sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O grande "Chicão"

Cândido Francisco Silva de Campos, o popular “Chicão”, nasceu em São Gabriel no dia 9 de março de 1940. Desde cedo, mostrou sua paixão pelo futebol. Jogou como lateral-direito no Olaria F.C., tradicional equipe amadora da cidade. Depois, vestiu a camisa do Oriente F.C., o “Leopardão” da Vila Maria.

Quando deixou os gramados, foi nomeado delegado local da antiga Federação Rio Grandense de Futebol (FRGF), hoje Federação Gaúcha de Futebol (FGF), cargo que ocupou por longos 35 anos. Paralelamente, foi conselheiro da S.E.R. São Gabriel. Nos últimos anos, foi presidente do Conselho Deliberativo do São Gabriel F.C.

"Chicão" é casado com dona Luiza Maria, de cuja união nasceu a filha Maria Fabiana. Funcionário da Câmara de Vereadores há vários anos, agora aposentado, "Chicão" recebeu uma justa homenagem quando completou 25 anos de Casa. Foi o destaque esportivo de São Gabriel em 2009, e condecorado pela Câmara de Vereadores com o título de “Gabrielense Emérito”.

Não é só no futebol que "Chicão" se destaca. Carnavalesco apaixonado presidiu a "Escola de Samba vai Mesmo", uma das mais populares da cidade. Também foi presidente do antigo Clube 7 de Setembro e é membro efetivo da Sociedade Artística Gabrielense.

Time do Olaria Futebol Clube, sem identificação. Se alguem souber o ano e os nomes dos jogadores, por favor ajude, informando. Desde já agradeço. (Foto: Página de Cândido Francisco de Silva Campos no Facebook)

"Chicão" e um atleta do Olaria, sm identificação, com as faixas de campeões, (Foto: Página de Cândido Francisco de Silva Campos no Facebook)

"Chicão" pronto para o desfile da "Escola de Samba Vai Mesmo".  (Foto: Página de Cândido Francisco de Silva Campos no Facebook) 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

São Gabriel em 1922

São Gabriel em 1922 contava com nove ruas longitudinais e oito transversais. As principais vias públicas da cidade eram:  Barão de São Gabriel, Forte de Caxias, João Manoel, Coronel Tristão Pinto, Coronel Soares, Andrade Neves, Coronel Sezefredo, General Mallet, Laurindo Nunes e Praça Fernando Abbott.

Em 1886 a cidade de São Gabriel contava com 496 prédios; em 1897, 597; em 1900, 695; em 1912, 865; em 1913, 961; em 1917, 1.236; em 1918, 1.344 e em 1921, 1.360. A população urbana e suburbana somava 13.350 pessoas, segundo o último recenseamento.

A cidade contava com cinco praças, sendo três delas arborizadas e a avenida Doutor Júlio de Castilhos. As ruas eram amplas, bem alinhadas e cuidadas, sendo 12 calçadas a pedra. Possuíam bons passeios de laje e mosaico, sendo algumas arborizadas.

A edificação, no geral era boa, apresentando a cidade agradável aspecto, e sendo bastante movimentada. A iluminação pública e particular já era elétrica, fornecida por empresa particular.

Dentre os edifícios públicos e particulares destacavam-se os seguintes: Igreja Matriz, Casa de Caridade, Collégio Elementar, Collégio das Freiras, Quartel do Exército, Estação Férrea, Banco Pelotense, residências dos senhores Zeno de Castro, Ricardo Bicca Filho, Sebastião Menna Barreto, Jacob Olympio de Lima, João Pedro Nunes, Franklin Lima, coronel Francisco Hermenegildo da Silva, dona Corina Menna Barreto de Azambuja,  Olympio Farias Estrázulas, Heitor Brandão, Antônio Macedo, João Baptista Chagas, José Narciso Antunes, doutor Tito Prates da Silva, Victor Pires, Alfredo Faria Corrêa, doutores Camillo Mércio e Fernando Abbott, Casino Gabrielense, União Caixeiral, Coliseu, etc.

A Intendência Municipal, era o principal edifício da cidade, tendo custado 400 contos de réis. (Fonte: Livro, "O Rio Grande do Sul", de Alfredo R. da Costa)

Quartel do 3º Regimento de Artilharia e Quartel General da 3ª Brigada de Artilharia. (Foto: Livro, "O Rio Grande do Sul", de Alfredo R. da Costa)

Santa Casa e cemotério em 1922. (Foto: Livro, "O Rio Grande do Sul", de Alfredo R. da Costa)

Igreja Matriz. (Foto: Livro, "O Rio Grande do Sul", de Alfredo R. da Costa)


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Visita a São Gabriel

Recentemente os irmãos jornalistas Lúcio e Mariúza Vaz estiveram em visita a São Gabriel. Mariuza foi a localidade de Passo do Ivo, onde nasceu, depois de 50 anos. Visitaram parentes e amigos e Lúcio matou a saudade de um bom churrasco de ovelha. Já Mariuza abandonou o hábito de comer carne já há algum tempo. (Fotos: Júlia Vaz)

Lúcio e Mariuza no Passo do Ivo.

Lúcio em visita aos tios Téo e Olavo em Ponta dos Salsos.

Lúcio e os tios Téo e Olavo, preparando um churrasco de ovelha.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Uma história que parece lenda (Final)

A primeira visita a Pedras Altas em 1910 foi a do tenente Mário de Sá, redator do jornal “O Comércio”, de São Gabriel, tido por Assis Brasil na conta de brilhante escritor.

Reformando-se ainda como tenente, Mário de Sá radicou-se em Porto Alegre, em cuja imprensa militou, alcançando renome como polemista. Terminou seus dias na redação do “Correio do Povo”, como editorialista de forma escorreita e estilo castigado.

Em 24 de fevereiro de 2008 tiveram início as obras do castelo, com os trabalhos de escavações. Em 14 de dezembro foi lançada a pedra fundamental. O projeto foi traçado pelo próprio Assis Brasil.

Os primeiros animais vacuns adquiridos por Assis Brasil, com vistas a incorporá-los a uma granja-modelo, como seria a de Pedras Altas, foram da raça Jersey. Em 1895, quando era ministro plenipotenciário em Lisboa adquiriu duas vacas Jersey, na Inglaterra, que pertenciam ao plantel da Rainha Vitória.

Mantidas inicialmente em Portugal, foram levadas para Ibirapuitã e, posteriormente, para Pedras Altas, onde constituíram a base do plantel ali formado.

Os cavalos criados por Assis Brasil só corriam em seu nome quando não havia comprador. Infenso a disputar prêmios nos hipódromos, também o era às apostas em corridas. Concentrava na criação dos animais todo o seu interesse pelo puro sangue inglês.

E o fazia movido pela ideia de que era indispensável, até por imperativo de segurança nacional, melhorar a qualidade do cavalo crioulo, através de cruzamentos com o árabe e o inglês de corrida.

Fundado na Estância do Ibirapuitã, o seu haras foi transferido para Pedras Altas e, posteriormente, localizado na Estância de Itaiaçu, estabelecimento por ele adquirido no município de Uruguaiana.

INTRODUTOR DO DEVON NO BRASIL

Foi também Assis Brasil que introduziu no Brasil o gado Devon. Este era originário da Cabanha Loraine, instalada em Paisandu, no Uruguai, pelo inglês J.G. French, que ali viveu e trabalhou por mais de 30 anos.

Era um grande estancieiro. Seu estabelecimento, contava com 3.500 reses Devon, a maioria puras por cruza e muitas de pedigree, subdividiam-se em 28 potreiros.

Depois de adquirir os primeiros animais Devon para Pedras Altas, Assis Brasil partiu para importações diretas da Inglaterra, berço da raça. O dono de Pedras Altas acumulou a experiência de criar gado Devon em larga escala.

E dizia que se tratava da mais antiga de todas as raças aperfeiçoadas do mundo, considerando-se estabelecida definitivamente há mais de 500 anos.

Outros importantes criadores de gado Devon, desde os primeiros tempos: Rafael Barcelos Gonçalves, de Rosário; José de Assis Brasil, de São Gabriel; Visconde Ribeiro de Magalhães, de Bagé; Nicolau Kroef, de São Sebastião do Cai e Luiz Dutra, de Bom Jesus.

Foi também Assis Brasil que trouxe as primeiras ovelhas da raça “Karakul”, para o Brasil.

Em 30 de junho de 1913 foram realizados o primeiro almoço e também jantar da família no Castelo, com a presença do casal Pedro Osório. Nessa data também, além do castelo propriamente dito, foi inaugurada a adega, com verdadeiras preciosidades, entre as quais um “Xerez”, de 1895 e um “Napoleon”, conservado em velho casco, atribuído a safra de 1694. Ainda havia garrafas centenárias de vinhos “Mariscal Sucre” e “Pitt”.

Grande conferencista, Assis Brasil colheu um dos maiores êxitos de sua vida pública ao falar sobre “Idéia de Pátria”, no Teatro Municipal de São Paulo, a 22 de setembro de 1917, atendendo convite da Liga de Defesa Nacional.

Em 1914, Assis Brasil esteve em São Gabriel, onde ficou por dois dias. Aproveitou para visitar a “Estância do Trilha”, fundada pelo seu mano João. Foi nessa casa, cedida pelo proprietário, que se instalou o primeiro clube republicano do município.

Em 21 de agosto de 1915 Assis Brasil procedeu a arborização da antiga Praça São Luiz, em São Gabriel, que depois teve o nome mudado para 15 de Novembro.  O trabalho encerrou dia 23 e as mudas foram plantadas pessoalmente pelos sobrinhos Ptolomeu, José e Leônidas.

