Ontem, segunda-feira, 20, o amigo doutor Itajar Maldonado Chaves, empresário  e advogado de renome em São Gabriel, esteve aniversariando. A idade não se revela, porque o desejo é que permaneça sempre como está, em plena forma fisica e mental.

O doutor Itajar demonstra bom gosto, ao torcer pelo Sport Club Internacional, o único clube gaúcho campeão mundial FIFA. E maior vencedor de campeonatos gaúchos e Grenais. A festança foi grande e rolou solta na sua residência, onde se reuniram familiares e amigos para lhe abraçarem e cantarem o "Parabéns a Você". O blog "Viva São Gabriel" se associa a esse momento tão lindo. (Fotos: Liane Chaves)



domingo, 19 de março de 2017

Feriado de 20 de Setembro teve origem em São Gabriel

A transformação do dia 20 de setembro como feriado estadual teve a sua origem em Sao Gabriel, através de uma cavalgada promovida por 13 tradicionalistas. A ideia era homenagear a primeira senadora gaúcha, Emilia Fernandes, e por isso foi organizada a "Cavalgada Unidos pelo Tradicionalismo Riograndense, que saiu de São Gabriel no dia 19 de dezembro de 1994, às 16h30min, em direção a cidade de Livramento.

Segundo Valandero Fagundes Ferreira, autor da ideia, a cavalgada foi apartidária e oficializada pela Associção Cultural Alcides Maya. Numa Assembléia realizada na Câmara Municipal , ficou acertado que no contato com a senadora, seria reivindicado que o 20 de setembro fosse transformado num feriado estadual.

A partir de então, com o pedido assinado pelos 13 tradicionaslistas, começou o trabalho no Senado e na Assembléia Legislativa do Estado. O deputado Jarbas Lima foi o autor da proposta para que cada Estado pudesse escolher uma data para ser feriado.

A senadora Emilia Fernandes teve uma grande influência, destacou Valandro Ferreira, pois Lei 9.093, sancionada em 12 de setembro de 1995 dispoe sobre os feriados e possibilitou que o aniversário da Revolução Farroupilha fosse feriado estadual.

O trabalho dos 13 tradicionalistas foi reconhecido pelo vereador José Renato Martini, de Dom Pedrito, que mostrou ter tido uma preocupação semelhante. A Cavalgada levou quatro dias e os cavalarianos foram recepcionados pela senadora Emilia Fernandes no "CTG Marca de Casco". (Fonte: Jornal "Folha da Fronteira", edição de 17 de setembro de 1999)

Valandro Ferreira e Marciolino de Góis. (Foto: C. Giovane - Jornal "Folha da Fronteira")

segunda-feira, 13 de março de 2017

Um mar de sangue no Cerro do Ouro

Ao escrever a matéria sobre a Revolução Federalista de 1893, em que o solo gaúcho se pintou de vermelho pelo sangue das degolas, propositalmente deixei de me aprofundar no “Combate do Cerro do Ouro”, desdobrado em terras gabrielenses, porque foi um episódio que merecia uma atenção histórica maior.

Conta o historiador Aristóteles Vaz de Carvalho e Silva, em seu livro “São Gabriel na história”, que em agosto de 1893, o coronel Francisco Rodrigues Portugal estava acampado com cerca de 1.200 homens no Cerro do Ouro, em São Gabriel.

Da coluna faziam parte o doutor Fernando Abbott e os coronéis Marinho e João Fernandes Barbosa, comandantes de brigadas. Eles foram avistados pela vanguarda de Gumercindo Saraiva, que imediatamente tiroteou a coluna governista.

Esta força confiava na proteção da guarnição federal de São Gabriel, composta das três armas e ainda contava com a junção, a qualquer momento, da coluna comandada pelo general Bacelar, que precedia de Paraizinho, zona de Bagé, em reforço da coluna de Portugal, já avisada da presença de Gumercindo Saraiva.

Tomadas as providências necessárias, a 27 de agosto travou-se a batalha conhecida na história por “Combate do Cerro do Ouro”, tendo sido amplamente desbaratadas as forças governistas, que retiraram-se em completa desordem para São Gabriel.

O RELATO DE GUMERCINDO SARAIVA

Ao término do combate, Gumercindo Saraiva enviou correspondência ao general Luiz Alves de Oliveira Salgado, comandante-em-chefe das forças revolucionárias relatando o ocorrido.

Disse que verificada a presença do inimigo e a posição que ocupava, calculando a sua força em cerca de 1.200 homens, houve um tiroteio durante o dia 26. As 5 horas da manhã do dia  27, Gumercindo passou o arroio do Salso, em uma picada aberta na véspera.

E às 7 ½ horas da manha encontrou o inimigo, cujas forças ocupavam o dorso da Serra de Serafim Caetano, junto ao Cerro do Ouro, estrada de São Gabriel.

As forças de Gumercindo ocuparam uma linha de colinas, bem a frente de onde se encontrava o inimigo, o que permitia que se batessem os contrafortes e grotas que partem desse cerro em direção perpendicular a essa linha, e que seriam ocupados pelo inimigo quando avançasse.

O flanco direito das forças revolucionárias estava protegido por uma profunda e invadeável canhada, que desagua no arroio Salso junto ao Passo Real, que era defendida pela coluna inimiga para impedir, como impediu, que fosse mandado auxilio e proteção.

À hora supramencionada caiu um denso nevoeiro, e Gumercindo dispôs suas forças na seguinte ordem, que permitia envolver o inimigo:

CENTRO. Brigada do coronel Aparício Saraiva, composta de duas Companhias de Infantaria, sob o comando do major Antônio Nunes Garcia; de dois Corpos de Cavalaria comandados pelos tenentes coronéis Augusto Xavier do Amaral e Júlio Varela. O Piquete de Gumercindo, comandado pelo tenente coronel Pedro Sancho e dois Corpos de Cavalaria ao mando dos coronéis Vasco Martins e Fontoura Roquinho.

