quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Uma história que parece lenda (I)

Joaquim Francisco de Assis Brasil foi um grande diplomata brasileiro. E também advogado, político, orador, escritor, poeta, prosador, estadista, propagandista da República, fundador do Partido Libertador, deputado e membro da junta governativa gaúcha de 1891.

Mas a sua verdadeira vocação não foi nenhuma das funções descritas acima, sim o trato da terra, a cultura dos campos. E a obra de que mais se orgulhou foi a Granja de Pedras Altas.

Assis Brasil era gaúcho de São Gabriel, onde nasceu no dia 29 de julho de 1857 na Estância de São Gonçalo, sendo filho do estancieiro Francisco de Assis Brasil, de quem herdou extensas propriedades no interior gaúcho, e de Joaquina Teodora de Bensalinas, ambos descendentes de açorianos.

No ano do nascimento de Assis Brasil, São Gabriel tinha apenas 4 mil habitantes. E no ano seguinte recebeu as prerrogativas de cidade, juntamente com Bagé e Cachoeira.

O casal Francisco de Assis Brasil e Joaquina Teodora teve 14 filhos, mas só se criaram nove, sendo cinco homens e quatro mulheres. Apenas Joaquim Francisco, chegou aos bancos acadêmicos, recebendo educação superior.

Aos oito anos, Assis Brasil entrou na escola de primeiras letras do mestre Custódio José de Miranda. Em 1870 transferiu-se para o Colégio Gabrielense do professor Trajano de Oliveira. No primeiro ano ganhou a medalha de prata e no ano seguinte a de ouro. Estas medalhas ainda existem, guardadas no Castelo de Pedras Altas.

Entre os poucos amigos íntimos de Assis Brasil, alguns haviam sido seus colegas de curso primário no colégio do professor Trajano de Oliveira, em São Gabriel. E parece terem sido esses os seus amigos prediletos.

Com mais de um ele trocou correspondência, sobretudo quando se encontrava fora do país. Fica-se com a impressão que era o meio escolhido para comunicar-se com a própria terra e sua gente.

O Museu João Pedro Nunes, de São Gabriel, conserva cartas de Assis Brasil a João José Machado de Oliveira. Quando meninos moraram em estâncias vizinhas. Foram companheiros de “campereadas” nas coxilhas e colegas de colégio na cidade. Contrariamente ao que aconteceu com Assis Brasil, João José nunca arredou pé de São Gabriel.

Em 1872, já órfão de pai, partiu para Pelotas, ficando interno no Colégio Taveira Júnior. Em 1874 frequentou, em Porto Alegre, o Colégio Gomes, onde estudou os preparatórios. Em 1876 matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, passando a integrar o grupo de estudantes rio-grandenses que ali se formaram.

Fundaram o Clube 20 de Setembro, com o compromisso de pregar e propagar o sistema republicano de governo e de apressar a mudança de regime político do país. Em 1882 formou-se em Direito e voltou para o Rio Grande do Sul, onde foi um dos fundadores do Partido Republicano Rio-grandense.

Durante meses, percorreu a província a cavalo, pregando a liberdade e a república com que tanto sonhava. Foi eleito deputado provincial (hoje seria estadual) em dois biênios: 1884/1886 e 1886/1888. Na tribuna enfrentou Gaspar Silveira Martins, merecendo deste seu digno adversário as maiores considerações.

OS DOIS CASAMENTOS DE ASSIS BRASIL

Em 20 de setembro de 1885, Joaquim Francisco casou na então Vila Rica, hoje cidade de Júlio de Castilhos, com Maria Cecília Prates de Castilhos, filha do comendador Francisco Ferreira de Castilhos, natural de Santo Antônio da Patrulha, e de Carolina de Carvalho Prates, natural de Caçapava e irmã de Júlio de Castilhos.

Houve deste matrimônio quatro filhos: Francisco, falecido aos 5 anos, Maria Cecilia, Joaquim, falecido aos 2 anos e Carolina.

Tendo enviuvado contraiu segundas núpcias em Lisboa, a 6 de maio de 1898, com Lídia Pereira Felício de São Miguel, nascida em Bonn, na Alemanha, e filha de José Pereira Felício, segundo Conde de São Mamede e Lídia Smith de Vasconcelos.

Deste matrimônio nasceram oito filhos: Cecília, Lídia, Joaquina, Joana, Dolores, Joaquim, Lina e Francisco, que veio ao mundo em Pedras Altas. Foi seu padrinho o hoje quase esquecido médico Pedro Osório, um dos melhores amigos da família.

Pedro Osório era o médico da família. Residia em Bagé. Diplomado em Paris, em 1882, faleceu no Rio de Janeiro, em 1922. Referindo-se a ele, dizia dona Joaquina de Assis Brasil: “Nosso dedicado e incomparável “Family Doctor” era adorado pela gente humilde de Bagé. A todos atendia com carinho, sem nada receber”.

Ele foi padrinho de Francisco, e sua esposa, dona Faustina, madrinha de Dolores, filhos de Assis Brasil. Anticlerical, publicou um livro de bastante repercussão na época: “Mentiras Religiosas”. Era bom escritor, com estudos humanísticos na Sorbonne.

Assis Brasil não precisou interferir na escolha de profissão para seus filhos. Seguindo naturalmente o exemplo do pai, seus dois únicos filhos varões, Francisco e Joaquim foram agropecuaristas, no município de Alegrete, em terras desmembradas da Estância do Ibirapuitã, herdadas do pai. Era o que o criador de Pedras Altas esperava de seus filhos.

E seus genros, Dácio de Assis Brasil, Fernando Macedo e Manoel Martins, foram estancieiros, os primeiros em São Gabriel e o último no município de Dom Pedrito.

UM POLÍTICO DE CONVICÇÕES

Em 1889, proclamada a República, foi eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte. Promulgada a Constituição, renunciou ao seu mandato. Convidado pelo marechal Deodoro da Fonseca para fazer parte do primeiro ministério constitucional, recusou o convite por divergência de ideais.

Em consequência do golpe de estado de Deodoro, a situação no Rio Grande do Sul tornou-se anormal, tendo o presidente do Estado Júlio de Castilhos abandonado o poder. Foi constituída então uma Junta Governativa, da qual Assis Brasil fez parte, tendo assumido o governo estadual.

Os rio-grandenses uniram-se para defender a causa comum: o mais completo êxito veio coroar seu gesto de patriota. Atingidos os objetivos com a eleição de um novo governador, Assis Brasil renunciou ao poder.

Transferido para a China, não chegou a assumir o posto, porque o presidente Prudente de Morais lhe conferiu a incumbência de reatar as estremecidas relações com Portugal.

E lá aconteceu o seguinte. Durante uma caçada, o rei Dom Carlos, de Portugal, mandou que o diplomata disparasse o primeiro tiro contra um cervo. Assis Brasil desculpou-se. O privilégio era de Sua Majestade. Como Dom Carlos insistisse muito, Assis Brasil atirou.

O animal continuou andando. Então o rei abateu a presa. E antes de se dirigir ao cervo caído, perguntou: “Mas onde está a sua fama de exímio atirador?”

A resposta: “Verifique a galhada direita, Majestade”. Diplomaticamente Assis Brasil tinha atingido propositalmente apenas o chifre do cervo.

Transferido para os Estados Unidos em 1898 (ano em que se casou com sua segunda esposa), lá ficou até 1902, quando foi enviado para a Embaixada do Brasil no México.

Em 1903, o presidente Rodrigues Alves o chamou para trabalhar ao lado do Barão de Rio Branco na questão de limites com a Bolívia. A assinatura do “Tratado de Petrópolis”, em 17 de novembro de 1903, terminou com o litígio de fronteiras entre o Brasil e a Bolívia, no atual Estado do Acre.

Por causa disso, Assis Brasil estreitou seus laços de amizade com outro gabrielense, Plácido de Castro. Com o término das negociações, Assis Brasil retornou para Washington logo após a assinatura.

Em 1905, o Barão do Rio Branco removeu-o para a Argentina, onde se tornava necessária a presença de uma personalidade de prestígio para desfazer intrigas surgidas contra o então ministro das Relações Exteriores.

Em 1906, ao lado de Joaquim Nabuco, presidente do Congresso Pan-Americano realizado no Rio de Janeiro, dirigiu os trabalhos como secretário geral.

APOSENTADORIA, NEM TANTO

Em 1907 pediu aposentadoria. Retirando-se do serviço diplomático, fundou sua granja de Pedras Altas. Ele já havia liderado, no final do século XIX, a fundação da Associação Pastoril de Pelotas, a associação agropecuária mais antiga do Rio Grande do Sul.