Diversas pessoas do lugar, inclusive o chefe político Fernando Abbott e o intendente Francisco Menna Barreto, também ajudaram no trabalho de arborização, plantando numerosas mudas por suas mãos. Foram plantadas diversas espécies, exóticas e nativas, inclusive quatro pés de angico e quatro de carvalho.

UM GRAVE INCIDENTE

Em 3 de março de 1916 deu-se um grave incidente, quando Francisco, filho de Assis Brasil, desobedecendo ordem formal do pai, retirou uma arma de um armário e esta disparou, acidentalmente atingindo o amigo João Menditeguy.

A bala deu em cheio na base do pescoço, na abertura do esterno. Por um milagre não ofendeu nenhuma artéria. Estava na Granja, naquele dia, o médico doutor Pedro Osório que fez os necessários curativos. Depois de consultas com outros profissionais, o ferido ficou são.

Percival Farqhuar o riquíssimo proprietário de estradas de ferro, nas duas primeiras décadas do século, ao visitar a sala de Armas do Castelo de Pedras Altas em 1916 perguntou a Assis Brasil: “Por que tinha tanto armamento”. Assis Brasil respondeu-lhe sobranceiramente: “tinha muitos inimigos”.

Em 1924, tendo surgido um movimento revolucionário, exilou-se no Uruguai. Em 1927 os sufrágios de seus correligionários o elegeram deputado federal. Nesse mesmo ano teve participação destacada na fundação do Partido Democrático Nacional.

Em 1928, com Raul Pilla, fundou o Partido Libertador. Em 1929, o presidente Washington Luís pretendeu impor a candidatura de Júlio Prestes para a sucessão presidencial.

Assis Brasil aconselhou o Partido Libertador a cerrar fileiras em torno de Getúlio Vargas, então Presidente do Estado, que se opunha ao candidato oficial e prometera aceitar o voto secreto se eleito presidente.

Em 1930 Washington Luís foi deposto e Getúlio Vargas assumiu o poder como Chefe do Governo Provisório, do qual Assis Brasil fez parte como Ministro da Agricultura, cargo ao qual renunciou em protesto contra o empastelamento do jornal “Diário Carioca”, por pessoas ligadas ao tenentismo.

Em 1932, foi o grande idealizador do Código Eleitoral, baseado em sua obra “Democracia Representativa: do voto e do modo de votar”. Neste código está a primeira menção à urna eletrônica, quando ele levantou a hipótese da utilização de uma máquina de votar.

Em 1934 foi em missão especial a Buenos Aires, para ocupar a Embaixada do Brasil, acéfala desde o movimento revolucionário argentino de 1930, por não haver o presidente Washington Luís reconhecido o governo do General Uriburú.

Assis Brasil disse a Mem de Sá sobre a repartição de cargos e ministérios na Revolução de 1930: "Menino, todo homem tem seu preço. O venal se deixa comprar por dinheiro. O meu preço é o Código Eleitoral. E como vale mais a pena ladrar dentro de casa do que fora dela, aceito o ministério".

Suas últimas participações em conferências internacionais foram a chefia da “Delegação Brasileira à Conferência Econômica Preliminar”, em Washington, e à “Conferência Monetária e Econômica Mundial de 1933”, em Londres.

Em 1933 foi eleito deputado à Assembleia Constituinte. E retribuiu a visita que o Príncipe de Gales fizera ao Brasil. Ao retornar, resignou a todos os cargos oficiais e voltou à vida do campo, que sempre preferiu a tudo o mais.

A MORTE DE ASSIS BRASIL

Em agosto de 1938 adoeceu em consequência de uma gripe. O seu coração, de 80 anos, não resistiu. Na noite de 24 de dezembro, no Castelo de Pedras Altas, fechou para sempre os olhos, com a consciência tranquila de haver cumprido o seu dever e trabalhado pela glória da pátria, realizando na vida o que afirmou em um dos seus mais brilhantes manifestos.

Seu corpo descansa no local denominado “Boa Viagem”, cemitério particular localizado nos fundos do castelo. Lá também estão sepultadas à esposa Lídia e as filhas Cecília e Joaquina.

Pedras Altas resiste até hoje. Cercado por parreirais, o castelo, com 44 cômodos, 12 lareiras, torre com ameias e mais de 100 anos de história, construído como uma declaração de amor à mulher amada, agora enfrenta uma dura batalha contra o tempo e o vento.

Há um século, os trens que ligavam as cidades do oeste gaúcho, Bagé, por exemplo, aos portos de Rio Grande e Pelotas paravam em frente ao Castelo de Pedras Altas, mesmo que não houvesse passageiros para subir ou descer.

Isso, para o embarque de pacotes com a produção da Granja de Pedras Altas. Eram queijos, manteiga, doces e frutas secas. E lã de ovelha. E banha de porco.

Frequentemente, saíam dali vagões lotados de animais das raças Devon, Jersey, Karakul, Ideal e puro-sangue inglês, todos vendidos como matrizes, jamais como carne para açougue.

Foi nesse lugar ermo, a 20 km da fronteira com o Uruguai, que o legendário Assis Brasil tentou provar o que havia aprendido em suas visitas a fazendas dos Estados Unidos e da Europa, onde atuou como embaixador do Brasil na virada para o século XX.

Ele quis demonstrar que em uma pequena área bem manejada se poderia obter resultados melhores do que nas tradicionais estâncias gaúchas onde o gado era criado ao Deus-dará, como no tempo dos Jesuítas.

No piso da entrada do jardim do castelo de Pedras Altas, Assis Brasil mandou gravar na pedra a seguinte quadra de sua autoria:

Bem-vindo à mansão que encerra
Dura lida e doce calma.
O arado que educa a terra.
O livro que amanha a alma.

O projeto andou enquanto Assis Brasil viveu, sempre cercado de amigos, clientes, políticos e admiradores. Inimigos? Não os teve. Quando muito arranjou adversários, a quem enfrentava exclusivamente na palavra, sem jamais recorrer às armas, que só usava para se exibir – era excelente atirador.

Metido no meio dos caudilhos, consagrou-se como “chefe civil da revolução”, movida pelos maragatos contra o chefe chimango Antônio Augusto Borges de Medeiros, “o eterno presidente” do Rio Grande do Sul entre 1898 e 1927.

O ex-senador Paulo Brossard, que descreveu Assis Brasil em livro, resumiu-lhe o caráter e o estilo em uma única palavra: “cavaqueador”. Assis era um conversador profissional, dava um boi para entrar em uma polêmica; e uma boiada para não sair dela.

A “CACHAÇA” DE ASSIS BRASIL

A luta pelo poder foi sua “cachaça”, sua glória e sua perdição: ao entrar em paradas políticas que mais de uma vez o levaram ao exílio, ele comprometeu o futuro do seu empreendimento que, além de objetivos rurais, tinha pretensões culturais.

Quando morreu, na noite de Natal de 1938, Assis Brasil deixou dívidas que nos anos seguintes exigiram a venda de outras propriedades das quais a família tirava renda para ajudar a sustentar o sonho de autossuficiência da sua granja.

Reduzido a 170 hectares (metade da área original), o projeto seguiu em pé, mas expurgado de fantasias destruídas pelo tempo e o vento. Dos pomares, por exemplo, restaram alguns vestígios, como pereiras gigantescas e o suporte das videiras.

Entretanto, em uma confirmação de que o fundador tinha razão quanto às propriedades do solo e do clima para a fruticultura de clima temperado, nos arredores de Pedras Altas começaram a aparecer os vinhedos implantados por empresários da região de Bento Gonçalves, a capital do vinho gaúcho.

O DIÁRIO DE CECÍLIA

O dia-a-dia de Pedras Altas não foi contado apenas por Assis Brasil. Sua filha Cecília, também redigiu um diário. Numa época marcada por sabres ensanguentados, botas embarradas e relinchos de cavalos, a jovem, que devorava as poesias do norte-americano Henry Longfellow em inglês e ouvia sinfonias de Ludwig van Beethoven na solidão do pampa, registrou o cotidiano e as revoluções do início deste século.

No seu diário, tão preciso quanto sensível, Cecília contou a vida no castelo e as conflagrações entre maragatos (libertadores de lenço vermelho no pescoço) e chimangos (republicanos de lenço branco).

Cecília herdou do pai esse hábito, e por mais de uma década (o primeiro diário conservado é de 1916, mas se sabe que ela começou a escrever antes, e o último, de 1932) manteve também diários com a intenção de informar o pai, que devido a sua intensa vida pública constantemente viajava, o que se passava com a família, não apenas em Pedras Altas, mas também nos outros lugares em que moraram.

Conforme Maria Helena Câmara Bastos, “Além da Granja de Pedras Altas, Cecília escreveu seu diário em Pelotas, Rio Grande, Bagé, Rio de Janeiro e em quatro pequenos estabelecimentos rurais – Chácara Bela Vista, Estância Nova, Coxilha Grande e Berachi”.

Cecília e os irmãos eram muito estimulados, em casa, a ler clássicos da literatura e a aprender línguas. Cecília lia fluentemente em inglês e em francês. A encenação de peças de teatro domésticas, pelos irmãos, também era uma atividade bastante apreciada.

Cecília, de brincadeira, escrevia peças para o divertimento da família, como relatou Joaquina, sua irmã, quando falava sobre o teatro na família:

“Ah! Mas era de brincadeira! Nós apresentávamos até óperas. Fazíamos a “Dama das Camélias”, como sempre! “La Traviata”... Era muito engraçado porque a gente improvisava tudo na hora. Escrevi uma peça em inglês. Há poucos dias ainda a vi lá em cima. Cecília também escrevia. Era só para a gente se entreter”.