DIREITA. Dois corpos e um Esquadrão de Cavalaria ao mando dos coronéis Estácio Azambuja, Carlos Chagas e Carlos Nogueira da Gama, um Corpo de Cavalaria do 2º Corpo ao mando do coronel Isidoro Dias Lopes.

ESQUERDA. As Brigadas do general Guerreiro Vitória e Torquato Antônio Severo.

Às 8 1/2 horas, dissipado o nevoeiro, a Infantaria e todos os atiradores das Brigadas e Corpos, abriram nutrido fogo sobre o inimigo, que, aproveitando-se do nevoeiro, ocupara os contrafortes e grotas descritos.

Durante meia hora, e sem resultado apreciável continuou o fogo. Dispondo apenas de 300 atiradores e de 12 mil cartuchos, sentindo que seria forçado a retirar-se acabada a munição, Gumercindo tentou, apesar das dificuldades do terreno as manobras de Cavalaria, um esforço supremo.

Fazendo cessar o fogo dos atiradores, foi ordenado uma carga simultânea de Lanceiros sobre os flancos e contra o inimigo. Com tal arrojo e valor foi ela executada que o inimigo abandonou as fortes posições que ocupava e retirou-se sobre a estrada, onde debandou, após uma segunda carga, sendo perseguido até três léguas além do campo de combate pela Brigada do coronel Aparício Saraiva e pelos Corpos dos coronéis Vasco Martins e Estácio Azambuja.

A ESTATÍSTICA DO COMBATE

Foram arrecadados no campo de combate os seguintes objetos: quatro estandartes, 221 comblains, cinco Spencer, três remingtons, um mauser, 124.250 cartuchos comblains, 140 barracas, 193 ponchos,45 espadas, 39 lanças e três carretas, das quais uma com 223 peças de roupas e viveres, sete carroças e inúmeros cargueiros e arroios, etc, etc.

Gumercindo calculou as perdas do inimigo em cerca de 300 homens, pois só no campo de combate propriamente dito, foram contados 127 cadáveres. A estrada por onde o inimigo retirou-se também estava tomada de mortos.

Foram aprisionados do inimigo um alferes e 56 praças, das quais sete feridos.

Entre os numerosos documentos arrecadados no campo de combate figurava uma ordem-do-dia do coronel Portugal, dando a organização da divisão com a qual houve o combate, e que era composta de 10 Corpos.

O 1º Corpo do Exército sofreu 45 baixas, 12 mortos e 33 feridos. Entre os mortos encontram-se os valentes tenentes coronéis Pedro Gomes Jardim e Fortunato Silva, os tenentes B. Reikest e Boaventura da Costa, bravo rio-grandense que contava apenas 17 anos de idade.

Pedro Diogo, pela elevação de seu caráter, pelo tino militar, pela bravura de que deu sempre prova em todos os combates que o Exército Libertador tem travado desde o inicio da Revolução, tinha-se imposto à estima e respeito de todo os seus camaradas.

Interpretando fielmente os sentimentos de seus comandados, Gumercindo pediu a valiosa proteção da Junta Revolucionária para a numerosa família, hoje pobre e desamparada, do heroico irmão.

Entre os feridos gravemente encontravam-se os valentes coronel Carlos Chagas, tenente coronel Júlio Varela, capitão Alberto Amaro da Silveira e tenente Carlos Noé. O ajudante de ordem de Gumercindo, major Pedro Amaral foi ferido levemente.

Ao encerramento da missiva, Gumercindo Saraiva disse que a alegria pela vitória conquistada foi rudemente contrabalanceada em seu coração, pela profunda dor que nele despertou a perda de tantos e tão bravos irmãos, amigos e adversários.

O general Oliveira Salgado concorreu de maneira efetiva para a grande vitória do Cerro do Ouro, atacando junto ao arroio do Salso o coronel Marinho, sem contudo conseguir desalojar este bravo governista que afinal caiu prisioneiro.

Secundando a perseguição orientada por Aparício Saraiva, às tropas em fuga, o general Oliveira Salgado perseguiu-as até as proximidades de São Gabriel.

De acordo com alguns historiadores, a intenção de Oliveira Salgado era atacar São Gabriel onde, na própria guarnição contava com extremados partidários de sua causa. Porém se teve o intuito, deve ter desistido em vista da aproximação das tropas do general Bacelar, já referidas, que a 28 de agosto, acamparam muito próximo da retaguarda dos revolucionários.

Além disso, já estavam alertadas as tropas dos generais Lima e Pinheiro Machado, com, cerca de 3 mil homens bem armados e municiados, cujas vanguardas se aproximavam céleres.

Em São Gabriel o alvoroço era enorme, segundo contou o major Porfirio da Cruz Metelo.

PÂNICO EM SÃO GABRIEL

Dia 27 de agosto foi domingo. A relativa calma então reinante na cidade foi bruscamente quebrada, pelos clarins marciais tocando “reunir acelerado”. É que a Divisão das forças do Governo, sob o comando do general Francisco Rodrigues Portugal, havia sido estrondosamente derrotada no Cerro do Ouro.

Pânico em toda a cidade. Cavalarianos fugidos e extraviados, entrando em grupos ou sós, com notícias alarmantes de morte de diversos chefes, tanto militares como civis. Famílias que passeavam, aproveitando a féria domingueira, em tropel se recolhiam alvoraçadas a seus lares. Confusão! Correria de civis às trincheiras.

Conforme Porfirio, a parte oficial desse combate deve existir no arquivo da Presidência do Estado, ditadas pelos generais de linha Antônio Joaquim Bacelar e, honorário, Francisco Rodrigues Portugal, coronel honorário da Guarda Nacional, Hermenegildo Laureano da Silva e consultor técnico, doutor Fernando Abbott.

O fazendeiro Leônidas de Assis Brasil escreveu um relato do que foi esse combate.