Depois vieram as associações de São Gabriel, de Bagé e, finalmente, em 1919, a de Alegrete. Em 1908 fundou, com seu amigo Fernando Abbott, o Partido Republicano Democrático. Depois viveu retirado da atividade política até que, em 1922, o seu nome foi lançado como candidato de oposição a Borges de Medeiros.

A rudeza da luta eleitoral tornou inevitável um movimento armado, a Revolução de 1923, que acabou resultando na reforma da Constituição Estadual de 1891. Em dezembro de 1923 foi assinado o Pacto de Pedras Altas, em seu castelo na cidade de mesmo nome.

Em meados do século XIX a região era conhecida como "Coxilha das Pedras Altas". A denominação foi encontrada em cartas escritas à família, por um oficial farrapo que estava acampado na localidade com as forças de Bento Gonçalves.

A correspondência a qual estava escrita a denominação, foi publicada em um Almanaque de Porto Alegre no final daquele século. Entretanto, Joaquina de Assis Brasil, em depoimento prestado ao historiador Antônio Dias Vargas, no dia 16 de fevereiro de 1969, disse-lhe o seguinte:

Os engenheiros da estrada de ferro, a procura de local adequado para instalação dos trilhos, descobriram duas pedras enormes, uma apoiada sobre a outra, com altura aproximada de cinco metros.

Admirados com a obra da natureza, fizeram um esboço do achado, ao qual deram o nome de Pedras Altas. Isto, segundo Joaquina, originou o nome da estação férrea.

O início da povoação foi proporcionado pelo comendador Manoel Faustino D'Ávila, dono da estância Vista Alegre, hoje São Manoel, que em 1898 doou os terrenos de sua propriedade, situada na margem oeste de uma das estradas de acesso à estação férrea (atual rua Visconde de Mauá), a ex-agregados e amigos.

O DIÁRIO DE PEDRAS ALTAS

Em 29 de julho de 1909 ele deu inicio ao “Diário de Pedras Altas” que foi encerrado em 14 de março de 1917. Foram 9 anos e 8 meses que renderam cinco encorpados cadernos, que contam o dia-a-dia da construção de uma granja sem precedentes na agropecuária brasileira, constituindo-se num verdadeiro e futurista testamento agropastoril e do respectivo castelo, pedra por pedra.

Valho-me neste trabalho de trechos da narrativa do escritor Carlos Reverbel, que rendeu o histórico livro “Pedras Altas, a vida no campo segundo Assis Brasil”, carro chefe do que é descrito a seguir.

Carlos Reverbel foi um dos maiores estudiosos da cultura gaúcha deste século. Jornalista militante pesquisou sobre imprensa e história do Rio Grande do Sul, formando a maior biblioteca especializada do estado.

Carlos Reverbel deixou uma obra representativa de suas paixões e do seu trabalho. Escreveu sobre Simões Lopes Neto em “Um capitão da guarda nacional” (1981), sobre Assis Brasil em “Diário de Cecília de Assis Brasil” e “Pedras Altas”, (1984).

Suas crônicas foram reunidas em “Barco de papel” (1978) e “Saudações aftosas (1980)”. Escreveu, ainda, “Maragatos e Pica-Paus” (1985), “Assis Brasil” (1990), “Arca de Blau” (1993) e “O “Gaúcho”, publicado originalmente em 1986.

O primeiro trato de terra, núcleo inicial de “Pedras Altas”, medindo 71 braças de sesmaria, foi adquirido em 7 de maio de 1904, ao major João Guimarães e sua mulher. O plano da sede da Granja, traçado no papel pelo seu idealizador, começou a ser implantado naquelas terras, até então agrestes e desertas, rudes e incultas.

A 9 de julho de 1904 plantou-se a primeira árvore, uma laranjeira. A árvore vingou, mas pouco viveu. No verão de 1907, depois da primeira florada, foi destruída pelos gafanhotos, numa das ausências do proprietário.

Quando menino em Dom Pedrito, minha terra natal, cheguei a conhecer as chamadas pragas de gafanhotos. Eles apareciam geralmente no verão, em nuvens e acabavam com qualquer coisa verde que aparecesse a sua frente.

O gafanhoto é considerado uma das piores pragas da agricultura brasileira e pode chegar a causar danos em áreas muito grandes. As de plantio são um de seus habitats favoritos.

Além de gregário, já que só anda em bandos, esse inseto é capaz de comer o correspondente a seu peso por dia, se alimentando desde gramíneas e pastagens até roupas e móveis.

Lembro que na inocência de criança, costumava amarrar um cordão na perna de algum distraído gafanhoto que saia a pular, mas sem conseguir se livrar. Brinquedo de criança. A mesma coisa se fazia com outro inseto parecido com gafanhoto, o “Louva Deus”, comum em qualquer jardim.

Mas há uma diferença enorme. O “Louva Deus”, ao contrário do gafanhoto é um inseto benigno, que se alimenta, normalmente, de pequenos insetos: moscas, abelhas, cigarras e até gafanhotos.

Ele captura com suas patas dianteiras longas e que funcionam como uma eficiente pinça cheia de espinhos, que executa apreensões extremamente rápidas, que trazem a caça diretamente para a sua forte mandíbula.

A partir de 1908 é que Assis Brasil passou a dirigir pessoalmente as obras de Pedras Altas. Nos primeiros anos, de 1904 a 1907, limitou-se a acompanhar, quase sempre à distância, a execução do projeto que ele próprio elaborou, nos mínimos detalhes.

Depois de três anos de batida a primeira estaca, foram aparecendo alguns resultados apreciáveis. Às arvores começaram a dar sombra e fruto. Erguia-se o estabelecimento à margem da estrada de ferro de Rio Grande a Bagé, junto à estação de Pedras Altas.

A AMPLIAÇÃO DE PEDRAS ALTAS

A segunda fração de campo, destinada a ampliar a área da Granja, media 81 braças de sesmaria e foi adquirida em 9 de agosto de 1904, a José Coelho de Campos e sua mulher.

Como ficava separada da área inicial, foi depois permutada com a senhora Avelina de Freitas, por 41 braças contiguas ao estabelecimento, havendo indenizado em dinheiro do campo excedente.  A primeira fração de terras custou 12 contos de réis e a segunda, três, aproximadamente.

Em 6 de abril de 1905, a família Assis Brasil, então integrada pelo casal e as três primeiras filhas do segundo matrimônio, Cecília, Lídia e Joaquina, que residiam em Bagé, mudaram-se para Pedras Altas. As duas filhas do primeiro matrimônio, Maria e Carolina estavam na Suíça, internadas em educandário de alto nível.

Como ainda não tivera início a construção do castelo, a família instalou-se provisoriamente no “Cottage”, chalé que seria utilizado, mais adiante, como casa de hóspedes.

O “Cottage” foi pré-fabricado, na carpintaria da Charqueada do Visconde Ribeiro de Magalhães, em Bagé, tendo como modelo um chalé norte-americano.

Ocuparam-no inúmeros visitantes, muitos deles reconhecidos entre os homens mais destacados do país, tornando-se alguns amigos para sempre de Assis Brasil e sua família.

Foi o caso do poeta e historiador Capistrano de Abreu, que certa vez permaneceu por seis meses na Granja. E deixou lembranças que ficaram marcadas. Por exemplo, com a ”sanga de banho do Capistrano”, local onde ele costumava se banhar.

Ou então, quando se mostra o recanto em que ele colocava sua rede, ali permanecendo como lembrança as respectivas argolas de sustentação.

Como o historiador gostava de ler até tarde, à luz de vela, certa vez uma parede do “Cottage” ficou chamuscada. Embora indicasse o sinal de um princípio de incêndio, jamais se permitiu que aquela mancha negra na parede de tábua fosse removida. É conservada até hoje como uma lembrança de Capistrano de Abreu.

O ilustre historiador também esteve em São Gabriel visitando a Estância de São Gonçalo, berço de seu amigo e anfitrião, cujo irmão Paulo a recebeu por herança.

Depois, acompanhado de Assis Brasil, foi até Alegrete e Uruguaiana conhecer às estâncias que seu amigo possuía naqueles municípios – Ibirapuitã e Itaiaçu, a primeira herdada, a segunda adquirida.

No seu Diário, Assis Brasil registrava os nomes de todos que o visitavam, especialmente velhos amigos dos tempos da aula primária do professor Trajano de Oliveira, em São Gabriel, casos de Amélio Noguez e Leonardo Domingues de Bittencourt.

Outro cuidado do criador de Pedras Altas era associar o nome de pessoas da família, de amigos e de visitantes às árvores que se plantava e aos animais que nasciam no estabelecimento.

VISITANTES ILUSTRES

Certo dia esteve em Pedras Altas um velho amigo e compadre de Assis Brasil, José Machado de Oliveira, homem vivaz e malicioso. Fazendeiro abonado, só viajava de segunda classe. Alguém lhe perguntou por que se sujeitava a esse desconforto, e a resposta veio imediata: “Porque não existe terceira classe nos nossos trens”.