Cecília, no entanto, nunca se viu como escritora. Seus diários chegaram até nós em 1983, quase 50 anos após sua morte, por iniciativa de Carlos Reverbel, que pediu autorização da família Assis Brasil para selecionar as passagens que considerasse
Interessantes, “em função do próprio conteúdo”.

Primeira filha do segundo casamento de Joaquim Francisco de Assis Brasil, Cecília era diferente da maioria das moças da virada do século. Ela nasceu em Washington, a 26 de maio de 1899, quando Assis Brasil era embaixador nos Estados Unidos.

Morreu aos 35 anos, solteira, fulminada por um raio quando cavalgava nas proximidades do castelo de Pedras Altas. Era uma mulher de olhos morenos arrebatadores, mãos delicadas, feições suaves e um sorriso compreensivo. Cecília amava os cavalos e o seu morreu junto com ela.

Joaquim Francisco de Assis Brasil escreveu a um amigo sobre a
trágica morte da filha dileta, Cecília, vitimada por um raio num dia de tempestade em Pedras Altas:

Antes de tudo, deixe-me agradecer-lhe cordialmente, também em nome de Lídia e nossos filhos, sua demonstração de simpatia com nossa indizível dor. Perdemos uma filha que mereceria o título de “predileta”, se não fosse para nós um dogma a igualdade do afeto dispensado a todos os filhos. E de que nós a perdemos! [...].

Nada poderá consolar-nos desta perda. Apenas nos esforçamos por considerar uma felicidade ela haver sido poupada de qualquer sofrimento ou de deficiência física causada por doença, ela que tanto merecia gozar da vida.

Eu comprei o livro “O Diário de Cecília Assis Brasil”, também escrito por Carlos Reverbel. Não vou esmiuçá-lo aqui, como fiz agora, com o diário de seu pai, porque as histórias muitas vezes se repetem.

UMA ATRAÇÃO TURÍSTICA

O Castelo é uma das principais atrações turísticas de Pedras Altas, que inclui uma visita dentro da propriedade. Joaquim Francisco de Assis Brasil deixou para a eternidade um acervo histórico para que o visitante possa se inspirar, e se reportar a uma época em que poucos pensavam em empresa rural, com diversificação de atividades, transformação dos produtos primários em derivados, família trabalhando na atividade do campo com cultura, tecnologia e conforto.

Assis Brasil construiu a Granja para que ela fosse visitada e uma visita valesse uma lição de coisas. Ele dizia que em certas ocasiões vale mais um dia de ver do que um ano de ler. As visitas na propriedade devem ser agendadas. Informações: 53 - 6130099 - 6130075 - 81131417.

Imponente por fora na solidez dos granitos rosados, com os torrões medievais parecendo vigiar a solidão dos campos, o castelo de Pedras Altas também impressiona por dentro.

Móveis de madeira maciça, lareira fumegando, estátuas, espadas antigas, relógios que gemem pesadamente e retratos amarelecidos revelam segredos da família de Joaquim Francisco de Assis Brasil e mostram fragmentos da história do Rio Grande do Sul. Entrar na fortaleza é como espiar uma época de sonhos, revoluções e ideais.

Logo no hall de entrada do castelo tem um biombo com aplicações em couro, onde constam assinaturas dos famosos da época, como Bento Gonçalves, Santos Dumont, etc.

A mesa, onde os visitantes assinam o livro de visitas, é a mesma em que foi assinado o término da revolução de 1923.

O arquivo de Assis Brasil permanece no castelo de Pedras Altas, residência do destacado rio-grandense, de 1908 a 1939, ano de seu falecimento.

Parte considerável desse arquivo foi microfilmado, encontrando-se no Gabinete de Pesquisas Históricas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O acervo de Pedras Altas é constituído por inúmeros documentos, nem, todos compulsados pelos pesquisadores.

PATRIMÔNIO DO ESTADO

Erguido entre 1909 e 1913, em estilo medieval, a granja e o castelo foram tombados em 2009 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado.

O tombamento dos bens móveis do castelo inclui uma extensa lista de mobiliário, adornos, esculturas, lustres, louças, pratarias, quadros, tapetes, livros e documentos, entre outros objetos que pertenceram ao líder político Joaquim Francisco de Assis Brasil.

Os espaços contêm mobiliário e objetos de época, trazidos por Assis Brasil principalmente de Lisboa, Paris, Washington e Buenos Aires, locais em que viveu com a família quando exercia atividade diplomática.

Os móveis são todos em madeira maciça e vieram de Paris. Na parede ainda sobrevive intacto, o relógio que pertenceu a Bento Gonçalves.

No castelo até os vidros quebrados tem história. Lembram a época da invasão dos republicanos durante a Revolução Farroupilha. Assis Brasil, ao não deixar que os vidros fossem recolocados, disse: “Todas as casas devem ter suas cicatrizes”. A Biblioteca guarda 15 mil livros, entre clássicos em inglês, francês e latim.

O castelo sempre foi habitado pela família. Hoje é sua neta Lídia, quem toma conta do local, com a ajuda das filhas e de uma funcionária.

Há fotografias de autoridades e personalidades que marcaram o mundo, como o retrato de uma brincadeira entre Assis Brasil e Santos Dumont. Exímio atirador, o diplomata acertou uma maçã colocada sobre a cabeça do “pai da aviação”.

Também é destaque uma peça de bronze que era usada para chamar as pessoas à mesa.

NECESSIDADE DE RESTAURAÇÃO

Em 1923 foi assinado no castelo o “Pacto de Pedras Altas”, que pôs fim à Revolução de 1923. A Granja de Pedras Altas, que além do castelo inclui edificações rurais e áreas abertas como jardins e potreiros, já possui tombamento estadual, por razões históricas, desde 1999. A proteção estadual aos bens móveis existentes no castelo é uma complementação ao tombamento da Granja.

Em outubro de 2009, a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) decidiu arrecadar recursos para a restauração do prédio, estimada em 5,6 milhões de reais. Entretanto, a documentação necessária para obter a verba não foi apresentada e não houve interessados.

Os familiares que ainda moram na Granja dizem que é difícil manter o patrimônio. Por ser tombado, quem tem a preferência de compra são a prefeitura e os governos estadual e federal.

A degradação ameaça o acervo do castelo, que contém uma grande biblioteca, e limita o número de visitantes. Há um projeto para transformá-lo em um centro cultural no futuro.

Manchas escuras ganharam as paredes, como se quisessem desenhar o mapa de um país inexistente. As infiltrações parecem hemorragias que teimam em não ser estancadas, enquanto que o húmus pespega nos metais que adornam as aberturas.

Os torreões se mantêm firmes, tal como verdadeiras sentinelas templárias, mas parece que o velho centenário perdeu a alma. Falta-lhe a vitalidade dos tempos de glória, a azáfama diária de seus moradores.

O advogado e estudioso de história, Fernando Antônio Freitas Malheiro Filho, disse muito bem: E a memória, nesse país de desmemoriados, agoniza com a agonia do castelo, que em seu silêncio ruge e reclama a restauração, a utilização à altura de seu legado.

Espera que aqueles que têm o poder de fazê-lo, realmente o façam como é de sua obrigação: evitar o sepultamento do que há de mais relevante para um povo, sua identidade.

A RBS TV, de Porto Alegre, apresentou até recentemente uma série de programas intitulados “Fazendas e Estâncias”, em que mostrava através de documentários como eram as propriedades rurais do Rio Grande do Sul.

Em novembro de 2005 foi transmitido um capítulo dedicado à Granja de Pedras Altas, falando de sua história e apresentando depoimentos sobre sua construção e histórias ali passadas.

Participaram do programa, por ordem de apresentação, Antônio Vargas, escritor, Lídia Costa Pereira de Assis Brasil, neta de Assis Brasil, Francisco Pinheiro, peão da década de 1970 e Luiz Francisco Pereira de Assis Brasil, bisneto de Assis Brasil. (Pesquisa: Nilo Dias - Publicado no jornal "O Fato", de São Gabriel-RS, em 4 de fevereiro de 2017))

Cemitério da Boa Viagem, onde Assis Brasil está sepultado.
*Amigo Nilo Dias. Li, esta semana, no jornal "O Fato", a reportagem que escreveste sobre Joaquim Francisco de Assis Brasil. Apesar de conhecer, desde criança, relatados por meu pai, alguns episódios da vida desse brilhante gabrielense e, mais tarde, tomar conhecimento de outros fatos, na convivência  com o  doutor Milton Teixeira (uma verdadeira enciclopédia ambulante), foi lendo teu artigo que consegui complementar essas  informações esparsas, e ficar conhecendo um pouco mais sobre a verdadeira participação  de Joaquim Francisco de Assis Brasil, tanto no desenvolvimento  agropequário, como na história do Rio Grande do Sul.

Parabéns, pois, pela excelente reportagem (como todas as de tua autoria, aliás) que muito deve  contribuir para que os gabrielenses conheçam um pouco mais da vida de um dos nossos mais ilustres conterrâneos. Um grande abraço.

Elody Helena Veiga de Menezes
*Caro Amigo Nilo. Foi uma surpresa para mim essa "Canção São Gabriel ". Não a conhecia. Nunca ouvi falar. Mas pelo estilo apurado e belo, pelo  conhecimento que contém da geografia do município, não tenho dúvidas, o autor é o próprio Sylvio de Faria Corrêa.

Não ia publicar uma poesia em uma revista sua sem levar a autoria. Foi o maior advogado que conheci em São Gabriel, tribuno empolgante, uma figura ímpar.

Intelectual elegante, admirável, escreveu "Combate do Cerro Alegre". Escrevia no jornal "O Imparcial" artigos primorosos, que eram disputados pela beleza erudita dos seus textos.      