A Revolução de 93 teve como seu chefe o eminente homem público Gaspar Silveira Martins, cujas ideias parlamentaristas foram seguidas pelo caudilho Gumercindo Saraiva, homem de valor pessoal, convicção política e experimentado cabo de guerra.

Em prosseguimento ao grande movimento revolucionário contra o então presidente do Rio Grande do Sul, Júlio de Castilhos, homem regionalista por existência, embora patriota e de raras convicções políticas. Esse regionalismo e outros motivos, foram causas que o separaram de Assis Brasil, cunhados e amigos.

Em julho de 1893, aos auspícios de Castilhos, Pinheiro Machado, Fernando Abbott e vários caudilhos castilhistas, os então “republicanos”, embora também o fossem os “maragatos” dessa época, mantinham organizada em São Gabriel uma divisão de Corpos de Infantaria e Cavalaria, embora com armamentos deficientes, em contraste com o ardor da causa que defendiam.

Por outro lado, os revolucionários, que propugnavam com alguma divergência e eram contra Castilhos, já estavam em campo e prontos, em defesa de suas idéias e consequentemente apresentava-se em estado latente a famosa guerra de 93, entre irmãos, onde se viram medir os valores dos gaúchos rio-grandenses, cujos símbolos eram os lenços brancos e os colorados, divisas que até hoje caracterizam partidos adversos.

Exaltados os ânimos pelas idéias opostas, nada seria possível senão a degenerescência em tremenda guerra, cujas armas, de parte a parte, comblains, garruchas, mosquetes e artilharia, guardadas por fortes esquadrões de lanceiros em seus cavalos crioulos, que bem compreendiam o horror da guerra, muito embora os objetivos fossem os mais sublimes.

Em agosto de 1893, numa madrugada de densa neblina, feriu-se o célebre “Combate do Cerro do Ouro”, cujo nome se originou por ter sido ferido no arroio do Salso, que é marginado por um mato baixo, grotas e cerritos.

As forças do Governo, os “patriotas”, de lenços brancos, se constituíam da 1ª e 2ª Brigadas, comandadas respectivamente pelo general Rodrigues Portugal e coronel Hermenegildo Laureano da Silva, ambos veteranos da guerra de 1851, Campanha de Rosas, ditador, e do Paraguai, de onde trouxeram suas condecorações, que são vistas em suas fotografias.

Borges “Mentira”, Juca Antunes, João Rodrigues Menna Barreto, intendente Dioclécio, morto em combate, Acácio Farias e outros, faziam parte daquelas forças.

Ao escurecer, na véspera da renhida luta, Fernando Abbott, amigo e companheiro de Hermenegildo, foi a barraca deste, dizendo de seus propósitos, bem como de Portugal e outros correligionários, de darem combate a Gumercindo que ocupara a outra margem do arroio do Salso.

AS FORÇAS MARAGATAS

Hermenegildo, homem que vinha de muitas refregas, tentou convencer Abbott da ineficiência de suas forças para combater uma mais antiga organização, as forças “maragatas”, de maior contingente, melhor montada e ainda com outras vantagens, inclusive estar com a iniciativa das ações.

Se bem que em ar de caçoada, Fernando Abbott teria dito a Hermenegildo: “Estás, por acaso, com medo?” Hermenegildo, em resposta a Abbot, teria dito: “Para demonstrar o contrário, concordaria com a proposição de Abbott, e consentiria em atacar Gumercindo”.

Ficou assentado que Hermenegildo com sua Brigada, a segunda, guardaria o “passo” de baixo, posição de fácil acesso a Gumercindo, onde as forças deste ao clarear do dia tentaram afastar com forte fuzilaria, a retaguarda da 2ª Brigada. Encontrando ele, porem, tenaz resistência, subiram em direção ao outro “passo”, guardado pela 1º Brigada a mando do general Rodrigues Bacelar.

Cessado o ataque a 2ª Brigada e como nada mais fosse sentido ou ouvido, Hermenegildo chamou seu ajudante de ordens, Manoel Martins Alves, vulgo “Manoel Plácido”, natural de São Pedro e, apontando para o “cerrito” que até hoje se vislumbra naquela zona, disse-lhe: “Plácido,  suba aquele cerro e veja o que se passa”.

Voltando Plácido, informou ao seu comandante Hermenegildo, já terem os maragatos transposto o arroio, no “passo” onde antes ocupara a a 1ª Brigada e que o inimigo já estava tentando cortar a retaguarda, com o objetivo de obstar a retirada de Hermenegildo.

Este, com a experiência e calma que lhe era peculiar, organizou a retirada, contendo as unidades com o auxilio do bravo João Rodrigues Menna Barreto que comandava a Cavalaria.

Desse trágico momento até ao escurecer, recuou a Brigada de Hermenegildo, fazendo custosa retirada e ao longe presenciou com seus comandados a carnificina que a gente de Gumercindo fazia nos debandados da 1ª Brigada.

Já bem a tarde começou a entrada dos feridos em São Gabriel, os que escaparam da perseguição tenaz do inimigo. E só não tomaram São Gabriel, foi porque estava guardada por forças do Exército com Cavalaria, Infantaria e o 1º Regimento de Artilharia de Campanha, o famoso “Boi de Botas”.

No dia seguinte, já serenados os espíritos, forças da Guarnição e “patriotas” foram recolher os mortos e feridos, em viaturas daqueles tempos.

E assim terminou um dos mais renhidos combates da cruenta Revolução de 93, conhecido na história sul-rio-grandense como o ”Combate do Cerro do Ouro”.

A OPINIÃO DO HISTORIADOR

Segundo o historiador Osório Santana Figueiredo, São Gabriel foi palco de encontros sangrentos e houve muitos casos de sevicias e degolamentos de pessoas importantes. Trocou de governos algumas vezes, quando então eram ajustadas as contas e muitos pagaram com a vida por certas atitudes de liberdade em prol dos seus grupos.