O doutor Guilherme Minssem era muito chegado a Pedras Altas. Professor do Liceu Rio-Grandense de Agricultura, que depois se tornou a Escola de Agronomia Eliseu Maciel, de Pelotas, a mais antiga do Brasil, costumava levar seus alunos ao estabelecimento, ali ministrando aulas práticas.

Ninguém entendera melhor do que ele a finalidade com que Assis Brasil fundara Pedras Altas, um centro de irradiação das modernas técnicas agrícolas, uma “lição de coisas”.

Em 1910 o pomar frutificava. Havia abundância de pêssegos, peras, maçãs, laranjais de diversas variedades, uvas de diferentes castas. A horta, com seus produtos, em geral de ciclo vegetativo curto, fornecia verduras e legumes variados.

A terra retribuía às vezes com exuberância exagerada as sementes que lhe eram confiadas. Uma abóbora, pesando 30 quilos, fora remetida de presente a Paulo de Assis Brasil, na velha estância familiar de São Gonçalo.

As oliveiras ainda se recusavam a frutificar, mas, simbolizando a paz, desempenhavam o papel que lhes fora reservado em primeiro lugar.  As sebes de lídias, nome que Assis Brasil dera em homenagem à esposa, dona Lídia, ao “Ligustrum Californicense” que trouxera dos Estados Unidos, alinhavam-se ao longo dos passeios e avenidas do grande parque, cumprindo-se de forma bela e harmoniosa suas funções de cercas vivas.

Pedras Altas impulsionou a atrasada pecuária gaúcha da época. Assis Brasil importou vacas Jersey da Inglaterra, robustos touros Devon, cavalos árabes e ovelhas karakul e Ideal.

Só criava animais de raça, como galinhas White Wyandotte trazidas dos Estados Unidos. Ele também introduziu novas espécies de árvores, como o eucalipto, construiu estrebarias, galpões e porteiras que ainda funcionam. Ainda inventou utensílios, como a bomba de chimarrão de mil furos que jamais entope e leva o seu nome. (Pesquisa: Nilo Dias – Publicado no jornal "O Fato", de São GabrielRS, edição de 13 de janeiro de 2017 - Complemento na próxima edição)


O nome Pedras Altas, tem origens nessas pedras que se localizam próximo a cidade de igual nome.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Estância do Boqueirão

É uma propriedade rural muito antiga, com mais de 100 anos de existência. Fica na localidade de Faxinal, no Distrito de Catuçaba.Seu primeiro dono foi Januário Chagas, que em 1906 a vendeu para Ilo Bicca, recebendo como parte do pagamento, a "Estância do Carangueijo", localizada próximo a Santa Maria.

Ilo Bicca era bisavô de Malu Bragança, e avô de Dórian Bragança, casada com o engenheiro Ricardo Bragança. Ilo, posuia outras estâncias próximas a do Boqueirão: Cedro, Cantagalo, Guabiju, Santa Bárbara e Boa Vista. E juntou todas, tornando-se a Estância do Boqueirão a sede de suas propriedades.

Segundo Malu, seu bisavô comprou  a Estância quando tinha 18 anos de idade. Foi casado com Florinda Fernandes. Após seu falecimento, em junho de 1969, a sede da estância foi herdada por seu filho José Bicca, casado com Doramia do O', pais de Ilo, Marco Aurélio, Dalanne, Dorian e Florinda, casada com Jorge Luiz Fagundes da Silva.

Na Estância do Boqueirão são desenvolvidas atividades como a pecuária, com criações de gado Devon, ovinos para consumo e criação de cavalos "Quarto de Milha". E na agricultura, plantios de pastagens de inverno e verão.

Um fato interessante ocorreu na propriedade, em setembro de 2006, quando lá foi encontrado um fóssil de 270 milhões de ano, por uma equipe de pesquisadores da Unipampa e UFRGS, quando participavam de uma atividade de campo. (Fonte e foto: Página de Malu Bragança, no Facebook)

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Familia Ferroni-Rivas em festa

Dia 8 de janeiro fez 45 anos que a família Ferrony Rivas teve início. Há 45 anos Carlos Raul Rivas e Ligia Ferrony decidiram que iriam navegar juntos rumo à um mesmo destino. A tripulação desse barco chamado família, foi crescendo aos poucos, na medida em que a viajem acontecia. Tivemos a felicidade de festejar e viver a infância de cada nascimento. 

Também precisamos nos despedir de alguns "tripulantes" cuja viagem era sabidamente mais curta, nossos bichinhos de estimação! Me refiro a eles porque bem sabemos como foi sofrido para a gente dar adeus a essa parte da família. "Bilu", "Rita Lee", "Baby", "Liquinho", "Pretinha", "Gamin", "Foucault", "Dick" e "Nero", e tantos outros bichinhos que povoaram a infância dos filhos e netos.

Viajamos muito, criamos tradições, construímos mil lembranças lindas e sempre que o destino nos afastou, desenhamos um destino novo e um a um... regressamos. Hoje os filhos e filhas somos todos adultos e entendemos na prática como é difícil por vezes manter o barco no rumo certo quando há tempestade. 

Entendemos que nem sempre se pode ver terra a vista mas é preciso apostar no destino, na chegada, no horizonte sempre com fé. Sabemos que é preciso ancorar quando estamos cansados e manter os olhos no céu, a noite, quando estamos perdidos. Sabemos que tudo dá certo quando estamos juntos. 

Faz 45 anos que a nossa família linda existe e em nome dos tripulantes aqui, quero agradecer por vocês terem sido a proa e sempre nos levar pelo caminho certo e seguro. Obrigada pai e mãe. Que a viagem siga por dezenas de anos mais! Que seja linda e gostosa.... Como tem sido. Que siga cheia de amor. Como dizem os marinheiros "Un buen viento y una buena mar!" (Fonte: Página de Ligia A. Ferrony Rivas, no Facebook)





segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Gisele Villanova é a nova presidente da Amigo Bicho

Em uma das eleições mais disputadas em sua história, a Associação Protetora dos Animais São Francisco de Assis (Amigo Bicho) conheceu sua nova presidência na noite de domingo (8).

A empresária, contabilista e ativista social Gisele José Luiz Villanova foi eleita a nova presidente, por 281 votos a 250 da Chapa 1, que representava a atual gestão e tinha como candidata Ivin Borges.

A votação aconteceu no Ginásio Plácido de Castro (Chiappettão), durante o final da tarde e começo da noite deste domingo. (Fonte e Fotos: Blog "Caderno 7")



segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

*Muito obrigado por ver e elogiar o meu blog. Fico muito honrado vindo de você. Parabéns pelo seu blog também e se gostou e quiser acompanhar frequentemente ficarei muito feliz, isso me motiva muito para continuar e me tornar um jornalista esportivo.

Lucas Miam
*Olá, Nilo! Descobri seu trabalho por acaso no Google e fiquei muito feliz ao ler uma publicação sobre o Carlos Cândido, meu bisavô. Estou em busca de mais informações sobre ele. Você teria algum material que fale mais sobre ele e seus familiares mais próximos?

Carlos Henrique Cabral Pereira

Com referência postagem: https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=3765766403064658429#editor/target=post;postID=6625997664885027502;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=173;src=postname

*Prezado senhor Nilo Dias Tavares. Agradeço por teres divulgado minhas anotações sobre o poeta Raul Sotero de Souza. É o pouco que consegui sobre esse personagem, cuja memória já vai sendo esquecida.

O Povo do Sul

Abraço

Dari Simi

Com referência a postagem:

https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=3765766403064658429#editor/target=post;postID=4538665822835505064;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=4;src=postname

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Uma família feliz

Ontem, 28 de dezembro foi um dia especial para a família Chaves. E bota especial nisso. O casal de advogados gabrielenses, Itajar Maldonado Chaves e Jandira completaram nada mais, nada menos, do que 53 anos de casados.

A data mereceu muita festa, e não era para menos, afinal estar tanto tempo juntos, não é para qualquer casal.

Itajar e Jandira são pais de Liane, Itajar Júnior e Márcia. São loucos pelos netos Marina, Joana, Henrique, lucas, Vinicius e Júlia. E a felicidade agora se completa com a vinda da bisneta Alice. Haja coração para guardar tanto amor e carinho. Parabéns do blog a família tão feliz e amiga. (Fotos: Liane Chaves).




segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Natal visto por gabrielenses

Nem sei como começar a fazer matéria especial de Natal. Não faz o meu gênero escrever sobre “Papai Noel”, “Reis Magos”, trenó e outras coisas. É claro que já fui criança e por muitas noites fiquei acordado para esperar a chegada do “bom velhinho” com os presentes ansiosamente aguardados.