Não tive conhecimento dessa revista do doutor Silvio, assim grafava seu nome. Tirei cópia. Vou pesquisar. É tudo que posso te adiantar. Um abraço. Osorio.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Canção São Gabriel

É a seguinte a letra da canção "São Gabriel", vocalizada com grande sucesso pela senhorita Odete Pinto, na revista de autoria do doutor Sylvio de Faria Corrêa, há pouco levada a efeito nesta cidade.

Raia a alvorada
Na cidade ainda deserta
Que a luz do sol desperta 
Acordando entremunhada...
E num bocejo
Bem antes de quem se acorda
São Gabriel então recorda
Um tranquilo vilarejo.

CORO

São Gabriel!
Oh! Privilégio da belleza
Tem em ti a natureza
De encantos um vergel:
Cidade flor, 
Pela belleza de tuas filhas
É a princesa das coxilhas
É a querência do amor.

Vaccacahy,
O sol beijandoa água corrente
Que destila mansamente
Desde o serro Batovy
Doura de luz
O poema mudo de tuas água
Escriptas nas mansas águas
Que se vão ao Jacuhy

CORO

São Gabriel!
Oh! Privilégio da belleza
Tem em ti a natureza
De encantos um vergel:
Cidade flor, 
Pela belleza de tuas filhas
É a princesa das coxilhas
É a querência do amor.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Do "Túnel do Tempo"

Advogados do Foro de São Gabriel, em 1922. Oscar Menna Barreto, Octacílio Moraes , Vaz de Mello e Jacintho Barbosa. (Foto: Livro, "O Rio Grande do Sul", de Alfredo R. da Costa)

Funcionários do Foro de São Gabriel, em 1922. Em destaque (com um X no paletó), o doutor Manoel Luiz Pizarro, juiz districtal. (Foto: Livro, "O Rio Grande do Sul", de Alfredo R. da Costa)

Coronel Francisco Hermenegildo da Silva, fazendeiro e intendebnte municipal. (Foto: Livro, "O Rio Grande do Sul", de Alfredo R. da Costa)

Intendência Municipal, em 1922. (Foto: Livro, "O Rio Grande do Sul", de Alfredo R. da Costa)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Uma história que parece lenda (I)

Joaquim Francisco de Assis Brasil foi um grande diplomata brasileiro. E também advogado, político, orador, escritor, poeta, prosador, estadista, propagandista da República, fundador do Partido Libertador, deputado e membro da junta governativa gaúcha de 1891.

Mas a sua verdadeira vocação não foi nenhuma das funções descritas acima, sim o trato da terra, a cultura dos campos. E a obra de que mais se orgulhou foi a Granja de Pedras Altas.

Assis Brasil era gaúcho de São Gabriel, onde nasceu no dia 29 de julho de 1857 na Estância de São Gonçalo, sendo filho do estancieiro Francisco de Assis Brasil, de quem herdou extensas propriedades no interior gaúcho, e de Joaquina Teodora de Bensalinas, ambos descendentes de açorianos.

No ano do nascimento de Assis Brasil, São Gabriel tinha apenas 4 mil habitantes. E no ano seguinte recebeu as prerrogativas de cidade, juntamente com Bagé e Cachoeira.

O casal Francisco de Assis Brasil e Joaquina Teodora teve 14 filhos, mas só se criaram nove, sendo cinco homens e quatro mulheres. Apenas Joaquim Francisco, chegou aos bancos acadêmicos, recebendo educação superior.

Aos oito anos, Assis Brasil entrou na escola de primeiras letras do mestre Custódio José de Miranda. Em 1870 transferiu-se para o Colégio Gabrielense do professor Trajano de Oliveira. No primeiro ano ganhou a medalha de prata e no ano seguinte a de ouro. Estas medalhas ainda existem, guardadas no Castelo de Pedras Altas.

Entre os poucos amigos íntimos de Assis Brasil, alguns haviam sido seus colegas de curso primário no colégio do professor Trajano de Oliveira, em São Gabriel. E parece terem sido esses os seus amigos prediletos.

Com mais de um ele trocou correspondência, sobretudo quando se encontrava fora do país. Fica-se com a impressão que era o meio escolhido para comunicar-se com a própria terra e sua gente.

O Museu João Pedro Nunes, de São Gabriel, conserva cartas de Assis Brasil a João José Machado de Oliveira. Quando meninos moraram em estâncias vizinhas. Foram companheiros de “campereadas” nas coxilhas e colegas de colégio na cidade. Contrariamente ao que aconteceu com Assis Brasil, João José nunca arredou pé de São Gabriel.

Em 1872, já órfão de pai, partiu para Pelotas, ficando interno no Colégio Taveira Júnior. Em 1874 frequentou, em Porto Alegre, o Colégio Gomes, onde estudou os preparatórios. Em 1876 matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, passando a integrar o grupo de estudantes rio-grandenses que ali se formaram.

Fundaram o Clube 20 de Setembro, com o compromisso de pregar e propagar o sistema republicano de governo e de apressar a mudança de regime político do país. Em 1882 formou-se em Direito e voltou para o Rio Grande do Sul, onde foi um dos fundadores do Partido Republicano Rio-grandense.

Durante meses, percorreu a província a cavalo, pregando a liberdade e a república com que tanto sonhava. Foi eleito deputado provincial (hoje seria estadual) em dois biênios: 1884/1886 e 1886/1888. Na tribuna enfrentou Gaspar Silveira Martins, merecendo deste seu digno adversário as maiores considerações.

OS DOIS CASAMENTOS DE ASSIS BRASIL

Em 20 de setembro de 1885, Joaquim Francisco casou na então Vila Rica, hoje cidade de Júlio de Castilhos, com Maria Cecília Prates de Castilhos, filha do comendador Francisco Ferreira de Castilhos, natural de Santo Antônio da Patrulha, e de Carolina de Carvalho Prates, natural de Caçapava e irmã de Júlio de Castilhos.

Houve deste matrimônio quatro filhos: Francisco, falecido aos 5 anos, Maria Cecilia, Joaquim, falecido aos 2 anos e Carolina.

Tendo enviuvado contraiu segundas núpcias em Lisboa, a 6 de maio de 1898, com Lídia Pereira Felício de São Miguel, nascida em Bonn, na Alemanha, e filha de José Pereira Felício, segundo Conde de São Mamede e Lídia Smith de Vasconcelos.

Deste matrimônio nasceram oito filhos: Cecília, Lídia, Joaquina, Joana, Dolores, Joaquim, Lina e Francisco, que veio ao mundo em Pedras Altas. Foi seu padrinho o hoje quase esquecido médico Pedro Osório, um dos melhores amigos da família.

Pedro Osório era o médico da família. Residia em Bagé. Diplomado em Paris, em 1882, faleceu no Rio de Janeiro, em 1922. Referindo-se a ele, dizia dona Joaquina de Assis Brasil: “Nosso dedicado e incomparável “Family Doctor” era adorado pela gente humilde de Bagé. A todos atendia com carinho, sem nada receber”.

Ele foi padrinho de Francisco, e sua esposa, dona Faustina, madrinha de Dolores, filhos de Assis Brasil. Anticlerical, publicou um livro de bastante repercussão na época: “Mentiras Religiosas”. Era bom escritor, com estudos humanísticos na Sorbonne.

Assis Brasil não precisou interferir na escolha de profissão para seus filhos. Seguindo naturalmente o exemplo do pai, seus dois únicos filhos varões, Francisco e Joaquim foram agropecuaristas, no município de Alegrete, em terras desmembradas da Estância do Ibirapuitã, herdadas do pai. Era o que o criador de Pedras Altas esperava de seus filhos.

E seus genros, Dácio de Assis Brasil, Fernando Macedo e Manoel Martins, foram estancieiros, os primeiros em São Gabriel e o último no município de Dom Pedrito.

UM POLÍTICO DE CONVICÇÕES

Em 1889, proclamada a República, foi eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte. Promulgada a Constituição, renunciou ao seu mandato. Convidado pelo marechal Deodoro da Fonseca para fazer parte do primeiro ministério constitucional, recusou o convite por divergência de ideais.

Em consequência do golpe de estado de Deodoro, a situação no Rio Grande do Sul tornou-se anormal, tendo o presidente do Estado Júlio de Castilhos abandonado o poder. Foi constituída então uma Junta Governativa, da qual Assis Brasil fez parte, tendo assumido o governo estadual.

Os rio-grandenses uniram-se para defender a causa comum: o mais completo êxito veio coroar seu gesto de patriota. Atingidos os objetivos com a eleição de um novo governador, Assis Brasil renunciou ao poder.

Transferido para a China, não chegou a assumir o posto, porque o presidente Prudente de Morais lhe conferiu a incumbência de reatar as estremecidas relações com Portugal.

E lá aconteceu o seguinte. Durante uma caçada, o rei Dom Carlos, de Portugal, mandou que o diplomata disparasse o primeiro tiro contra um cervo. Assis Brasil desculpou-se. O privilégio era de Sua Majestade. Como Dom Carlos insistisse muito, Assis Brasil atirou.

O animal continuou andando. Então o rei abateu a presa. E antes de se dirigir ao cervo caído, perguntou: “Mas onde está a sua fama de exímio atirador?”

A resposta: “Verifique a galhada direita, Majestade”. Diplomaticamente Assis Brasil tinha atingido propositalmente apenas o chifre do cervo.

Transferido para os Estados Unidos em 1898 (ano em que se casou com sua segunda esposa), lá ficou até 1902, quando foi enviado para a Embaixada do Brasil no México.