O Combate do Cerro do Ouro é lembrado até hoje por um monumento erguido em uma colina próxima, homenageando os que ali tombaram.

O monumento é um obelisco de cimento armado, onde na parte de baixo existem 12 postes interligados por grossas correntes de ferro, protegendo um quadrado onde estão sepultados os combatentes mortos. Tem uma cruz ao centro onde se lê: “Em memória das vítimas que o destino da Pátria fez inimigos e a morte os tornou irmãos nesta cova de bravos”.

O historiador diz: “Caro Nilo Dias. Passei vários anos pesquisando em arquivos e no local do “Combate do Cerro do Ouro” onde deixamos dois monumentos. Um de forma piramidal e outro cobrindo a "Cova dos Mortos", onde foram sepultados mais de uma centena de vítimas.

É impossível dizer o número dos que tombaram no combate, porque daquele local até próximo a cidade, os maragatos em feroz perseguição, vieram matando pica-paus e sepultados onde eram encontrados. E foram muitos.

O número de mortos no livro “A História de São Gabriel”, é erro do autor. Aconselho o amigo ler o livro "As Revoluções da República" do mesmo autor, onde aparece uma foto do "Apertado", um corte num cerro onde passa até hoje a estrada para o arroio do Salso.

Segundo ouvi de muitos, pois nasci bem perto da local daquela carnificina, anos depois foram encontrados esqueletos embaixo de  árvores. Eram de criaturas que, apavorados, feridos, ali se escondendo, morreram sem ser encontrados.

Nada foi registrado e as partes escritas sobre aquela carnificina, em que se digladiaram maragatos (revolucionários) e pica-paus (governistas), nada dizem. Estes foram derrotados fragorosamente, perseguidos e mortos até pertinho da cidade, sendo encontrados alguns cadáveres em chácaras, no Bomfim, de hoje.

Tudo que escrevemos, ninguém mais o fez, foi recolhido da tradição oral. Vivemos por mais de ano pesquisando in loco no Cerro do Ouro, por vezes acampados, pesquisando e ouvindo contemporâneos daquela tragédia, inclusive pica-paus e maragatos combatentes.

Um governista, velho, recolhido ao Asilo São João, disse-me que eram três Batalhões castilhistas de 600 homens. No outro dia ao do combate, reunidos no quartel dos Fuzilados, só puderam contar um só.

Por isso escrevi, na página 118, da obra citada: "Calcula-se em mais de 400 mortos." O doutor Ângelo Dourado, por vezes exagera nas suas cartas maravilhosas que escrevia à esposa, depois transformadas em livro - "Voluntários do Martírio". E Wenceslau Escobar, pior ainda. Há muita, muita, muita coisa sobre o Combate do Cerro do Ouro. Por hoje é só. Abraço. Osorio

Nas linhas governistas, lamentava-se a morte do coronel João Fernandes Barbosa, tio do doutor Fernando Abbott, e a prisão do coronel Marinho, feita pelas tropas do general Salgado.

No dia seguinte foi dada sepultura aos mortos, o que durou três dias. Corpos eram arrastados ou puxados a cavalo, a maior parte mutilados. Já em decomposição, eram enterrados onde se encontravam, e estavam em toda a parte.

TESTEMUNHA OCULAR DO COMBATE

O doutor Ângelo Dourado, médico baiano, radicadio em Bagé e que esteve ao lado dos revolucionários gaúchos, testemunha ocular do sangrento combate, assim o narrou em certo trecho de seu livro “Voluntários do Martírio”:

Ouviam-se de todos os pontos ocupados por nossas forças, os clarins a tocarem sem cessar as notas lúgubres, que ordenam cargas e carnificina. Os nossos lanceiros subiam e desciam dos cerros como fantasmas que voam sobre os rochedos.

As bandeirolas brancas das lanças pareciam asas de aves de rapina que se se precipitam sobre a presa. Era um baixar e erguer-se sem cessar. Em pouco tempo aquelas bandeirolas tomaram a cor do sangue em que se molhavam.

Gritos, lamentos, súplicas, promessas, gemidos, estertores, imprecações, insultos, formavam a harmonia desse cataclismo que se chama guerra civil, onde um mata para libertar-se, e morrendo quase que sorri, e outros matam ou morrem por obediência, para que os que mandaram matar, possam gozar.

Depois os grupos se afastaram ou corriam para poderem viver e outros voaram após para matar. O meu caminho era indicado pelos cadáveres e feridos. Por onde passávamos, via-se o triste rastro de um exército em derrota. Um fato doloroso desta guerra, onde os pequenos se matam pelo gozo dos grandes.

Durante o período em que esteve ao lado dos federalistas, Dourado efetuou registros do que via e vivia nos campos de batalha. E assim, em carta dirigida à sua esposa Francisca, e datada de 23 de julho de 1893, começava o primeiro de um longo conjunto de relatos de suas experiências na Revolução Federalista.

Tais relatos, escritos primeiramente como cartas e logo após como uma espécie de diário, foram organizados pelo próprio Dourado sob a forma de livro. O livro recebeu o nome de “Voluntários do Martírio – Factos da Guerra Civil”.

Finda a guerra, a obra foi publicada pela “Livraria Americana”, da cidade de Pelotas, no ano de 1896. Na verdade, “Voluntários do Martírio” constitui-se num livro de “memórias”, pois a intenção do autor era que suas impressões diante de tantas agruras não caíssem no esquecimento.

O próprio Dourado assume que não pretendeu escrever a história da Revolução de 1893, pois ele achava isso prematuro demais, uma vez que “a tinta em que deve-se mergulhar a pena de fogo para escrevê-la deve ser de justiça, e para isso é preciso tempo”.