E tudo terminou quando flagrei o meu pai em plena madrugada, pés mal se movendo para não fazer barulho, carregado de brinquedos. Foi bom enquanto durou. Tenho até a impressão que foi aí que nasceu o famoso “Pé de Pano”.

O mesmo se pode dizer em relação ao “Coelhinho da Páscoa”. Sei que tudo não passa de motivação comercial. Mas a verdade é que essas figuras imaginárias povoaram os sonhos de todos nós, quando crianças.

Lá em casa, que bem me lembro, não incentivávamos essas fantasias aos nossos filhos. E acho que nem precisava, pois tanto a Fabiana, quanto o Leonardo, acordaram muito cedo para o plano real. Não o do FHC.

O que não impediu que festejássemos a data, iguais a quaisquer pessoas normais. Lembro que costumávamos passar a noite de Natal na casa do meu saudoso sogro, Gelcy Mota, na antiga Ponte Seca. A minha também saudosa sogra, dona Mecília caprichava no cardápio.

Era comida que não acabava mais. Geralmente um frango assado, daqueles criados em casa. Ou um leitãozinho assado na padaria da esquina. Depois é que apareceu o tal de “Chester”, substituindo o antes tradicional frango. Como complemento, arroz a grega e saladas diversas.

E doces de todo o tipo feitos com capricho nos antigos tachos de cobre. Os melhores sempre foram aqueles fabricados pelos ciganos. Na casa do meu sogro tinha uns dois ou três. Os doces feitos ali tinham outro sabor. Acho até que ainda tem um por lá. Na próxima vez que for a São Gabriel vou trazê-lo para Brasília. Por aqui não se acha disso.

Eu adorava um doce de figo. Hoje é difícil de encontrar esse fruto que era tão popular antigamente. Havia figueiras por toda a parte, agora dá a impressão que desapareceram. Também gostava de doces de abóbora e batata-doce.

E não esqueço as compotas de laranja feitas pela saudosa dona Eutélia, esposa do saudoso Rufino Bittencourt, que era dono do “Bar Ferroviário”, quase frente o Posto Centenário. Ela sempre me presenteava com generosos pedaços daquela delícia.

O churrasco lá no meu sogro só acontecia na noite do Ano Novo. A gente se reunia no fundo do pátio, onde havia uma churrasqueira. Os vizinhos participavam também. Era comum a troca de gentilezas. Eles ficavam um pouco na nossa festa e depois era a gente que dava um pulinho nas casas deles. Era bom demais.

Aqui por Brasília nós comemoramos o Natal e o Ano Novo. Nem sempre ficamos todos juntos. Geralmente a filharada tem outros compromissos com amigos. São os novos tempos. O que fazer? Eu e a Teresinha aproveitamos para saborear os pratos de sempre no Natal aqui de casa: uma torta de frango e outra doce.

Quando criança, lá em Dom Pedrito, a minha terra natal, antes de qualquer comemoração íamos todos a Igreja Matriz, à meia-noite, para assistir a “Missa do Galo”. O meu pai era católico, daqueles que estavam na Igreja todos os domingos.

Hoje, esse hábito mudou drasticamente. As pessoas ficam em casa e olham a Missa pela TV. Quando olham. Geralmente à meia-noite já estão todos ocupados com a festança. E sabidamente quem menos participa da festa é o Jesus aniversariante.

Não quero discutir se os tempos de antigamente são melhores ou piores que os atuais. É claro que existem divergências. Eu, como saudosista, preferia as reuniões natalinas e de Ano Novo realizadas em família.

Não sou um religioso convicto, só vou a Igreja em Missa de sétimo dia e assim mesmo de alguém muito chegado. Mas confesso que gostava de assistir a “Missa do Galo”. Ela era diferente, alegre e incrementada com o repicar dos sinos.

Lembro um Natal de tristes recordações. Já se passaram muitos anos. Eu estava morando sozinho em Pelotas, por razões que não vale a pena contar. Quando deu meia-noite, às ruas estavam vazias. Nas casas muita alegria, música alta, famílias reunidas.

Eu me encontrava em um bar na rua 15 de Novembro, ao lado do jornal “Diário Popular”, onde trabalhava. Só eu e o dono do bar, que era o Luiz Carlos Peres, ex-goleiro do Farroupilha, de Pelotas, Internacional, de Porto Alegre, América, do Rio de Janeiro e Atlético Mineiro.

Ele era irmão do Glênio Peres, antigo e saudoso político de Porto Alegre, que hoje é nome de um Largo no centro da capital, onde se realizam atos cívicos. Luiz Carlos também foi companheiro da saudosa cantora Clara Nunes, que eu conheci quando esteve com ele em Pelotas. Isso nos áureos tempos em que defendia o “Galo” mineiro.

Saímos do bar e fomos sentar na calçada da esquina, com um litro de uísque nas mãos. E trocamos histórias tristes e alegres de nossas vidas. Foi, sem dúvida, o meu pior Natal.

Mas vamos ao que interessa, opiniões de gabrielenses sobre o Natal e o que esperam dele e do novo ano. Como ocorreu na matéria sobre a Chapecoense, os colaboradores deste trabalho também foram escolhidos aleatoriamente. (Por Nilo Dias)

TERESINHA MOTTA. Jornalista da Assessoria de Imprensa do Ministério do Planejamento, em Brasília.

Era para ser uma lacônica mensagem com os tradicionais votos de boas festas. Afinal, 2016 não valeu e há um acúmulo de desencanto parado no ar. Mas, dezembro pede pausa e paz. É a hora perfeita para encerrar ciclos e recarregar energias. Agenda que nos acena com horizontes mesmo com todas as saídas fechadas. Agenda que nos propõe reflexão e aconchego mesmo com toda desolação que há no mundo ou dentro de nós.

Dezembro é mágico, porque, mesmo nesses dias agitados que nos inquietam a alma, a esperança aparece, completamente alienada de tudo. A esperança vem para dizer que temos algo urgente para realizar: construir um novo modelo de mundo pelo lado de dentro de nós. Quer nos ensinar que o melhor de nós está em nossos avessos (que escondemos até de nós mesmos) ou no vir a ser que ainda nos falta.

E, para isso, nos coloca óculos de aumento metafísico, que nos faz perceber que temos a vastidão do infinito a nosso favor. Eu chamaria a isso de “Milagre de Natal”.

LOURDES FIGUEIREDO. Aposentada. É filha do historiador Osório Santana Figueiredo.

O que acho e espero do Natal

Muitas provações se passaram durante este ano que está se encaminhando para o passado, como sendo um alerta, um beliscão do “Eterno” para que o respeito, à dignidade e o sentimento de dualidade se manifeste com naturalidade ou a duras penas nos seres humanos.

Neste Natal se espera que a vibração da justiça repercuta como um eco latejante e ensurdecedor e se expanda pelo mundo inteiro. Se espera que desperte um grande líder com espírito de paz, seriedade e compromisso com a nação.

Paira no ar um quebra cabeças desmontado e urge a necessidade de que alguém coloque essas peças nos seus devidos lugares. E a esperança é de que pela capacidade de observar esse desequilíbrio, possa brotar a criatividade para um novo ciclo onde a esperança abrigue as angústias, proporcionando uma clareira iluminada rumo aos obscuros problemas.

É nas grandes catástrofes que surgem grandes líderes. Pensar positivo sempre dá certo, quando se encandeia um grande número de almas pensantes.

LUCIANA DALL’ONDER. Jornalista, Tecnóloga em Marketing, Técnica em Publicidade e Propaganda. Trabalha na Assessoria de Imprensa da empresa São Gabriel Saneamento.

O segredo é SER e não ESTAR

Está acabando. Mais um ano que chega ao fim. E com este “the end” anual é natural que surja a necessidade de reflexão e autoavaliação. É como nos incentiva a pensar aquela frase “chiclete” da canção: “Então é Natal, e o que você fez?”.

Este é o momento de repensarmos nossas próprias vidas e nos organizar internamente para desfrutarmos com mais equilíbrio e sabedoria do novo ano que se aproxima.

Então, estamos satisfeitos com nossos relacionamentos? Nossas insatisfações são oriundas do parceiro ou de nós mesmos? As pessoas que nos rodeiam nos fazem bem? Estamos felizes com nosso trabalho e nos sentimos reconhecidos e valorizados? Estamos satisfeitos com a pessoa que somos hoje? Quais defeitos podemos melhorar?

Agora é a hora de rever o que deu certo, mas avaliar também o que não deu e o porquê dos fracassos. Repensar nossas atitudes, o modo como vivemos, retomar as rédeas de nossas vidas e mudar definitivamente aquilo que nos desagrada.