Em 1903, o presidente Rodrigues Alves o chamou para trabalhar ao lado do Barão de Rio Branco na questão de limites com a Bolívia. A assinatura do “Tratado de Petrópolis”, em 17 de novembro de 1903, terminou com o litígio de fronteiras entre o Brasil e a Bolívia, no atual Estado do Acre.

Por causa disso, Assis Brasil estreitou seus laços de amizade com outro gabrielense, Plácido de Castro. Com o término das negociações, Assis Brasil retornou para Washington logo após a assinatura.

Em 1905, o Barão do Rio Branco removeu-o para a Argentina, onde se tornava necessária a presença de uma personalidade de prestígio para desfazer intrigas surgidas contra o então ministro das Relações Exteriores.

Em 1906, ao lado de Joaquim Nabuco, presidente do Congresso Pan-Americano realizado no Rio de Janeiro, dirigiu os trabalhos como secretário geral.

APOSENTADORIA, NEM TANTO

Em 1907 pediu aposentadoria. Retirando-se do serviço diplomático, fundou sua granja de Pedras Altas. Ele já havia liderado, no final do século XIX, a fundação da Associação Pastoril de Pelotas, a associação agropecuária mais antiga do Rio Grande do Sul.

Depois vieram as associações de São Gabriel, de Bagé e, finalmente, em 1919, a de Alegrete. Em 1908 fundou, com seu amigo Fernando Abbott, o Partido Republicano Democrático. Depois viveu retirado da atividade política até que, em 1922, o seu nome foi lançado como candidato de oposição a Borges de Medeiros.

A rudeza da luta eleitoral tornou inevitável um movimento armado, a Revolução de 1923, que acabou resultando na reforma da Constituição Estadual de 1891. Em dezembro de 1923 foi assinado o Pacto de Pedras Altas, em seu castelo na cidade de mesmo nome.

Em meados do século XIX a região era conhecida como "Coxilha das Pedras Altas". A denominação foi encontrada em cartas escritas à família, por um oficial farrapo que estava acampado na localidade com as forças de Bento Gonçalves.

A correspondência a qual estava escrita a denominação, foi publicada em um Almanaque de Porto Alegre no final daquele século. Entretanto, Joaquina de Assis Brasil, em depoimento prestado ao historiador Antônio Dias Vargas, no dia 16 de fevereiro de 1969, disse-lhe o seguinte:

Os engenheiros da estrada de ferro, a procura de local adequado para instalação dos trilhos, descobriram duas pedras enormes, uma apoiada sobre a outra, com altura aproximada de cinco metros.

Admirados com a obra da natureza, fizeram um esboço do achado, ao qual deram o nome de Pedras Altas. Isto, segundo Joaquina, originou o nome da estação férrea.

O início da povoação foi proporcionado pelo comendador Manoel Faustino D'Ávila, dono da estância Vista Alegre, hoje São Manoel, que em 1898 doou os terrenos de sua propriedade, situada na margem oeste de uma das estradas de acesso à estação férrea (atual rua Visconde de Mauá), a ex-agregados e amigos.

O DIÁRIO DE PEDRAS ALTAS

Em 29 de julho de 1909 ele deu inicio ao “Diário de Pedras Altas” que foi encerrado em 14 de março de 1917. Foram 9 anos e 8 meses que renderam cinco encorpados cadernos, que contam o dia-a-dia da construção de uma granja sem precedentes na agropecuária brasileira, constituindo-se num verdadeiro e futurista testamento agropastoril e do respectivo castelo, pedra por pedra.

Valho-me neste trabalho de trechos da narrativa do escritor Carlos Reverbel, que rendeu o histórico livro “Pedras Altas, a vida no campo segundo Assis Brasil”, carro chefe do que é descrito a seguir.

Carlos Reverbel foi um dos maiores estudiosos da cultura gaúcha deste século. Jornalista militante pesquisou sobre imprensa e história do Rio Grande do Sul, formando a maior biblioteca especializada do estado.

Carlos Reverbel deixou uma obra representativa de suas paixões e do seu trabalho. Escreveu sobre Simões Lopes Neto em “Um capitão da guarda nacional” (1981), sobre Assis Brasil em “Diário de Cecília de Assis Brasil” e “Pedras Altas”, (1984).

Suas crônicas foram reunidas em “Barco de papel” (1978) e “Saudações aftosas (1980)”. Escreveu, ainda, “Maragatos e Pica-Paus” (1985), “Assis Brasil” (1990), “Arca de Blau” (1993) e “O “Gaúcho”, publicado originalmente em 1986.

O primeiro trato de terra, núcleo inicial de “Pedras Altas”, medindo 71 braças de sesmaria, foi adquirido em 7 de maio de 1904, ao major João Guimarães e sua mulher. O plano da sede da Granja, traçado no papel pelo seu idealizador, começou a ser implantado naquelas terras, até então agrestes e desertas, rudes e incultas.

A 9 de julho de 1904 plantou-se a primeira árvore, uma laranjeira. A árvore vingou, mas pouco viveu. No verão de 1907, depois da primeira florada, foi destruída pelos gafanhotos, numa das ausências do proprietário.

Quando menino em Dom Pedrito, minha terra natal, cheguei a conhecer as chamadas pragas de gafanhotos. Eles apareciam geralmente no verão, em nuvens e acabavam com qualquer coisa verde que aparecesse a sua frente.

O gafanhoto é considerado uma das piores pragas da agricultura brasileira e pode chegar a causar danos em áreas muito grandes. As de plantio são um de seus habitats favoritos.

Além de gregário, já que só anda em bandos, esse inseto é capaz de comer o correspondente a seu peso por dia, se alimentando desde gramíneas e pastagens até roupas e móveis.

Lembro que na inocência de criança, costumava amarrar um cordão na perna de algum distraído gafanhoto que saia a pular, mas sem conseguir se livrar. Brinquedo de criança. A mesma coisa se fazia com outro inseto parecido com gafanhoto, o “Louva Deus”, comum em qualquer jardim.

Mas há uma diferença enorme. O “Louva Deus”, ao contrário do gafanhoto é um inseto benigno, que se alimenta, normalmente, de pequenos insetos: moscas, abelhas, cigarras e até gafanhotos.

Ele captura com suas patas dianteiras longas e que funcionam como uma eficiente pinça cheia de espinhos, que executa apreensões extremamente rápidas, que trazem a caça diretamente para a sua forte mandíbula.

A partir de 1908 é que Assis Brasil passou a dirigir pessoalmente as obras de Pedras Altas. Nos primeiros anos, de 1904 a 1907, limitou-se a acompanhar, quase sempre à distância, a execução do projeto que ele próprio elaborou, nos mínimos detalhes.

Depois de três anos de batida a primeira estaca, foram aparecendo alguns resultados apreciáveis. Às arvores começaram a dar sombra e fruto. Erguia-se o estabelecimento à margem da estrada de ferro de Rio Grande a Bagé, junto à estação de Pedras Altas.

A AMPLIAÇÃO DE PEDRAS ALTAS

A segunda fração de campo, destinada a ampliar a área da Granja, media 81 braças de sesmaria e foi adquirida em 9 de agosto de 1904, a José Coelho de Campos e sua mulher.

Como ficava separada da área inicial, foi depois permutada com a senhora Avelina de Freitas, por 41 braças contiguas ao estabelecimento, havendo indenizado em dinheiro do campo excedente.  A primeira fração de terras custou 12 contos de réis e a segunda, três, aproximadamente.

Em 6 de abril de 1905, a família Assis Brasil, então integrada pelo casal e as três primeiras filhas do segundo matrimônio, Cecília, Lídia e Joaquina, que residiam em Bagé, mudaram-se para Pedras Altas. As duas filhas do primeiro matrimônio, Maria e Carolina estavam na Suíça, internadas em educandário de alto nível.

Como ainda não tivera início a construção do castelo, a família instalou-se provisoriamente no “Cottage”, chalé que seria utilizado, mais adiante, como casa de hóspedes.

O “Cottage” foi pré-fabricado, na carpintaria da Charqueada do Visconde Ribeiro de Magalhães, em Bagé, tendo como modelo um chalé norte-americano.

Ocuparam-no inúmeros visitantes, muitos deles reconhecidos entre os homens mais destacados do país, tornando-se alguns amigos para sempre de Assis Brasil e sua família.

Foi o caso do poeta e historiador Capistrano de Abreu, que certa vez permaneceu por seis meses na Granja. E deixou lembranças que ficaram marcadas. Por exemplo, com a ”sanga de banho do Capistrano”, local onde ele costumava se banhar.

Ou então, quando se mostra o recanto em que ele colocava sua rede, ali permanecendo como lembrança as respectivas argolas de sustentação.

Como o historiador gostava de ler até tarde, à luz de vela, certa vez uma parede do “Cottage” ficou chamuscada. Embora indicasse o sinal de um princípio de incêndio, jamais se permitiu que aquela mancha negra na parede de tábua fosse removida. É conservada até hoje como uma lembrança de Capistrano de Abreu.

O ilustre historiador também esteve em São Gabriel visitando a Estância de São Gonçalo, berço de seu amigo e anfitrião, cujo irmão Paulo a recebeu por herança.

Depois, acompanhado de Assis Brasil, foi até Alegrete e Uruguaiana conhecer às estâncias que seu amigo possuía naqueles municípios – Ibirapuitã e Itaiaçu, a primeira herdada, a segunda adquirida.

No seu Diário, Assis Brasil registrava os nomes de todos que o visitavam, especialmente velhos amigos dos tempos da aula primária do professor Trajano de Oliveira, em São Gabriel, casos de Amélio Noguez e Leonardo Domingues de Bittencourt.

Outro cuidado do criador de Pedras Altas era associar o nome de pessoas da família, de amigos e de visitantes às árvores que se plantava e aos animais que nasciam no estabelecimento.