A obra nos fornece uma descrição detalhada do conflito. Espectador perspicaz do desenrolar das batalhas, Dourado narra com fluência e objetividade a marcha da Revolução Federalista

A obra do médico baiano foi bastante utilizada e recomendada por  aqueles que escreveram a história do Rio Grande do Sul, de modo geral, e da “Revolução Federalista”, de modo específico, desde Guilhermino César, Dante de Laytano e Sérgio da Costa Franco, de um lado, e Joseph Love, John Chasteen, Sandra Pesavento, Moacyr Flores, Helga Piccolo e Núncia Constantino, entre outros.

Outras obras descrevem a Revolução Federalista, como “Apontamentos para a história da revolução rio-grandense de 1893”, de Wenceslau Escobar (1857-1938), publicada originalmente em 1919 e reeditada em1983 pela editora da UnB.

“Diário da Revolução Federalista”, de Luiz de Senna Guasina publicado em 1999 pelo Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul. “A verdade sobre a revolução”, de Germano Hasslocher. “Memórias da revolução de1893”, de Fabrício Batista de Oliveira Pilar. “A guerra civil de 1893”, de Sérgio da Costa Franco. “O regionalismo gaúcho e as origens da revolução de 1930”, do americano Joseph L. Love. “A Revolução Federalista”, de Sandra Jatahy Pesavento e “Heróis a cavalo, vida e época dos últimos caudilhos gaúchos”, do historiador norte-americano John Charles Chasteen. (Pesquisa: Nilo Dias - Publicada no jornal "O Fato", de São Gabriel (RS), edição de 10 de março de 2017)

Monumento ao Combate do Cerro do Ouro.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Campeonato do Ginásio São Gabriel

Esta foto é de 1956. O time de Futebol de Salão dos alunos da 3ª Série, vice-campeões do certame Inter-Séries promovido pelo antigo Ginásio São Gabriel. Em pé: Ruben Kielling, Rui Silveira, Simão Bicca, Lauro Souto e Antônio Almada Prestes. Agachados: Ayrton Meyer Corrêa, Edilberto Bittencourt (Betinho), Edilson Vieira da Cunha, Pedro Augusto Medeiros e Antônio Paulo. (Fonte desconhecida)

segunda-feira, 6 de março de 2017

Do "Túnel do Tempo"

Nos anos 60 São Gabriel teve uma boa equipe de Basquetebol, conforme nos mostra o amigo Gastão Dubois, em foto enviada desde Florianópolis, onde reside há vários anos. Vejam só os craques: Em pé: Souza, Arnufo, Fernando Camargo, Neguinho, Nairo Gonçalves, Facin e Cazézinho. Agachados: Berbigier, Pelé, Porciuncula, Lampert e Elmano.


sábado, 4 de março de 2017

“Gaitinha” um tradicionalista autêntico

Luiz Carlos Azambuja o “Gaitinha” é figura das mais populares de São Gabriel. Talvez seja um dos últimos tradicionalistas autênticos que existem na cidade. Acho que ninguém até hoje viu o “Gaitinha” sem que estivesse devidamente pilchado, com botas, bombachas, poncho ou pala, chapéu de aba larga e lenço no pescoço.

E sua coleção é grande. Tem vestimentas de tudo que é cor, claro com predominância para o vermelho, verde e amarelo, que simbolizam a bandeira do Rio Grande do Sul.

“Gaitinha” não é filho de São Gabriel. É natural de Rio Pardo, onde nasceu em 16 de novembro de 1943. Veio para São Gabriel quando tinha apenas 11 meses de idade.

Nada indica que ele tenha qualquer preferência política do passado riograndense, das brigas entre “maragatos” e “pica-paus”, pois usa lenço vermelho ou branco, tanto faz, cores dos velhos partidos adversários no Rio Grande do Sul.

A história conta que as batalhas costumam ter começo e fim. No caso da Revolução Federalista, que ocorreu de 1893 a 1895, não é bem assim. Mesmo já passados quase 120 anos, a impressão que se tem é de que a rivalidade entre “maragatos”, soldados rebeldes e “pica-paus”, militares legalistas ainda não acabou.

A briga secular continua alimentada pela tradição oral, histórias passadas de pai para filho e não morre porque netos e bisnetos recontam os fatos.

Essa rivalidade lembra muito a de Grêmio e Internacional. O vermelho foi a marca registrada dos “maragatos”. A branca, dos “pica-paus”. O azul gremista esteve longe das batalhas de antigamente, mas ganhou força esportiva com o tempo.

Até recordo de um acontecimento ocorrido na minha terra natal, Dom Pedrito, que a exemplo de São Gabriel é local onde as disputas políticas são sempre acirradas.

Não lembro mais o ano em que isso ocorreu, sei que foi na década de 50 quando ainda havia o Partido Libertador, herança dos velhos “maragatos”. E num comício do PTB de Getúlio Vargas, adversário dos “colorados” no Rio Grande do Sul, alguém jogou no meio da multidão um cachorro com um lenço vermelho, no pescoço.

O coitado do animal, que nada tinha a ver com política, foi morto a tiros de revólver, enquanto o animador do comício gritava em alto e bom som: “Matamos um cachorro maragato”, para delírio do povo.

Mas o nosso amigo “Gaitinha” não deve se importar muito com esses acontecimentos históricos. Está mais ligado às tradições gaúchas e nesse item “Maragatos” e “Pica-Paus” se equivalem.

CHAPÉU DE BOIADEIRO

Certa vez quis agradar o amigo “Gaitinha”, levando para ele de presente um chapéu desses de boiadeiro, marca registrada dos cantores sertanejos do Centro-Oeste do Brasil. Educadamente, ele aceitou, mas levou para sua casa e nunca usou, pelo menos nas suas andanças pelas ruas da cidade.

Ele disse, acho que apenas por desculpa, que usava o chapéu quando estava em casa. Mas a razão correta, com certeza, é que usando um chapéu tipo cowboy, estaria desvirtuando a sua condição de gaúcho autêntico. E ninguém duvida disso.