O tempo não volta e ele é o que de mais valioso nós temos. Precisamos aproveitá-lo bem. Fazer valer a pena. E se você encerra 2016 com a sensação de que o ano “voou”, muito provavelmente tem, então, uma listinha de promessas não cumpridas, feitas um ano atrás, e foi engolido pela frenética rotina do dia a dia em 2016.

Eu sei, eu sei... 2016 não foi um ano fácil! Eu, se pudesse escolher uma palavra para definir este ano, ela seria: “EITA”. Mas eu sei que, no futuro, tem uma versão nossa muito orgulhosa por termos enfrentado tudo isso sem desistir. E justamente agora, com este momento de reflexão, teremos a oportunidade de agir diferente em 2017 e fazer tudo melhor.

Precisamos acessar a nossa essência espiritual para encontrarmos a felicidade de uma forma real e duradoura. Precisamos buscar o sentido dos nossos dias. Precisamos buscar a nossa verdade, a verdade de nossas almas. Precisamos sentir a esperança, ter a determinação para fazer melhor e colocar amor em tudo que estivermos dispostos a fazer.

Façamos nossa autoavaliação. Façamos novos planos. Retomemos antigos sonhos. Tenhamos fé. Pratiquemos gratidão. Exercitemos resiliência. Apostemos na reciprocidade. Acreditemos no amor e em suas diversas formas de estar em nossas vidas.

Conquistar a felicidade plena exige dedicação, planejamento, ação e disciplina. Que em 2017 estejamos dispostos a buscá-la, sabendo que o segredo é SER FELIZ e não apenas ESTAR.

Feliz Natal e um 2017 iluminado e repleto de paz, sentimentos verdadeiros, sorrisos sinceros e abraços que são casas, para todos nós.

AYRTON ALVES BITTENCOURT. Compositor musical e carnavalesco. Reside em Porto Alegre.

O Natal é a esperança

Em cada coração, desejos de felicidade e muita alegria. Quando a estrela brilhou e iluminou todo o céu há alguns milhares de anos atrás, três reis magos, Baltazar, Belchior e Gaspar interpretaram a mensagem e souberam que o rei dos reis havia nascido para libertar e salvar os homens do mal e do pecado, que reinavam no mundo até então.

Acreditamos que os nossos sonhos e desejos chegarão aos céus, e que o Natal seja de paz, amor, esperança, felicidade e muita energia, para continuarmos buscando dias melhores para nossos familiares e por todas aquelas pessoas que precisam de nosso apoio.

Tenho certeza que no Natal não gostaríamos de ver crianças pedindo esmolas nos sinais de trânsito e abandonadas sem direito de brincar e ir a escola.

O Natal que queremos é aquele em que abraçamos e beijamos nossos pais, sem que eles sejam abandonados por suas famílias e muitas vezes esquecidos nos asilos ou hospitais.

Nós desejamos e esperamos um Brasil melhor para todos. Um mundo sem guerras, sem destruições, um lugar seguro em que ninguém precise fugir deixando para trás tudo que conquistou ao longo da vida.

São momentos de reflexões, promessas, intenções que se repetem, na magia do renascimento, com anseios de esperança e de paz. Feliz Natal.

Agradecemos a Deus pelo ano que passa e damos boas vindas á 2017, e que seja um ano bem melhor para todos nós. Que possamos ter saúde e trabalho e o pão de cada dia em nossas mesas.

Em 2017 queremos ver nossa querida São Gabriel prosperando e crescendo com a sua comunidade, nossa gente, nosso povo.

Obrigado amigo Nilo Dias e jornal “O Fato”, pela oportunidade de expressar essa pequena mensagem de Natal e Ano Novo, e que Deus proteja á todos nós.

ROMEU NEME KLEIN. Auditor na empresa “Cotecna Inspection” e Proprietário de uma Agência de empregos. Estuda Pós-Graduação na PUCRS.

Natal é tempo de um clima de festividades, alegrias, reuniões em família e grupos de amigos, tempo de luzes coloridas, diversão e muitas trocas de presentes. Tempo de reconciliação e de perdão, tempo de buscar reflexão sobre a vida e as coisas boas que ela nos proporciona. Tempo de relembrar e desejar situações para nós e para aqueles que tanto amamos.

Atualmente esta data tão importante em muitos sentidos perdeu seu real significado, tornou-se uma festa de puro consumismo, de somente trocas de presentes. Mas não podemos esquecer o seu real significado o verdadeiro sentido da existência desta data, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo. O Menino que representa vida, paz, saúde, que nos amou e nos ama profundamente e que se doou e se doa integralmente a todos nós.
          
Ganhar presente de Natal tem um significado importante, pois os recebemos das pessoas que amamos e nos amam, que desta forma demonstram todo seu carinho. Entretanto festejar e celebrar Aquele que nos dá o nosso maior presente, é fazer com que o Natal tenha seu real significado.

Sabedores deste real sentido, o que desejar deste Natal? O que esperar desta Festa que nos fortalece e nos ensina a sermos pessoas melhores?

Com certeza muitas respostas veem em nossos pensamentos, desejosos de uma Festa Natalina cheia de felicidades, harmonia, união, família reunida, superação de obstáculos, que as pessoas pensem mais no outro como um ser humano de valor e não como mero objeto, entre outras tantas coisas que fica a critério do seu pensamento e desejo. Feliz Natal e Próspero 2017.

ELODY HELENA VEIGA DE MENEZES. Poeta, escritora e tradicionalista. Recentemente foi uma das homenageadas pelo Lions Clube de São Gabriel, na festa denominada “Noite dos Imortais”.

Ano Novo, esperanças renovadas

Todo o ano que chega traz esperanças de uma vida melhor, um mundo melhor, talvez até uma humanidade mais pacífica, clemente e fraterna.  Acho que foi para isso que inventaram a mudança do calendário justamente quando é festejado o (provável) aniversário de Jesus, para que a humanidade, enlevada com as comemorações do nascimento do Divino Mestre, eleve seus pensamentos a Deus, em preces de Paz e Amor, atraindo bons fluidos para o ano que começa.

Acho, porém, que, como diz Martha Medeiros, a vida é uma sucessão de perdas e ganhos. Ninguém passa por ela sem experimentar bons e maus momentos. Ninguém fica imune aos altos e baixos que o destino nos reserva. Porém, sonhar não custa nada e a tendência do ser humano é achar que tudo irá melhorar apenas com a passagem de uma data para outra.

Mas está provado – embora a maioria ache que se trata de uma crendice – que o pensamento positivo, principalmente, quando expressado em uníssono tem uma força poderosa para tornar realidade tudo aquilo que desejamos.

Então, no momento exato em que soarem os sinos da meia-noite de 31 de dezembro de 2016, vamos unir nossas vozes para elevar aos céus uma prece sincera, não só para pedir paz, saúde e prosperidade para nós mesmos e nossas famílias, mas implorar ao Todo Poderoso que tenha piedade do nosso querido Brasil, libertando-o desse fétido atoleiro em que está mergulhado, provocado pela falta de caráter e de patriotismo de maus políticos, que nem sequer merecem o nome de brasileiros, porque não amam e nem respeitam a pátria em que nasceram.

Que 2017 realize a nossa esperança de um Brasil melhor: é isso que desejamos.

LUIZ MENEGHELLO. Professor aposentado. Lecionou durante muitos na E.E. XV de Novembro.

Devemos ser gratos e felizes por termos vivido mais este ano, e por termos tido a oportunidade de aprender a crescer, como profissionais e pessoas. Que o Natal, seja o porvir de novos dias, de paz, amor e saúde a todos.

Que a esperança continue a brotar em todos os corações. Um Novo Ano vai começar. Vamos fazer deste ano o melhor das nossas vidas, pois apenas depende de nós, porque a nossa vida é feita de escolhas. Com Deus no coração! Paz e Fraternidade Universal!

MARA RAMOS RANGEL. Coordenadora da Casa de Cultura Sobrado da Praça.

Natal e Ano Novo de Fé

Como discípula de Cristo, espero o Natal sempre com alegria e com esperança renovada de que as pessoas se comovam com as palavras de amor tão ditas nestes dias natalinos, e olhem verdadeiramente para Ele, Jesus, que veio por todos nós. E encontrem o verdadeiro sentido da vida e se cumpra o que está nas Sagradas Escrituras: “Todo joelho se dobrará, e toda língua confessará, que só o Senhor é Deus”. Muda a vida e muda o mundo.
      
Em 2017 mais um capítulo começa a ser escrito nas nossas vidas. Minha maior esperança é que a mão da Justiça se mova e retire da vida pública todo aquele que tenha envergonhado os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
      
Chegamos com o Brasil no fundo do poço da imoralidade, da falta de ética, do desrespeito aos cidadãos e aos poderes constituídos. É preciso dar um basta ainda que a medida seja dura e radical. Zerar e começar de novo este Brasil tão lindo e de um povo tão maravilhoso.
      