VISITANTES ILUSTRES

Certo dia esteve em Pedras Altas um velho amigo e compadre de Assis Brasil, José Machado de Oliveira, homem vivaz e malicioso. Fazendeiro abonado, só viajava de segunda classe. Alguém lhe perguntou por que se sujeitava a esse desconforto, e a resposta veio imediata: “Porque não existe terceira classe nos nossos trens”.

O doutor Guilherme Minssem era muito chegado a Pedras Altas. Professor do Liceu Rio-Grandense de Agricultura, que depois se tornou a Escola de Agronomia Eliseu Maciel, de Pelotas, a mais antiga do Brasil, costumava levar seus alunos ao estabelecimento, ali ministrando aulas práticas.

Ninguém entendera melhor do que ele a finalidade com que Assis Brasil fundara Pedras Altas, um centro de irradiação das modernas técnicas agrícolas, uma “lição de coisas”.

Em 1910 o pomar frutificava. Havia abundância de pêssegos, peras, maçãs, laranjais de diversas variedades, uvas de diferentes castas. A horta, com seus produtos, em geral de ciclo vegetativo curto, fornecia verduras e legumes variados.

A terra retribuía às vezes com exuberância exagerada as sementes que lhe eram confiadas. Uma abóbora, pesando 30 quilos, fora remetida de presente a Paulo de Assis Brasil, na velha estância familiar de São Gonçalo.

As oliveiras ainda se recusavam a frutificar, mas, simbolizando a paz, desempenhavam o papel que lhes fora reservado em primeiro lugar.  As sebes de lídias, nome que Assis Brasil dera em homenagem à esposa, dona Lídia, ao “Ligustrum Californicense” que trouxera dos Estados Unidos, alinhavam-se ao longo dos passeios e avenidas do grande parque, cumprindo-se de forma bela e harmoniosa suas funções de cercas vivas.

Pedras Altas impulsionou a atrasada pecuária gaúcha da época. Assis Brasil importou vacas Jersey da Inglaterra, robustos touros Devon, cavalos árabes e ovelhas karakul e Ideal.

Só criava animais de raça, como galinhas White Wyandotte trazidas dos Estados Unidos. Ele também introduziu novas espécies de árvores, como o eucalipto, construiu estrebarias, galpões e porteiras que ainda funcionam. Ainda inventou utensílios, como a bomba de chimarrão de mil furos que jamais entope e leva o seu nome. (Pesquisa: Nilo Dias – Publicado no jornal "O Fato", de São GabrielRS, edição de 13 de janeiro de 2017 - Complemento na próxima edição)


O nome Pedras Altas, tem origens nessas pedras que se localizam próximo a cidade de igual nome.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Estância do Boqueirão

É uma propriedade rural muito antiga, com mais de 100 anos de existência. Fica na localidade de Faxinal, no Distrito de Catuçaba.Seu primeiro dono foi Januário Chagas, que em 1906 a vendeu para Ilo Bicca, recebendo como parte do pagamento, a "Estância do Carangueijo", localizada próximo a Santa Maria.

Ilo Bicca era bisavô de Malu Bragança, e avô de Dórian Bragança, casada com o engenheiro Ricardo Bragança. Ilo, posuia outras estâncias próximas a do Boqueirão: Cedro, Cantagalo, Guabiju, Santa Bárbara e Boa Vista. E juntou todas, tornando-se a Estância do Boqueirão a sede de suas propriedades.

Segundo Malu, seu bisavô comprou  a Estância quando tinha 18 anos de idade. Foi casado com Florinda Fernandes. Após seu falecimento, em junho de 1969, a sede da estância foi herdada por seu filho José Bicca, casado com Doramia do O', pais de Ilo, Marco Aurélio, Dalanne, Dorian e Florinda, casada com Jorge Luiz Fagundes da Silva.

Na Estância do Boqueirão são desenvolvidas atividades como a pecuária, com criações de gado Devon, ovinos para consumo e criação de cavalos "Quarto de Milha". E na agricultura, plantios de pastagens de inverno e verão.

Um fato interessante ocorreu na propriedade, em setembro de 2006, quando lá foi encontrado um fóssil de 270 milhões de ano, por uma equipe de pesquisadores da Unipampa e UFRGS, quando participavam de uma atividade de campo. (Fonte e foto: Página de Malu Bragança, no Facebook)

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Familia Ferroni-Rivas em festa

Dia 8 de janeiro fez 45 anos que a família Ferrony Rivas teve início. Há 45 anos Carlos Raul Rivas e Ligia Ferrony decidiram que iriam navegar juntos rumo à um mesmo destino. A tripulação desse barco chamado família, foi crescendo aos poucos, na medida em que a viajem acontecia. Tivemos a felicidade de festejar e viver a infância de cada nascimento. 

Também precisamos nos despedir de alguns "tripulantes" cuja viagem era sabidamente mais curta, nossos bichinhos de estimação! Me refiro a eles porque bem sabemos como foi sofrido para a gente dar adeus a essa parte da família. "Bilu", "Rita Lee", "Baby", "Liquinho", "Pretinha", "Gamin", "Foucault", "Dick" e "Nero", e tantos outros bichinhos que povoaram a infância dos filhos e netos.

Viajamos muito, criamos tradições, construímos mil lembranças lindas e sempre que o destino nos afastou, desenhamos um destino novo e um a um... regressamos. Hoje os filhos e filhas somos todos adultos e entendemos na prática como é difícil por vezes manter o barco no rumo certo quando há tempestade. 

Entendemos que nem sempre se pode ver terra a vista mas é preciso apostar no destino, na chegada, no horizonte sempre com fé. Sabemos que é preciso ancorar quando estamos cansados e manter os olhos no céu, a noite, quando estamos perdidos. Sabemos que tudo dá certo quando estamos juntos. 

Faz 45 anos que a nossa família linda existe e em nome dos tripulantes aqui, quero agradecer por vocês terem sido a proa e sempre nos levar pelo caminho certo e seguro. Obrigada pai e mãe. Que a viagem siga por dezenas de anos mais! Que seja linda e gostosa.... Como tem sido. Que siga cheia de amor. Como dizem os marinheiros "Un buen viento y una buena mar!" (Fonte: Página de Ligia A. Ferrony Rivas, no Facebook)





segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Gisele Villanova é a nova presidente da Amigo Bicho

Em uma das eleições mais disputadas em sua história, a Associação Protetora dos Animais São Francisco de Assis (Amigo Bicho) conheceu sua nova presidência na noite de domingo (8).

A empresária, contabilista e ativista social Gisele José Luiz Villanova foi eleita a nova presidente, por 281 votos a 250 da Chapa 1, que representava a atual gestão e tinha como candidata Ivin Borges.

A votação aconteceu no Ginásio Plácido de Castro (Chiappettão), durante o final da tarde e começo da noite deste domingo. (Fonte e Fotos: Blog "Caderno 7")



segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

*Muito obrigado por ver e elogiar o meu blog. Fico muito honrado vindo de você. Parabéns pelo seu blog também e se gostou e quiser acompanhar frequentemente ficarei muito feliz, isso me motiva muito para continuar e me tornar um jornalista esportivo.

Lucas Miam
*Olá, Nilo! Descobri seu trabalho por acaso no Google e fiquei muito feliz ao ler uma publicação sobre o Carlos Cândido, meu bisavô. Estou em busca de mais informações sobre ele. Você teria algum material que fale mais sobre ele e seus familiares mais próximos?

Carlos Henrique Cabral Pereira

Com referência postagem: https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=3765766403064658429#editor/target=post;postID=6625997664885027502;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=173;src=postname

*Prezado senhor Nilo Dias Tavares. Agradeço por teres divulgado minhas anotações sobre o poeta Raul Sotero de Souza. É o pouco que consegui sobre esse personagem, cuja memória já vai sendo esquecida.

O Povo do Sul

Abraço

Dari Simi

Com referência a postagem:

https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=3765766403064658429#editor/target=post;postID=4538665822835505064;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=4;src=postname

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Uma família feliz

Ontem, 28 de dezembro foi um dia especial para a família Chaves. E bota especial nisso. O casal de advogados gabrielenses, Itajar Maldonado Chaves e Jandira completaram nada mais, nada menos, do que 53 anos de casados.

A data mereceu muita festa, e não era para menos, afinal estar tanto tempo juntos, não é para qualquer casal.

Itajar e Jandira são pais de Liane, Itajar Júnior e Márcia. São loucos pelos netos Marina, Joana, Henrique, lucas, Vinicius e Júlia. E a felicidade agora se completa com a vinda da bisneta Alice. Haja coração para guardar tanto amor e carinho. Parabéns do blog a família tão feliz e amiga. (Fotos: Liane Chaves).




segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Natal visto por gabrielenses

Nem sei como começar a fazer matéria especial de Natal. Não faz o meu gênero escrever sobre “Papai Noel”, “Reis Magos”, trenó e outras coisas. É claro que já fui criança e por muitas noites fiquei acordado para esperar a chegada do “bom velhinho” com os presentes ansiosamente aguardados.

E tudo terminou quando flagrei o meu pai em plena madrugada, pés mal se movendo para não fazer barulho, carregado de brinquedos. Foi bom enquanto durou. Tenho até a impressão que foi aí que nasceu o famoso “Pé de Pano”.

O mesmo se pode dizer em relação ao “Coelhinho da Páscoa”. Sei que tudo não passa de motivação comercial. Mas a verdade é que essas figuras imaginárias povoaram os sonhos de todos nós, quando crianças.

