segunda-feira, 2 de abril de 2012

Maestro Rosário Ruchiga

*Rosário Ruchiga nasceu em Bagé, a 11 de novembro de 1905. Veio com a família para São Gabriel no ano de 1914, já como músico trazendo embaixo do braço o seu inseparável violino, que o acompanhou até o fim da vida. Mas também tocava piston.

Criou em São Gabriel a 8 de novembro de 1929 o "Blue Jazz Band", na residência da família Evangelho. Sua estréia deu-se no Cine Teatro-Harmonia nesse mesmo ano. Todavia, celebrizou-se com o famoso "Jazz Ruchiga", criado por ele em 1930, com atuação nos principais clubes de São Gabriel: Comercial, Caixeiral e Guarani.

O “Jazz Ruchiga”, cresceu, evoluiu e ganhou fama pelo número de figurantes, todos músicos de conceito relevante na arte de alegrar os povos. Expandiu-se em viajadas memoráveis, por várias cidades do Rio Grande do Sul e do estrangeiro. Como em Salto, no Uruguai, e em Libres na Argentina. Foi considerado o melhor conjunto do Estado.

Fazia parte do Jaz o apreciado Ney de Faria Correa, como baterista, que ao terminar o número musical, fazia uns floreios, batendo nos pratos ou no tambor, para a assistência rir a vontade. E o nosso conhecido e apreciado Eni Costa, vivendo entre nós.

Esse Jazz era o orgulho de São Gabriel. Distinguia-se nas apresentações pelo traje de gala dos seus figurantes: camisa e paletó brancos, gravata de tope e calça azul marinho e sapatos preto. Antes de romper seus instrumentos musicais, já causava admiração e recebia o aplauso do público. Foi a última das grandes e mais belas orquestras de São Gabriel, jamais sobrepujada. Foi extinta em 1963.

Certa ocasião, Ruchiga como artista, em uma peça teatral no Cine Harmonia, interpretou o papel de bebê-chorão, relacionado com um caso acontecido em São Gabriel. Foi uma apoteose. Quase botou o Cine Teatro Harmonia abaixo pela explosão de gargalhadas do público presente.

Rosário Ruchiga acompanhou a Invernada Artística do CTG Caiboaté a Brasília, para participar da Feira dos Estados, em 1972. Recebeu da Câmara Municipal de Vereadores, o título de "Cidadão Gabrielense". Por fim passou a comprar cavalos velhos e imprestáveis para o frigorífico Sonva, de Pelotas.

Foi o mais admirável violinista surgido em São Gabriel. Pessoa múltipla: músico, teatrólogo, cômico, trocadilista, desportista, gracioso e estimado da sociedade gabrielense. Homem da música, da alegria, animador das festas religiosas e dos grandes folguedos carnavalescos. Onde estava a tristeza batia em retirada, afugentada pelo seu humor alegre e seus gracejos de fazer rir até as pedras.

Ruchiga foi uma figura admirável. Fez da música a arte de valorizar a qualidade de vida dos povos. E como lutou. Faleceu a 12 de janeiro de 1995, aos 89 anos, vítima de hemorragia intestinal. (Fonte: Artigo do historiador Osório Santana Figueiredo, publicado na coluna "De Brasília", no "Jornal da Cidade").

Jaz Ruchiga, anos 40 e 50. (Foto enviada pelo amigo Luis Antônio Michel)

4 comentários:

  1. Meu tio querido! Que orgulho de ler este texto! Saudades!
    Carlos Ruchiga Filho
    Brasília, 2012

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  2. Orgulhoso de ter sido seu sobrinho e feliz por fazer parte da família Ruchiga.
    Humberto José Ruchiga
    Rio de Janeiro, fev/2013

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  3. Nossa, conversei tanto com o Rosarinho ... ele passava na casa da vovó e parava pra conversar ... mas, nunca o ouvi tocar ... agora lendo esse texto, me deu uma sensação de perda ... adotaria ter ouvido/visto ele tocando, com aquele sorriso aberto que sempre estampava no rosto qdo me via sentada nos degraus da casa da vovó na Rua Tristão Pinto ... a gente perde cada coisa na vida por falta de maturidade ...
    Carmen Lucia Evangelho Lopes - Rio, março/2013

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  4. Tive o prazer de conhecer o pequeno (ENORME) Rosario Ruchiga. no Inicio dos anos 90 eu e ele íamos "filar a bóia" aos domingos na casa de sua cunhada a saudosa Vó Ana Evangelho Ruchiga. Alem de tudo que aqui ja foi dito, tio Rosário era um baita contador de piadas. Feliz é Deus que tem ele ao lado tocando seu violino e contando as piadas, ooooh Tio Rosário.

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