Não perco a esperança jamais, pois estou ligada ao Criador que me leva e me renova todos os dias. Seguir evangelizando continuará sendo minha meta principal, realizar sonhos e ver meu filho ingressando na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.    

Desejo que São Gabriel viva e comemore o nascimento do menino Jesus e viva Cristo no coração de todos. Feliz e abençoado 2017!

ANTÔNIA LAÍSA. Jornalista. Trabalhou na Prefeitura Municipal de São Gabriel, jornal “Cenário de Notícias” e jornal “O Imparcial”. Desde outubro reside em Bagé, onde trabalha no setor administrativo das lojas Tevah.

O que esperar do Natal e do Ano Novo nesse final de 2016? Bom, vamos lá!

Para 2016 que foi um ano bastante conturbado, e porque não dizer de grandes revelações, claridade, mas também de injustiças e do marco do uso da força por quem perdeu os argumentos... esperamos para o Natal somente paz, amor e também de muito calor no coração daqueles que mais precisam. Que todos possam celebrar em família a esperança de dias melhores!

Para o ano novo que se aproxima sim, aí olhamos com muitas expectativas e o desejo de renovação de forma justa. Desejamos para 2017 o fim das injustiças e que seja um ano que se destaque como de grandes revelações.

Que quem mente seja desmascarado e que o olhar dos inocentes seja preservado, que todos possam viver em paz e resgatar o que foi perdido durante a longa batalha de 2016. Feliz Natal e próspero Ano Novo!

CARLOS CONRAD. Radialista, com atuação jornalística na Rádio São Gabriel, publicitário e pastor evangélico.

A diversão não gera como fruto a verdadeira alegria. A alegria verdadeira, a alegria plena, está ligada a algo bem maior, a algo mais profundo. A verdadeira alegria não está simplesmente em uma noite de banquete e de festa que passa.

A verdadeira alegria nasce de um encontro pessoal com uma Pessoa, Jesus Cristo, o Filho de Deus, que deseja fazer do seu e do meu coração um lugar para nascer e habitar.

Não queiramos um Natal de coisas e objetos. Talvez até iremos comprar presentes para trocar em celebrações e festas neste fim de ano… Mas que o maior desejo do nosso coração, seja receber nesse Natal o Filho de Deus, Jesus Cristo, o Emanuel. (Matéria publicada no jornal "O Fato", de São Gabriel-RS, em 23 de dezembro de 2016)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Azevedo Sodré na História

Aconteceu ontem (15/12), às 19h30min no Museu Nossa Senhora do Rosário Bonfim, antiga Igreja do Galo, o lançamento do livro "Azevedo Sodré na História", de autoria do historiador Osório Santana Figueiredo. Paralelamente houve uma exposição de fotos do doutor Antônio Cândido de Azevedo Sodré.

Embora tivesse na cidade no dia de ontem, outros eventos como formaturas, jantares de fim de ano e posse da nova diretoria da Associação Cultural Alcides Maya (ACAM), o lançamento do mais novo livro do historiador da cidade contou com uma presença grande de pessoas.

Entre histórias fotos e biografias, destacam-se na obra: Porque Azevedo Sodré? O fuzilameneto do Barão do Batovi.Família Carlos Mello. Foto Silveira-Bento Pereira, o gaúcho que brigou com um touro. O homem que laçou no ar uma criança que passava numa tormenta. Fatos, lendas e curiosidades. Preço do livro R$ 20.00.






quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Gabrielenses prestam homenagem a Chapecoense