Lá em casa, que bem me lembro, não incentivávamos essas fantasias aos nossos filhos. E acho que nem precisava, pois tanto a Fabiana, quanto o Leonardo, acordaram muito cedo para o plano real. Não o do FHC.

O que não impediu que festejássemos a data, iguais a quaisquer pessoas normais. Lembro que costumávamos passar a noite de Natal na casa do meu saudoso sogro, Gelcy Mota, na antiga Ponte Seca. A minha também saudosa sogra, dona Mecília caprichava no cardápio.

Era comida que não acabava mais. Geralmente um frango assado, daqueles criados em casa. Ou um leitãozinho assado na padaria da esquina. Depois é que apareceu o tal de “Chester”, substituindo o antes tradicional frango. Como complemento, arroz a grega e saladas diversas.

E doces de todo o tipo feitos com capricho nos antigos tachos de cobre. Os melhores sempre foram aqueles fabricados pelos ciganos. Na casa do meu sogro tinha uns dois ou três. Os doces feitos ali tinham outro sabor. Acho até que ainda tem um por lá. Na próxima vez que for a São Gabriel vou trazê-lo para Brasília. Por aqui não se acha disso.

Eu adorava um doce de figo. Hoje é difícil de encontrar esse fruto que era tão popular antigamente. Havia figueiras por toda a parte, agora dá a impressão que desapareceram. Também gostava de doces de abóbora e batata-doce.

E não esqueço as compotas de laranja feitas pela saudosa dona Eutélia, esposa do saudoso Rufino Bittencourt, que era dono do “Bar Ferroviário”, quase frente o Posto Centenário. Ela sempre me presenteava com generosos pedaços daquela delícia.

O churrasco lá no meu sogro só acontecia na noite do Ano Novo. A gente se reunia no fundo do pátio, onde havia uma churrasqueira. Os vizinhos participavam também. Era comum a troca de gentilezas. Eles ficavam um pouco na nossa festa e depois era a gente que dava um pulinho nas casas deles. Era bom demais.

Aqui por Brasília nós comemoramos o Natal e o Ano Novo. Nem sempre ficamos todos juntos. Geralmente a filharada tem outros compromissos com amigos. São os novos tempos. O que fazer? Eu e a Teresinha aproveitamos para saborear os pratos de sempre no Natal aqui de casa: uma torta de frango e outra doce.

Quando criança, lá em Dom Pedrito, a minha terra natal, antes de qualquer comemoração íamos todos a Igreja Matriz, à meia-noite, para assistir a “Missa do Galo”. O meu pai era católico, daqueles que estavam na Igreja todos os domingos.

Hoje, esse hábito mudou drasticamente. As pessoas ficam em casa e olham a Missa pela TV. Quando olham. Geralmente à meia-noite já estão todos ocupados com a festança. E sabidamente quem menos participa da festa é o Jesus aniversariante.

Não quero discutir se os tempos de antigamente são melhores ou piores que os atuais. É claro que existem divergências. Eu, como saudosista, preferia as reuniões natalinas e de Ano Novo realizadas em família.

Não sou um religioso convicto, só vou a Igreja em Missa de sétimo dia e assim mesmo de alguém muito chegado. Mas confesso que gostava de assistir a “Missa do Galo”. Ela era diferente, alegre e incrementada com o repicar dos sinos.

Lembro um Natal de tristes recordações. Já se passaram muitos anos. Eu estava morando sozinho em Pelotas, por razões que não vale a pena contar. Quando deu meia-noite, às ruas estavam vazias. Nas casas muita alegria, música alta, famílias reunidas.

Eu me encontrava em um bar na rua 15 de Novembro, ao lado do jornal “Diário Popular”, onde trabalhava. Só eu e o dono do bar, que era o Luiz Carlos Peres, ex-goleiro do Farroupilha, de Pelotas, Internacional, de Porto Alegre, América, do Rio de Janeiro e Atlético Mineiro.

Ele era irmão do Glênio Peres, antigo e saudoso político de Porto Alegre, que hoje é nome de um Largo no centro da capital, onde se realizam atos cívicos. Luiz Carlos também foi companheiro da saudosa cantora Clara Nunes, que eu conheci quando esteve com ele em Pelotas. Isso nos áureos tempos em que defendia o “Galo” mineiro.

Saímos do bar e fomos sentar na calçada da esquina, com um litro de uísque nas mãos. E trocamos histórias tristes e alegres de nossas vidas. Foi, sem dúvida, o meu pior Natal.

Mas vamos ao que interessa, opiniões de gabrielenses sobre o Natal e o que esperam dele e do novo ano. Como ocorreu na matéria sobre a Chapecoense, os colaboradores deste trabalho também foram escolhidos aleatoriamente. (Por Nilo Dias)

TERESINHA MOTTA. Jornalista da Assessoria de Imprensa do Ministério do Planejamento, em Brasília.

Era para ser uma lacônica mensagem com os tradicionais votos de boas festas. Afinal, 2016 não valeu e há um acúmulo de desencanto parado no ar. Mas, dezembro pede pausa e paz. É a hora perfeita para encerrar ciclos e recarregar energias. Agenda que nos acena com horizontes mesmo com todas as saídas fechadas. Agenda que nos propõe reflexão e aconchego mesmo com toda desolação que há no mundo ou dentro de nós.

Dezembro é mágico, porque, mesmo nesses dias agitados que nos inquietam a alma, a esperança aparece, completamente alienada de tudo. A esperança vem para dizer que temos algo urgente para realizar: construir um novo modelo de mundo pelo lado de dentro de nós. Quer nos ensinar que o melhor de nós está em nossos avessos (que escondemos até de nós mesmos) ou no vir a ser que ainda nos falta.

E, para isso, nos coloca óculos de aumento metafísico, que nos faz perceber que temos a vastidão do infinito a nosso favor. Eu chamaria a isso de “Milagre de Natal”.

LOURDES FIGUEIREDO. Aposentada. É filha do historiador Osório Santana Figueiredo.

O que acho e espero do Natal

Muitas provações se passaram durante este ano que está se encaminhando para o passado, como sendo um alerta, um beliscão do “Eterno” para que o respeito, à dignidade e o sentimento de dualidade se manifeste com naturalidade ou a duras penas nos seres humanos.

Neste Natal se espera que a vibração da justiça repercuta como um eco latejante e ensurdecedor e se expanda pelo mundo inteiro. Se espera que desperte um grande líder com espírito de paz, seriedade e compromisso com a nação.

Paira no ar um quebra cabeças desmontado e urge a necessidade de que alguém coloque essas peças nos seus devidos lugares. E a esperança é de que pela capacidade de observar esse desequilíbrio, possa brotar a criatividade para um novo ciclo onde a esperança abrigue as angústias, proporcionando uma clareira iluminada rumo aos obscuros problemas.

É nas grandes catástrofes que surgem grandes líderes. Pensar positivo sempre dá certo, quando se encandeia um grande número de almas pensantes.

LUCIANA DALL’ONDER. Jornalista, Tecnóloga em Marketing, Técnica em Publicidade e Propaganda. Trabalha na Assessoria de Imprensa da empresa São Gabriel Saneamento.

O segredo é SER e não ESTAR

Está acabando. Mais um ano que chega ao fim. E com este “the end” anual é natural que surja a necessidade de reflexão e autoavaliação. É como nos incentiva a pensar aquela frase “chiclete” da canção: “Então é Natal, e o que você fez?”.

Este é o momento de repensarmos nossas próprias vidas e nos organizar internamente para desfrutarmos com mais equilíbrio e sabedoria do novo ano que se aproxima.

Então, estamos satisfeitos com nossos relacionamentos? Nossas insatisfações são oriundas do parceiro ou de nós mesmos? As pessoas que nos rodeiam nos fazem bem? Estamos felizes com nosso trabalho e nos sentimos reconhecidos e valorizados? Estamos satisfeitos com a pessoa que somos hoje? Quais defeitos podemos melhorar?

Agora é a hora de rever o que deu certo, mas avaliar também o que não deu e o porquê dos fracassos. Repensar nossas atitudes, o modo como vivemos, retomar as rédeas de nossas vidas e mudar definitivamente aquilo que nos desagrada.

O tempo não volta e ele é o que de mais valioso nós temos. Precisamos aproveitá-lo bem. Fazer valer a pena. E se você encerra 2016 com a sensação de que o ano “voou”, muito provavelmente tem, então, uma listinha de promessas não cumpridas, feitas um ano atrás, e foi engolido pela frenética rotina do dia a dia em 2016.

Eu sei, eu sei... 2016 não foi um ano fácil! Eu, se pudesse escolher uma palavra para definir este ano, ela seria: “EITA”. Mas eu sei que, no futuro, tem uma versão nossa muito orgulhosa por termos enfrentado tudo isso sem desistir. E justamente agora, com este momento de reflexão, teremos a oportunidade de agir diferente em 2017 e fazer tudo melhor.

Precisamos acessar a nossa essência espiritual para encontrarmos a felicidade de uma forma real e duradoura. Precisamos buscar o sentido dos nossos dias. Precisamos buscar a nossa verdade, a verdade de nossas almas. Precisamos sentir a esperança, ter a determinação para fazer melhor e colocar amor em tudo que estivermos dispostos a fazer.

Façamos nossa autoavaliação. Façamos novos planos. Retomemos antigos sonhos. Tenhamos fé. Pratiquemos gratidão. Exercitemos resiliência. Apostemos na reciprocidade. Acreditemos no amor e em suas diversas formas de estar em nossas vidas.

Conquistar a felicidade plena exige dedicação, planejamento, ação e disciplina. Que em 2017 estejamos dispostos a buscá-la, sabendo que o segredo é SER FELIZ e não apenas ESTAR.