Fiz um esforço danado para carregar aquele chapéu dentro de uma mala de viagem, sem amassá-lo. Respeito a decisão de “Gaitinha” em não querer ser confundido com algum cantor sertanejo.

De minha parte, não tenho nenhum constrangimento em usar esses chapéus do “Cerrado”. Comprei vários, de palha e de feltro. E uso com a mesma alegria de um autêntico chapéu gaúcho, que adquiri na “Selaria do Gringo”, em São Gabriel.

Esse chapéu faz sucesso nos bares que frequento, pois dificilmente se vê deles em Brasília. Muitas “gurias” e “guris” daqui o pedem emprestado para tirar fotografias com ele.

Nos fins de semana é comum aqui por Brasília o pessoal colocar roupas velhas e chapéus amassados, para os encontros etílicos nos bares da cidade. A Teresinha, minha mulher e filha de São Gabriel, costuma dizer nessas ocasiões que estou “fantasiado”.

No tempo em que eu apresentava o programa tradicionalista “Invernada Gaúcha”, na Rádio Batovi, que ia ao ar nos domingos de manhã, às 10 horas, “Gaitinha” era sempre convidado especial. E dava show tocando ao mesmo tempo a sua inseparável gaita de boca e um pandeiro, e ainda conseguia cantar. Uma proeza e tanto.

Volta e meia por lá também aparecia o “Nico”, um ferroviário aposentado, que foi meu vizinho nos tempos que morei em São Gabriel, e que tocava gaita de 8 baixos. Ele na rua Rivera, e eu na Francisco Hermenegildo. E também o Ronoel Rodrigues Vieira, conhecido mecânico que era mestre no cavaquinho.

Nico, Ronoel e “Gaitinha” de repente formavam um trio, ocupando quase todo o tempo do programa. Mas o que importava é que os ouvintes gostavam e telefonavam para dizer isso. Os amigos de “Nico” e Ronoel, por gozação, diziam que eles formavam a dupla “Nojento” e “Que Nojo”.

Eu, o Ronoel e o Nico também jogávamos no time do Ferroviário, que tinha um campo ao lado da rua Rivera. Todos os domingos de manhã havia jogo. Dos adversários lembro os Veteranos do Nacional, onde também joguei, e Supermercado OK.

Sempre juntava muita gente naqueles jogos. A sombra era garantida por frondosas árvores. Havia uma “copa” que vendia cerveja gelada e generosas doses de cachaça. Não lembro que houvesse brigas por lá.

FREQUENTADOR ASSÍDUO DE BARES

“Gaitinha”, além de ganhar algum dinheiro com suas apresentações artísticas em CTGs ou festas de amigos, também entrega o jornal “O Imparcial”, para assinantes. E é um verdadeiro “Caxias” na tarefa. Pedir para ele um jornal de presente é perda de tempo, pois garante que sempre leva o número exato para ser distribuído.

Quando morava em São Gabriel, sempre encontrava o “Gaitinha” nos bares que frequentava, e que na maioria eram os mesmos que ele: “Bar Du Caio”, na esquina da Santa Casa; “Bar Du Caio”, ao lado da Rádio Batovi; “Bar Pilequinho, do Flavinho, na rua Mauricio Cardoso com Maria Barros Salgado; “Bar do Lima”, antes na Tristão Pinto, agora na Mascarenhas de Moraes e “Bar A Toca”, do Marciano Bastos, frente à Prefeitura e tantos outros.

É claro que “Gaitinha” levava uma grande vantagem nesse quesito, pois também era cliente de carteirinha de casas comerciais no interior do município. Certa vez ao voltar de uma pescaria, junto dos amigos tenente Dutra e Flávio, irmão do Zé Lucca, encontramos o “Gaitinha” dando show e derrubando umas que outras no Bar da Lagoa, no Batovi.

Semanalmente ele participa de programas tradicionalistas na Rádio Batovi, levados ao ar desde o “Galpão Canário Alegre”, sob a direção de Gilberto Mello. E aos sábados a tarde com o José Boaventura Félix. E ainda em programas na Rádio São Gabriel, e creio que nas FMs da cidade.

BAILÃO DO MARAGATO

Eu não lembro quando e onde conheci “Gaitinha”. E não tenho certeza se ele frequentava, ou não, o antigo “Bailão do Maragato”, que ficava ao lado da Rádio São Gabriel. Sei que foi do Sérgio Mércio e depois do “Nica”, que diziam, “quieto ninguém fica”.

Recordo que depois do fechamento do “Maragato”, por insistência dos moradores da Mascarenhas de Morais, que não aguentavam os problemas verificados na rua, brigas e outras “cositas” más, o “Nica”, foi para mais adiante, creio que no prédio do Circulo Operário, ou ao lado, onde não durou muito tempo.

Local polêmico, ou não, a verdade é que o “Maragato” marcou história na noite gabrielense. Era conhecido por outras querências. Certa vez o Rio-Grandense, de Rio Grande veio jogar com a S.E.R. São Gabriel e o meu saudoso amigo e compadre, Bento Peixoto Castelã, que era técnico do time “papa-areia”, quis conhecer o famoso bailão.

E lá estivemos. Casa lotada, boa música e a presença feminina em grande número. Bebemos umas cervejas, ensaiamos umas danças e fomos embora quase ao amanhecer. E tudo correu na maior tranquilidade.

Bochincho grosso lá dentro, pelo que sei só aconteceu uma vez, em que o filho de um conhecido comerciante “patrício” da cidade descarregou o revólver, dando tiros no meio do salão. A sorte é que não acertou em ninguém.

PROBLEMAS DE SAÚDE

“Gaitinha”, em março de 2011 andou enfrentando alguns problemas de saúde. Teve trombose em uma das pernas e precisou ser hospitalizado na Santa Casa por alguns dias.