A tragédia do dia 29 enlutou não só o povo de Chapecó, mas também o Brasil e o mundo do futebol. O simpático clube catarinense se preparava para o voo mais alto de sua curta história de 43 anos, disputar a final de uma competição internacional da maior importância, como a Copa Sulamericana.
O jornal “O Fato”, por determinação de sua diretora, Ana Rita Focaccia, me passou a tarefa de escrever algo sobre tão triste episódio. Ela, como desportista é herdeira do gosto pelo chamado “esporte das multidões”, visto que seu pai, Dagoberto Focaccia tem uma vida voltada para o futebol, como dirigente e radialista.
Além disso, seu companheiro de vida e de ideais, Márcio Ferreira foi um dos grandes nomes que pisaram o gramado do histórico “Estádio Sílvio de Faria Corrêa”. Por tudo isso ela não poderia, com seu jornal, ficar fora desse momento de extrema dor que vivem todos os que gostam de futebol. 
O Brasil todo já sabe como tudo aconteceu. TVs, rádios e jornais se encarregaram de fazer uma cobertura digna de um acontecimento que acabou com o sonho de um clube e de uma cidade. E quem sabe, de um país. 
O “Fato” ouviu um elenco de pessoas da terra, que prontamente concordaram em externar através de depoimentos, a tristeza e solidariedade com tão lamentável acontecimento.
Poderia ter convidado outras pessoas, a escolha foi feita aleatoriamente, à medida que lembrava nomes envolvidos com o futebol ou com meios de comunicação. E o resultado, creio, atende ao que o jornal esperava.
15310721_10211427800881333_1461786704_nLÚCIO VAZ. Jornalista e escritor, residente em Brasília e torcedor do Grêmio Portoalegrense.
O verde da “Chape”, cor da esperança, me remete para os meus últimos anos em São Gabriel, década de 70. A cidade vivia o sonho da “Associação”. 
Chamávamos assim a Associação São Gabriel de Futebol. A camiseta verde unificava os gabrielenses, antes divididos entre o amarelo do Cruzeiro e o vermelho do Gabrielense. 
O futebol tem esse poder, é capaz de envolver toda uma cidade num projeto comum, principalmente se for uma pequena comunidade do interior. O dicionário explica um pouco mais o significado da palavra “associação”: reunião de pessoas para um fim comum, comunidade, conexão.
Diretores da Chapecoense fundaram o clube para fugir da invasão de Grêmio e Internacional. Queriam ter cara própria, ter as próprias conquistas. Queriam ter um time para chamar de seu. Conseguiram.
Com organização, seriedade e muita, muita paixão, incendiaram a pacata cidade do Oeste catarinense. Primeiro, conquistaram um lugar no competitivo futebol brasileiro. Agora, preparavam-se para conquistar a América.
E se Danilo não tivesse defendido aquela bola no último minuto? Melhor não pensar. Melhor pensar no que aconteceu de bom. Aquele time guerreiro deixou frutos. O maior deles: a cidade descobriu que pode construir um time para enfrentar e derrotar os grandes. Com a ajuda de outros clubes, que já demonstram a sua solidariedade, deve permanecer entre os grandes por muito tempo.
E que a semente plantada pela “Chape” possa florescer na Fronteira Oeste do Rio Grande – mais uma coincidência – nas bandas do Vacacaí. Eles já tem um mascote, o índio Condá. O nosso pode ser o Sepé.
E descubro agora, na chegada dos corpos daquele lendário time, como os moradores de Chapecó chamam o seu clube. Não é “Chapecoense”, não é “Chape”, é “Associação”.
15300483_10211427803001386_992779909_nAUGUSTO SOLANO LOPES COSTA. Jornalista, radialista, advogado e torcedor do S.C. Internacional.
De repente do riso fez-se o pranto. Silencioso e branco como a bruma. E das bocas unidas fez-se a espuma. E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento. Que dos olhos desfez a última chama. ((Vinicius de Moraes – Soneto da Separação)
Nem o talento e a poesia de Vinicius de Moraes são capazes de aplacar este imenso vazio que resulta desta tragédia acontecida com os jogadores, dirigentes, comissão técnica da Chapecoense e com os 21 jornalistas, que foram vítimas do resultado de uma ganância própria do ser humano. 
Recuso-me a falar em acidente, pois foram expostos ao risco de uma mentalidade que pensou primeiro no lucro.
O impacto imediato deste fato não nos permite a dimensão exata dele ao longo do tempo que virá. Ainda entorpecido pela notícia a gente procura explicações. É uma sensação inusitada de ausências de quem não estava no nosso convívio, mas mesmo assim são ausências sentidas. 
Coloca-se no lugar dos que ficaram famílias inteiras atingidas; poderia ser qualquer um de nós. Um time pequeno com uma curta história e de notável crescimento, a “Chape” era um pouco do Brasil que queremos, superando os gigantes e com crescimento organizado, se fazendo notar num cenário complicado, com a sua simplicidade aliada a uma honestidade de propósitos. Era o positivo superando e vencendo num cipoal complicado e de negócios não muito claros.
Um clube simpático a todos e que com a simplicidade vinha se impondo. Era sua primeira final internacional, tudo novidade própria de quem desbrava uma floresta desconhecida, uma cidade inteira envolvida, um resgate do romantismo do futebol de ontem, como que dizendo: é possível! Sua trajetória nos dizia que sim.
Ainda que tenuamente vimos a “Chape” vir a São Gabriel disputar o torneio “Cidade de São Gabriel” em duas ocasiões um time com dirigentes simpáticos tipicamente de interior, com a dignidade e disposição próprias de quem vive uma outra situação no mundo fantástico da bola. Como será agora?
Costumamos olhar o mapa da América do Sul vendo o gigante Brasil de costas para a América e olhando para outros continentes. A “Chape” nos mostra que há uma identidade americana, a solidariedade e acolhida da Colômbia. A postura do adversário Atlético Nacional e sua torcida dão exemplos de humanidade, dizem que existe dignidade no Mundo dito globalizado. Isto ganha dimensões mundiais e algum acréscimo em todos no sentimento de humanidade.
Choramos todos, que as lágrimas que escorrem reguem novos sentimentos humanos. Que do pranto se faça o riso, ainda que saudoso E que o Brasil seja realmente Sul-Americano e irmanado aos demais.
15282076_10211427808681528_632782491_nBERALDO LOPES FIGUEIREDO, professor, articulista, desenhista, desportista e torcedor do Grêmio Portoalegrense.
Poxa pecou, qual pecado para merecer tamanha tragédia, no qual ceifou vidas, engoliu sonhos e jogou tudo numa força medonha, numa montanha mortal, que morte terrível, tão terrível que penetrou no coração do mundo, torceu, apertou espremeu tanto que rios de lágrimas tomaram conta de gente que se tornou mais gente, que lição foi essa, que o destino frio implacável invadiu as casas das pessoas trazendo uma dor descontrolada, amargurada.
Poxa pecou, qual foi o pecado, porque primeiro ela conquistou com sua simplicidade, competência, sua humildade, para depois se iludir num sonho tão lindo e morreu na escuridão, na chuva e foi jogada no calombo da Colômbia, no frio, no escuro, na sombria mata testemunhas de gritos, gemidos, dor, sangue, morte, morte real morte de sonhos.
Meu Deus, ainda precisamos da DOR para sabermos que somos todos iguais, ainda precisamos do insólito para despertar um amor que nos faz chorar por almas desconhecidas. Oh! Santa Catarina onde tu estavas, teus filhos se foram ou tinha que ser assim, para que o mundo ainda despertasse , para que homens e mulheres com olhos marejados, coração apertado, de repente se tornaram também SANTOS HUMANOS, ao chorar pela dor alheia.
Adeus time da Chapecoense, os espíritos daqueles corpos, pegaram outro avião, um avião diferente, que atravessa dimensões, irão jogar noutro torneio, numa primeira divisão de outro mundo, com certeza serão campeões, porque aqui eles tem uma torcida maior, ela ocupa mil estádios, são milhões que dizem: SOU CHAPECOENSE.
15300724_10211427806201466_1952735873_nMARCEL DA COHAB, advogado, carnavalesco, desportista e torcedor do Internacional.
Uma tragédia dessas repercute e até certo ponto, ela torna nosso dia nebuloso, meio pesado quando vemos na mídia. Não é pela fama das pessoas, mas por você acompanhá-las, quase que diariamente na sua distração de ver televisão. 
Denner, Tiego e Biteco do Grêmio. Polmann do Juventude. Kempes de vários times do interior do Rio Grande do Sul. Alan Ruschel e Josimar do Internacional. Anderson Paixão do Inter. Caio Júnior jogou na dupla e treinou o Grêmio, além de outras equipes grandes do Brasil.
Vitorino Chermont, da Globo, Sportv e agora Fox. Mário Sérgio jogou muito na dupla e treinou o Inter. Gostava de seus comentários. Há poucos dias tinha dito aqui que o preferia para treinar o Inter.
São pessoas que a gente vê no futebol, torce por eles, contra eles, etc. Ananias fez o primeiro gol da Arena Palmeiras. Cléber Santana, jogador técnico de meio campo. Bruno Rangel, goleador. Jogadores que se encaixariam bem em outras grandes equipes. Mas acima de tudo, pessoas, pais de família, maridos, filhos…
Há uma semana falei do exemplo de gestão da Chapecoense. Não torcia para eles, até pelos últimos “laçaços” que deram no meu time. Mas não torcer não é querer o mal. É até uma forma de respeito.
Ouvi o Paulo Paixão falar na Gaúcha na manhã do acidente, posteriormente ao fato. Ele já perdeu o segundo filho e o pior, aniversário do seu neto, filho do filho. Isso me choca, pois além de tudo conheci o Paulo Paixão aqui em São Gabriel. Típico carioca boa praça, sambista, bom de papo, falamos um tempão sobre carnaval e é o tipo de cara com quem se conversa dez minutos e parece que é amigo há anos.
E mesmo que não o fosse, ele perdeu o segundo filho de forma prematura no dia do aniversário do neto e foi para a rádio falar em vontade de Deus, em agradecer pelos filhos que teve, em aproveitar a vida e os bons valores.
Uma tragédia por si só já nos toca. Pode ser com desconhecidos, com quem você nunca viu. Mas neste caso, sentimos como se fosse com gente próxima da gente, pois eram atletas, profissionais, jornalistas, pessoas que acompanhamos diariamente nos jornais, televisão e internet. Muito triste tudo isso.
Mas como tudo na vida fica uma lição. Lição de sermos sempre boas pessoas, de amarmos ao próximo, de nunca deixarmos as coisas para amanhã e o que fica como legado é nossa conduta, nosso caráter, nossa história de vida.
A “Chape” vai precisar de uns três ou quatro anos, no mínimo, para se reerguer. E só a comunidade de lá poderá ser o alicerce disso. Não adianta ajuda externa apenas. Se o povo souber a força que tem e transformar todo o seu sentimento em superação, obviamente que este fato jamais será esquecido, mas poderá recolocar o clube onde ele se encontrava até então.
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JOSÉ BINA, narrador de futebol e torcedor do S.C. Internacional, de Porto Alegre. 
Texto publicado em sua página no Facebook e devidamente autorizada sua repetição aqui.