Feliz Natal e um 2017 iluminado e repleto de paz, sentimentos verdadeiros, sorrisos sinceros e abraços que são casas, para todos nós.

AYRTON ALVES BITTENCOURT. Compositor musical e carnavalesco. Reside em Porto Alegre.

O Natal é a esperança

Em cada coração, desejos de felicidade e muita alegria. Quando a estrela brilhou e iluminou todo o céu há alguns milhares de anos atrás, três reis magos, Baltazar, Belchior e Gaspar interpretaram a mensagem e souberam que o rei dos reis havia nascido para libertar e salvar os homens do mal e do pecado, que reinavam no mundo até então.

Acreditamos que os nossos sonhos e desejos chegarão aos céus, e que o Natal seja de paz, amor, esperança, felicidade e muita energia, para continuarmos buscando dias melhores para nossos familiares e por todas aquelas pessoas que precisam de nosso apoio.

Tenho certeza que no Natal não gostaríamos de ver crianças pedindo esmolas nos sinais de trânsito e abandonadas sem direito de brincar e ir a escola.

O Natal que queremos é aquele em que abraçamos e beijamos nossos pais, sem que eles sejam abandonados por suas famílias e muitas vezes esquecidos nos asilos ou hospitais.

Nós desejamos e esperamos um Brasil melhor para todos. Um mundo sem guerras, sem destruições, um lugar seguro em que ninguém precise fugir deixando para trás tudo que conquistou ao longo da vida.

São momentos de reflexões, promessas, intenções que se repetem, na magia do renascimento, com anseios de esperança e de paz. Feliz Natal.

Agradecemos a Deus pelo ano que passa e damos boas vindas á 2017, e que seja um ano bem melhor para todos nós. Que possamos ter saúde e trabalho e o pão de cada dia em nossas mesas.

Em 2017 queremos ver nossa querida São Gabriel prosperando e crescendo com a sua comunidade, nossa gente, nosso povo.

Obrigado amigo Nilo Dias e jornal “O Fato”, pela oportunidade de expressar essa pequena mensagem de Natal e Ano Novo, e que Deus proteja á todos nós.

ROMEU NEME KLEIN. Auditor na empresa “Cotecna Inspection” e Proprietário de uma Agência de empregos. Estuda Pós-Graduação na PUCRS.

Natal é tempo de um clima de festividades, alegrias, reuniões em família e grupos de amigos, tempo de luzes coloridas, diversão e muitas trocas de presentes. Tempo de reconciliação e de perdão, tempo de buscar reflexão sobre a vida e as coisas boas que ela nos proporciona. Tempo de relembrar e desejar situações para nós e para aqueles que tanto amamos.

Atualmente esta data tão importante em muitos sentidos perdeu seu real significado, tornou-se uma festa de puro consumismo, de somente trocas de presentes. Mas não podemos esquecer o seu real significado o verdadeiro sentido da existência desta data, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo. O Menino que representa vida, paz, saúde, que nos amou e nos ama profundamente e que se doou e se doa integralmente a todos nós.
          
Ganhar presente de Natal tem um significado importante, pois os recebemos das pessoas que amamos e nos amam, que desta forma demonstram todo seu carinho. Entretanto festejar e celebrar Aquele que nos dá o nosso maior presente, é fazer com que o Natal tenha seu real significado.

Sabedores deste real sentido, o que desejar deste Natal? O que esperar desta Festa que nos fortalece e nos ensina a sermos pessoas melhores?

Com certeza muitas respostas veem em nossos pensamentos, desejosos de uma Festa Natalina cheia de felicidades, harmonia, união, família reunida, superação de obstáculos, que as pessoas pensem mais no outro como um ser humano de valor e não como mero objeto, entre outras tantas coisas que fica a critério do seu pensamento e desejo. Feliz Natal e Próspero 2017.

ELODY HELENA VEIGA DE MENEZES. Poeta, escritora e tradicionalista. Recentemente foi uma das homenageadas pelo Lions Clube de São Gabriel, na festa denominada “Noite dos Imortais”.

Ano Novo, esperanças renovadas

Todo o ano que chega traz esperanças de uma vida melhor, um mundo melhor, talvez até uma humanidade mais pacífica, clemente e fraterna.  Acho que foi para isso que inventaram a mudança do calendário justamente quando é festejado o (provável) aniversário de Jesus, para que a humanidade, enlevada com as comemorações do nascimento do Divino Mestre, eleve seus pensamentos a Deus, em preces de Paz e Amor, atraindo bons fluidos para o ano que começa.

Acho, porém, que, como diz Martha Medeiros, a vida é uma sucessão de perdas e ganhos. Ninguém passa por ela sem experimentar bons e maus momentos. Ninguém fica imune aos altos e baixos que o destino nos reserva. Porém, sonhar não custa nada e a tendência do ser humano é achar que tudo irá melhorar apenas com a passagem de uma data para outra.

Mas está provado – embora a maioria ache que se trata de uma crendice – que o pensamento positivo, principalmente, quando expressado em uníssono tem uma força poderosa para tornar realidade tudo aquilo que desejamos.

Então, no momento exato em que soarem os sinos da meia-noite de 31 de dezembro de 2016, vamos unir nossas vozes para elevar aos céus uma prece sincera, não só para pedir paz, saúde e prosperidade para nós mesmos e nossas famílias, mas implorar ao Todo Poderoso que tenha piedade do nosso querido Brasil, libertando-o desse fétido atoleiro em que está mergulhado, provocado pela falta de caráter e de patriotismo de maus políticos, que nem sequer merecem o nome de brasileiros, porque não amam e nem respeitam a pátria em que nasceram.

Que 2017 realize a nossa esperança de um Brasil melhor: é isso que desejamos.

LUIZ MENEGHELLO. Professor aposentado. Lecionou durante muitos na E.E. XV de Novembro.

Devemos ser gratos e felizes por termos vivido mais este ano, e por termos tido a oportunidade de aprender a crescer, como profissionais e pessoas. Que o Natal, seja o porvir de novos dias, de paz, amor e saúde a todos.

Que a esperança continue a brotar em todos os corações. Um Novo Ano vai começar. Vamos fazer deste ano o melhor das nossas vidas, pois apenas depende de nós, porque a nossa vida é feita de escolhas. Com Deus no coração! Paz e Fraternidade Universal!

MARA RAMOS RANGEL. Coordenadora da Casa de Cultura Sobrado da Praça.

Natal e Ano Novo de Fé

Como discípula de Cristo, espero o Natal sempre com alegria e com esperança renovada de que as pessoas se comovam com as palavras de amor tão ditas nestes dias natalinos, e olhem verdadeiramente para Ele, Jesus, que veio por todos nós. E encontrem o verdadeiro sentido da vida e se cumpra o que está nas Sagradas Escrituras: “Todo joelho se dobrará, e toda língua confessará, que só o Senhor é Deus”. Muda a vida e muda o mundo.
      
Em 2017 mais um capítulo começa a ser escrito nas nossas vidas. Minha maior esperança é que a mão da Justiça se mova e retire da vida pública todo aquele que tenha envergonhado os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
      
Chegamos com o Brasil no fundo do poço da imoralidade, da falta de ética, do desrespeito aos cidadãos e aos poderes constituídos. É preciso dar um basta ainda que a medida seja dura e radical. Zerar e começar de novo este Brasil tão lindo e de um povo tão maravilhoso.
      
Não perco a esperança jamais, pois estou ligada ao Criador que me leva e me renova todos os dias. Seguir evangelizando continuará sendo minha meta principal, realizar sonhos e ver meu filho ingressando na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.    

Desejo que São Gabriel viva e comemore o nascimento do menino Jesus e viva Cristo no coração de todos. Feliz e abençoado 2017!

ANTÔNIA LAÍSA. Jornalista. Trabalhou na Prefeitura Municipal de São Gabriel, jornal “Cenário de Notícias” e jornal “O Imparcial”. Desde outubro reside em Bagé, onde trabalha no setor administrativo das lojas Tevah.

O que esperar do Natal e do Ano Novo nesse final de 2016? Bom, vamos lá!

Para 2016 que foi um ano bastante conturbado, e porque não dizer de grandes revelações, claridade, mas também de injustiças e do marco do uso da força por quem perdeu os argumentos... esperamos para o Natal somente paz, amor e também de muito calor no coração daqueles que mais precisam. Que todos possam celebrar em família a esperança de dias melhores!

Para o ano novo que se aproxima sim, aí olhamos com muitas expectativas e o desejo de renovação de forma justa. Desejamos para 2017 o fim das injustiças e que seja um ano que se destaque como de grandes revelações.

Que quem mente seja desmascarado e que o olhar dos inocentes seja preservado, que todos possam viver em paz e resgatar o que foi perdido durante a longa batalha de 2016. Feliz Natal e próspero Ano Novo!

CARLOS CONRAD. Radialista, com atuação jornalística na Rádio São Gabriel, publicitário e pastor evangélico.

A diversão não gera como fruto a verdadeira alegria. A alegria verdadeira, a alegria plena, está ligada a algo bem maior, a algo mais profundo. A verdadeira alegria não está simplesmente em uma noite de banquete e de festa que passa.

A verdadeira alegria nasce de um encontro pessoal com uma Pessoa, Jesus Cristo, o Filho de Deus, que deseja fazer do seu e do meu coração um lugar para nascer e habitar.

Não queiramos um Natal de coisas e objetos. Talvez até iremos comprar presentes para trocar em celebrações e festas neste fim de ano… Mas que o maior desejo do nosso coração, seja receber nesse Natal o Filho de Deus, Jesus Cristo, o Emanuel. (Matéria publicada no jornal "O Fato", de São Gabriel-RS, em 23 de dezembro de 2016)