Nesses momentos é que se sabe quem é amigo de verdade. Por justiça conto isto: o “Braguinha”, outro grande divulgador das coisas do Rio Grande do Sul foi um verdadeiro anjo da guarda, que deu toda a assistência ao nosso gaiteiro, que não tem familiares em São Gabriel.

E trombose é coisa séria. Sei disso, pois já enfrentei o problema em duas oportunidades. Se não fizer o tratamento correto, a pessoa corre o risco de ir pro “beleléu”. Hoje, sou obrigado a tomar o remédio “Varfarina”, 2,5 miligramas pelo resto da vida.

E assim mesmo, volta e meia sinto dores nas pernas. E isso causa muito medo. Não descuido de tomar o medicamente diariamente. E também “Metformina” 850 miligramas, contra a diabetes e “Losartana Potássica”, 50 miligramas, para combater a hipertensão. O que não impede que consuma outros “medicamentos” não receitados por médicos, como a cervejinha gelada.

E também não refugo uma boa pinga, especialmente daquelas misturadas com algumas ervas medicinais tipo “carqueja”, “losna”, “guaco” e naturalmente o nosso tão apreciado “butiá”.

ALVO DE BANDIDOS

Bandido tem para tudo que é lado. E não distingue suas vítimas. Não quer saber se o sujeito é rico ou pobre, branco ou preto. Nem o nosso querido “Gaitinha”, figura popularíssima, que não faz mal a ninguém, escapou dessa violência que atinge todas as cidades, sejam grandes, médias ou pequenas.

Em março de 2015, quando ele caminhava, como sempre faz, pelas ruas da cidade, foi atacado por malfeitores que carregaram a sua mala de garupa, onde guarda documentos, dinheiro e a gaita de boca.

Com a surpresa do inesperado ataque, “Gaitinha” sofreu um mal súbito. Por sorte algumas pessoas que passavam pelo local e a tudo assistiram, o socorreram e os agressores fugiram em disparada. Levado ao hospital se recuperou em seguida. O acontecido revoltou boa parte da comunidade, que gosta e admira o destacado tradicionalista.

A partir dai tomou o cuidado de não andar sozinho pelas ruas da cidade tarde da noite. Quando faz alguma apresentação noturna, sempre pede a alguém que o leve até sua casa. E como é querido por todos, sempre encontra alguém que o ajude.

São Gabriel não é nenhuma metrópole, mas já convive com a violência, hoje presente em qualquer lugar. A cidade ainda não se recuperou do recente brutal assassinato de um PM, no Posto Batovi, que virou lugar de concentração de gente de toda a espécie.

Pelo que sei, nem o centro da cidade escapa. Seguidamente acontecem brigas generalizadas frente a um clube social, promovidas por elementos ligados a facções conhecidas por “bondes”.

TORCEDOR DO INTERNACIONAL

Nunca vi “Gaitinha” entrar no estádio Sílvio de Faria Corrêa para torcer pelo time da cidade. Mas sei que ele é torcedor do Internacional, de Porto Alegre. Embora não saiba dizer a escalação do time ou o nome de qualquer atleta, sempre se declarou torcedor do “Colorado”.

Até penso em lhe presentear com uma camisa do Internacional, com o nome “Gaitinha” gravado às costas. Tenho certeza que ele vai gostar e vestir. Não vai fazer o mesmo que o chapéu goiano. Acho que é colorado por influência do amigo comum, “Seco” Assis Brasil.

Cada vez que falo de torcedores colorados em São Gabriel, não posso esquecer o saudoso Adão (não sei o sobrenome), carroceiro que trabalhava para lojas de móveis da cidade, especialmente a Colombo. Toda a vez que passava no “Bar Pilequinho”, parava a carroça e beijava o escudo do Internacional, na camisa que orgulhosamente sempre vestia.

Quem não gostava nada disso era o Caio, meu amigo que na época trabalhava na Colombo e é gremista de quatro costados. Mas essa é outra história.

No “Bar Du Caio” (agora não é mais), perto da Santa Casa é sempre possível assistir na TV os jogos do Campeonato Brasileiro, especialmente do Internacional. E muitas vezes vi “Gaitinha” por lá, sentado pertinho do amigo Luiz Eduardo Assis Brasil, o “Seco”, colorado de primeira linha, igual aos irmãos Luiz Marengo e Caio Rangel.

NO LIVRO AMENIDADES 7

Frequentador assíduo do bar é o amigo doutor João Alfredo Reverbel Bento Pereira, mas sem coragem de assistir por lá os jogos do seu Grêmio, porque é lugar comum só se ver “colorados” ocupando mesas e cadeiras.

Mas ele não poderia deixar de falar algo sobre “Gaitinha”. Essa descrição do nosso estimado herói está no livro “Amenidades 7”, leitura obrigatória. E o amigão João Alfredo escreveu essa passagem, em crônica publicada no dia 16 de abril de 2014.

Contou ele que “num domingo, no bar "Du" Caio, estava a parceria toda reunida e em ebulição, quando chegou o “Gaitinha” e, como estava fresquinho, quase frio, desencavou um sobretudo do fundo do baú, além da camiseta, do moletom, da camisa, do colete, do casaco, do pala e do indefectível chapéu de aba larga, com uma fita do “Sentinela do Forte”.

Como se não bastasse tudo isso, uma cruz missioneira balançava no peito. Era uma figura assustadora. Atracou-se numa branquinha, misturada com catuaba, além de um pacotinho de amendoim. Apesar da vestimenta e da mastigação, é bom ouvinte. Participativo, riu bastante, sem perder o ar de bonomia, sempre mastigando.

Sou observador e, enquanto sorvia a minha “Kaiser Radler”, de baixíssimo teor alcoólico, pensei no grande Liberato Vieira da Cunha, que disse: "Você captura o efêmero, na ingênua tentativa de emprestar-lhe um levíssimo traço do infinito".

Como já estava passando da uma hora da tarde, levantei, fiz a despedida, paguei a conta e tomei o rumo de casa, com o domingo ganho.