Cerca de 30 anos atrás, período de ouro das principais rádios de nossa cidade, São Gabriel e Batoví, na área do Esporte, já trabalhando como repórter esportivo e tendo ao lado, uma grande equipe formada por excelentes narradores, onde destaco Luiz Alberto Vargas, Glauco Vezzani, Odilon Ramos e ultimamente, Jorge Baltar, fazíamos coberturas de jogos importantes como Copa do Brasil, Libertadores, Seleção Brasileira e Campeonato Gaúcho.
Numa dessas andanças pelos gramados, tive a oportunidade de entrevistar Mário Sérgio, na época jogador do Internacional, e Victorino Chermont, da Bandeirante e que hoje se encontrava na Fox.
Mário Sérgio e Victorino morreram no acidente de avião onde estava também a delegação da Chapecoense. Guardo, com muito carinho, aquele momento. Uma pena!
15281872_10211427811641602_1372959435_nJOÃO ALFREDO REVERBEL BENTO PEREIRA – Advogado, colunista do “Jornal da Cidade”, desportista e torcedor do Grêmio Portoalegrense.
O Nilo Dias, meu amigo, pediu uma manifestação sobre a tragédia que vitimou o time inteiro da Chapecoense e vários integrantes da imprensa escrita e falada de nosso país. A missão não é entusiasmante, mas vamos lá.
Desde logo, avultam dois fatos significativos que se contrapõem e, lamentavelmente, se completam. Em primeiro, a mistura de ganância, imprevidência e irresponsabilidade. Em segundo, a solidariedade das pessoas, mostrando e demonstrando que vivemos num único mundo. É prematuro afirmar qualquer coisa, a não ser conjecturar.
A autonomia de voo da aeronave era de 3.000 quilômetros, praticamente a mesma entre a decolagem e o aeroporto de destino. Onde a reserva técnica de combustível? Nessa época, na Colômbia, chove bastante e os temporais são frequentes.
A existência de emergência, num voo comercial de outra empresa, fez com que a aeronave sobrevoasse a pista e desse uma larga volta para, aí sim, poder aterrisar. A fadiga da tripulação e por aí vai. Já se disse que as tragédias aéreas nunca ocorrem por um único motivo, mas por situações adversas concorrentes e que se somam.
E aconteceu o pior. Por outro lado, é emocionante ver a solidariedade de todo o mundo, literalmente, envolvendo clubes de futebol, entidades as mais diversas, governos e população em geral. Toda essa onda de solidariedade apenas comprova que nem tudo está perdido e que ainda há salvação.
De lamentar, apenas, a morte de tanta gente para demonstrar isso. Na verdade, numa ocasião dessas, somos um só. Por isso, ainda acredito no porvir. Não tenho palavras para consolar ninguém, até porque, tudo o que se disser, não pode apagar uma dor dessa magnitude. Lamento profundamente.
15328303_10211427816201716_1334207511_nLUCIANA CARVALHO. Jornalista e professora adjunta na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) , Campus de Frederico Westphalen, onde reside atualmente. 
Um dos maiores mitos acerca da profissão de jornalista diz respeito à crença de que quem trabalha com notícia deve ser um observador/narrador neutro, imparcial. 
Nas faculdades de Jornalismo, nos primeiros semestres, aprendemos que uma boa notícia se faz com o lide (o primeiro parágrafo que responde às perguntas “quem? o quê? onde? como? quando? e por quê?”) e a técnica da pirâmide invertida (pela qual os fatos são relatados do mais para o menos importante).
Mesmo após passarmos pelas disciplinas mais teóricas, as quais nos mostram – por meio das ciências da linguagem e da filosofia – que não existe neutralidade, continuamos acreditando que nosso papel é construir relatos isentos de qualquer paixão. Mas, não somos apenas nós, jornalistas, os culpados pela reprodução do mito da objetividade.
A sociedade, quando percebe que as notícias são parciais (apenas parte da realidade, mesmo quando construídas com profissionalismo e seriedade), nos cobra que sejamos isentos. Embora possamos diferenciar, com argumentos bem sustentados, as diferenças entre isenção, neutralidade, imparcialidade e objetividade, no fundo todas essas condições são mera utopia.
Podemos e devemos ser honestos, plurais, inclusivos e justos na produção das notícias, mas nunca alcançaremos o real em sua complexidade, pois ele só nos é alcançável por meio da linguagem, caracterizada por sua incompletude.
Um dos elementos desse mito da objetividade é o controle da emoção. Faz parte do imaginário coletivo ao redor do modelo hegemônico do jornalismo informativo a ideia que o jornalista deve controlar suas paixões, impressões, ideologias e sentimentos. É esse ideário que sustenta a maior parte das críticas ao sensacionalismo da mídia.
Ao mesmo tempo em que apontam o dedo contra os repórteres que apelam em excesso para a emoção, muitos desses críticos são os mesmos a compartilhar imagens de crianças doentes e animais mutilados em suas redes sociais na internet.
Não se trata aqui de defender a exploração da dor alheia, postura que deve sempre ser rechaçada, mas de refletir sobre o que diferencia os jornalistas dos demais quando estamos diante de uma tragédia.
O acidente com o avião que dizimou mais de 70 vidas humanas, na última semana, trouxe à tona situações muito semelhantes às vivenciadas em 2013, quando da tragédia da Boate Kiss. Jornalistas, familiares, amigos, todos ficamos mais uma vez diante da nossa pequenez humana. É a morte e sua capacidade de unir.
Nessas horas, onde fica a tal objetividade na cobertura da imprensa? Como cobrar frieza de jornalistas? Uma mãe que perdeu o filho se compadece, diante das câmeras, com a dor de um repórter que perdeu amigos na tragédia, e nos faz lembrar que jornalista também chora.
A cobertura da tragédia com o Chapecoense teve de tudo: informações mal ou bem apuradas, repórter abordando familiares com perguntas clichê, jornalista gravando funeral com celular e sem qualquer bom senso, homenagens emocionantes, imagens desnecessárias do local da queda da aeronave, site usando a tragédia para atrair cliques e perdendo likes em massa como forma de protesto.
Com meus quase 20 anos de profissão, tive a sorte de nunca realizar uma cobertura tão dolorosa como essas que meus colegas hoje realizam, mas também cometi alguns erros. É preciso, sim, criticar a mídia, para melhorá-la. Antes de tudo, no entanto, devemos ter em mente que jornalista é uma pessoa como outra qualquer. Trabalha sob pressão, sofre, chora, acerta e erra.
Diante da dor de tanta gente em momentos de catástrofes e acidentes, não tem manual de jornalismo que dê conta. Só nossa humanidade é capaz de nos levar a uma cobertura na medida certa, que informe, emocione, mas não explore a dor alheia.
15328384_10211427826561975_596693408_nHELENICE TRINDADE DE OLIVEIRA. Advogada, radialista, contista e torcedora do Internacional. 
A tragédia e a injustiça do futebol nos anos 60 
In memoriam de Ilo Nunes de Oliveira
Por intensa militância no futebol meu pai ocupou uma posição muito especial na pequena cidade onde vivia. Ocupava os seus dias no empenho consciente e convicto de que o esporte favorecia uma vida mais saudável com companheirismo na disputa generosa entre os jogadores.
Para os jogadores os times eram suas famílias e a integração social que ele produzia era o deslanche que muitos jovens periféricos precisavam. Pequenas mudanças ocorriam na vida daqueles atletas interioranos e o pagamento que recebiam invariavelmente vinha da prefeitura local ou dos engenhos de arroz que empregavam quase todos. Alguns mecenas futebolistas se encarregavam de premiar o jogador artilheiro.
Nunca soube explicar as razões que muitas vezes fui ao estádio de futebol nos dias que meu pai treinava seu time, sei dizer que seus ensinamentos eram baseados em histórias reais e práticas. Os jogadores sabiam que alguma espécie de rito deveria se dar depois daqueles jogos, submetidos a ilusão juvenil que um dia seriam Garrincha ou Pelé pela capacidade técnica.
Pelo menos ali, no campo que jogavam diluíam as dificuldades de localizar seus destinos, pois a vida bruta já oferecia a grande maioria responsabilidades com a família. Laterais e meio-campistas, atacantes ou zagueiros sonhavam jogar no Santos, Internacional ou no Grêmio. Quando despertavam a paisagem era sempre a mesma.
As ideias e os afetos se embaralhavam e muitos não souberam partir. Pelos caminhos foram se resignando na aprendizagem de que a estrada que se abria aos seus olhos era a única disponível desde o dia que nasceram e se arrastavam entre as cinzas dos sonhos não realizados.
A minha infância foi povoada por nomes que nos domingos espichados e tediosos eu ouvia na rádio ditos pelo meu pai, como comentarista esportivo ou como treinador explicando a derrota ou vitória. Ele tinha o direito a solidariedade. Fui decorando nomes e fisionomias.
O Muquica, Boneval, Castelhano, Sapinho, Canjica, etc … O Canjica foi o que mais depositei na memória, seu sorriso, sua negritude e do tamanho do seu desaparecimento como jogador, o alcoolismo que ocupou os seus dias matou a sua estrada.
A morte anunciada de um jogador de futebol pelo uso do álcool acontecia pela ausência de regras formais sobre o consumo, a evidente depressão e cansaço de uma brutal ressaca antes das partidas. Concentrar antes dos jogos nem sempre era possível, meu pai organizava o sono dos jogadores para que nenhuma amnésia alcoólica atrapalhasse a partida do dia seguinte.
Ele repetia com convicção que assim a vitória seria possível. Contudo a tragédia já se instalara desaparecendo para muitos a possibilidade entre o ruim e o perdoável.
Uma coisa era certa os jogadores adoeciam pelo uso do álcool, deprimiam pela falta de capacidade física e pela alimentação deficiente como se comprova nos dias atuais.
Recomeçavam a contagem e as contratações a cada campeonato e o silêncio se instalava sobre as perdas, resvala para os não contratados e sobre a miséria de entrar num copo e afogar tristezas. Sem tratamento adequado alguns pareciam não esperar por nada.
A dor do confronto social, da arrogância da classe dominante da época e a inexistência de amparo para aquele sofrimento compartilhado somente por algumas famílias se misturava na mais decidida ignorância.
O abismo da hora, o esgotamento do sonho da fama destruído foi o mais difícil e decisivo itinerário que alguns jogadores treinados pelo meu pai viveram. A injustiça, a dor e as crenças culturais escondidas nos atalhos silenciosos das vidas daqueles homens que andaram na estrada para serem vistos e nunca conseguiram foram trágicas.
Depois desses anos todos, quando tomei conhecimento da queda do avião do time do Chapecoense com mortos e sobreviventes, imaginei estar no estádio com meu pai.
A medida que eu espreito as notícias da tragédia e as comparo com vidas que conheci, vou refazendo as conclusões, para finalmente entender que o inesperado se confrontou com os argumentos da morte fechando uma estrada que só permitiu a passagem de alguns, para os sobreviventes o universo atapetou um outro caminho como fez com alguns jogadores que foram treinados pelo pai que sobreviveram a depressão, o alcoolismo e a pobreza.

“Mens Sana in Corpore Sano”, beijo papai!
(Por Nilo Dias - Matéria publicada no jornal "O Fato", de São Gabriel-RS, edição de 10 de dezembro de 2016)