MÚSICA SERTANEJA

Certa vez estava no “Bar Du Caio”, ao lado da Rádio Batovi. E por lá se encontravam várias pessoas que iam participar de um programa tradicionalista no “Galpão Canário Alegre”, na simpática emissora onde tive a honra de trabalhar.

E o pessoal aproveitava o espaço de tempo que ainda restava, para dar uma “amaciada” na garganta. E o que se viu foi de arrepiar: dois moços, devidamente pilchados, de botas, bombachas, tirador, chapéu quebrado na cabeça e lenço no pescoço, cantando músicas sertanejas.

Só “Gaitinha” se manteve fiel as nossas tradições. Pegou sua gaitinha de boca e o pandeiro, e salvou a noite. Eu o cumprimentei por isso, sob os olhares desconfiados dos “pseudos” gaúchos presentes.

E não foi só no “Du Caio” que aconteceu isso. Em muitos bares e lojas comerciais de São Gabriel se houve a todo volume músicas sertanejas. Nos carros de som pelas ruas, também. Até no “Galeto do Brito”, meu grande amigo, certa vez um enorme telão mostrava “Bruno e Marrone”. Quase perdi a vontade de almoçar.

Aqui fora ninguém quer saber da música tradicionalista do Rio Grande do Sul. Eu sou testemunha disso. Muitas vezes nos bares que freqüento em Brasília tentei colocar CDs gaúchos e a bronca foi geral.

Teixeirinha e Berenice Azambuja ainda toleram, e assim mesmo raramente. Então, não vejo razão para darmos atenção a coisas que nada tem a ver com a gente.

E às nossas rádios também tem culpa no cartório, pois até apresentam programas tipo campo e sertão. Com isso acabam incentivando o gosto por um tipo de música, que deveria ser chamada de “sertanojo”.

Os nossos CTGs, que poderiam fazer campanhas contra essa invasão musical, também não são mais como antigamente. Prova disso são os rodeios, que já viraram cópias de Barretos (SP), até com locutores gritando a todo o pulmão: “Segura peão”. Assim, parece que a coisa não tem jeito mesmo. (Por Nilo Dias - Publicado no jornal "O Fato", de São Gabriel (RS), edição de 24 de fevereiro de 2017)


sexta-feira, 3 de março de 2017

Encontro de ex-militares

No dia 6 de janeiro deste ano, aconteceu no Clube dos Sub-Tenentes e Sargentos do 6º BE Comb. o "1º Encontro de Ex-Integrantes da 13ª Companhia de Comunicação". Foi um momento de emoção, alegria e confraternizaçao. A partir de agora, todos os anos, no mês de janeiro o encontro será repetido. Foi uma iniciativa dos ex-soldados Figueiredo (1981) e Benilson (1982). (Fonte: Página de Benilson Moreira no Facebook) 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

*Boa tarde. Acabei de ler uma postagem sua sobre o Carnaval de São Gabriel. Outro dia me peguei ensaiando sobre o Carnaval de lá. Primeiro, tenho de me apresentar, sou filho e sobrinho de duas fundadoras da "Escola de Samba Filhos da Lua".

Talvez o senhor não saiba, mas a Escola foi fundada por uma dissidência dos "Canelas  Pretas", na rua Celestino Cavalheiro, 513, debaixo de um pé de salso chorão.

Eu tinha até pensado em fazer uma matéria sobre o Carnaval, mas me faltaram subsídios, os quais encontrei na sua postagem.

No que toca aos "Filhos da Lua”, infelizmente quando minha mãe faleceu foi perdida muita coisa, e nem sei onde anda até a ATA de fundação, que eu tinha guardada. Mas como moro em Porto Alegre e ela faleceu em São Gabriel, não sei onde está.

Em seu livro "100 anos de futebol em São Gabriel", o senhor lembrou do meu  pai como árbitro de futebol, Inocêncio Teixeira.

Um abração

Flávio Antônio Macedo Teixeira

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O grande "Chicão"

Cândido Francisco Silva de Campos, o popular “Chicão”, nasceu em São Gabriel no dia 9 de março de 1940. Desde cedo, mostrou sua paixão pelo futebol. Jogou como lateral-direito no Olaria F.C., tradicional equipe amadora da cidade. Depois, vestiu a camisa do Oriente F.C., o “Leopardão” da Vila Maria.

Quando deixou os gramados, foi nomeado delegado local da antiga Federação Rio Grandense de Futebol (FRGF), hoje Federação Gaúcha de Futebol (FGF), cargo que ocupou por longos 35 anos. Paralelamente, foi conselheiro da S.E.R. São Gabriel. Nos últimos anos, foi presidente do Conselho Deliberativo do São Gabriel F.C.

"Chicão" é casado com dona Luiza Maria, de cuja união nasceu a filha Maria Fabiana. Funcionário da Câmara de Vereadores há vários anos, agora aposentado, "Chicão" recebeu uma justa homenagem quando completou 25 anos de Casa. Foi o destaque esportivo de São Gabriel em 2009, e condecorado pela Câmara de Vereadores com o título de “Gabrielense Emérito”.

Não é só no futebol que "Chicão" se destaca. Carnavalesco apaixonado presidiu a "Escola de Samba vai Mesmo", uma das mais populares da cidade. Também foi presidente do antigo Clube 7 de Setembro e é membro efetivo da Sociedade Artística Gabrielense.

Time do Olaria Futebol Clube, sem identificação. Se alguem souber o ano e os nomes dos jogadores, por favor ajude, informando. Desde já agradeço. (Foto: Página de Cândido Francisco de Silva Campos no Facebook)

"Chicão" e um atleta do Olaria, sm identificação, com as faixas de campeões, (Foto: Página de Cândido Francisco de Silva Campos no Facebook)

"Chicão" pronto para o desfile da "Escola de Samba Vai Mesmo".  (Foto: Página de Cândido Francisco de Silva Campos no Facebook)