quinta-feira, 31 de maio de 2012

Documentos Históricos

Em novembro de 2007, quase foram parar no lixo documentos, de valor hostórico notáveis. Graças a dona de casa Carina Nunes, que ajudava os familiares da falecida professora Ilca Caldas a separar seus pertences, acabou encontrado em um móvel, grande quantidade de documentos antigos.

Tempos depois, em consulta ao Museu da FEB, Carina soube que se tratava de um material precioso sobre um dos vultos históricos do município, o marechal Fábio Azambuja, do qual pouco registro material se tinha até então. Todo o material foi doado ao Museu.

Entre os achados estão cartas-patente, desde a promoção do então tenente Fábio a capitão, até sua elevação à condição de general e, por fim, marechal, em 1923; cartas de familiares e amigos; e documentos de datas e finalidades diversas, além de uma foto 3 x 4 inédita do marechal já em idade mais avançada.

São documentos em papel timbrado do Exército, do Império, e posteriormente, do Governo da recente República do Brasil. Levam as ilustres assinaturas de Dom Pedro II e marechal Deodoro. O material revela dados até então desconhecidos da vida do marechal Fábio Azambuja, como o número de filhos que teve.

Segundo um dos documentos, foram quatro – Oscar Patrício, Áurea, Manoelita, e Fábio. Uma das coisas mais importantes que puderam ser feitas a partir dos documentos encontrados na casa de dona Ilca diz respeito à trajetória do Marechal no Exército.

Pelos documentos, se sabe que ele teve que se defender junto ao Exército para provar que tinha direito a ser reintegrado. Ele havia sido reformado por invalidez devido a sua participação na Revolução Federalista (1893) pelo lado dos maragatos, que se opunham ao poder central da República.

De acordo com os documentos, a aposentadoria compulsória foi em 1894. Retornou em 1916, como tenente-coronel, chegando a general em 1922. Conforme já havia descrito o historiador Osório Santana Figueiredo, em seu livro “Terra dos Marechais”, Fábio chegou a comandar interinamente a 3ª Região Militar, durante a Revolução de 1923, tendo depois exercido influência na assinatura do Tratado de Paz, em Pedras Altas, na zona sul do Estado.

Os documentos encontrados confirmam o pouco que se sabia, e trazem detalhes ainda desconhecidos dessa trajetória. Um dos documentos confirma a promoção do então general ao posto de marechal, patente pela qual definitivamente foi reformado, em 1923.

Após deixar finalmente o Exército, o marechal Fábio foi secretário de Obras Públicas em São Gabriel, tendo sido responsável pelos primeiros traçados da cidade, além de provedor da Santa Casa, onde implantou o primeiro serviço de Raio-X. (Fonte: "O Nosso Jornal", edição de 25 de novembro de 2007)

Biografia

Fábio Patrício de Azambuja nasceu em São Gabriel, no dia 29 de julho de 1862. Era filho do casal Manoel Patrício de Azambuja e Maria José da Costa Azambuja.

Homem público e engenheiro militar, teve destacada atuação nas diversas funções que exerceu. Durante a Revolução Federalista de 1893, por divergir do governo de exceção, então existente no Rio Grande do Sul, tomou parte ao lado dos revolucionários, emigrando para o Uruguai ao final da sangrenta luta.

Após a anistia, retornou a São Gabriel dedicando-se a indústria de charque, que tinha início no município. Juntamente com o pai e irmãos dirigiu a construção da Charqueada do Vacacaí, no ano de 1889, a primeira instalada no município.

Revertendo ao serviço ativo do Exército, dirigiu em São Paulo o alistamento militar, modernizando-o com várias inovações. Em 1921, no posto de coronel, assumiu a chefia do antigo Arsenal de Guerra, de Porto Alegre, onde introduziu grandes reformas e instalou uma metalúrgica para a confecção de objetos de metal, então carentes no Exército.

Ao passar para a Reserva, no posto de marechal, fixou residência em São Gabriel. Foi provedor da Santa Casa, realizando importantes melhoramentos, aumentando sua capacidade e regulamentando os serviços administrativos.

Como secretário de Obras do município foi r4esponsávelmpela construção de pontese pontilhões nas ruas da cidade. Mandou levantar o aterro da ponte do Vacacaí, diminuindo o risco de enchentes, que interditavam o trânsito.

O marechal Fábio Azambuja faleceu em São Gabriel, no dia 29 de setembro de 1955.

Salvo Conduto que pertenceu ao marechal Fábio Azambuja.

Foto até então desconhecida do marechal Fábio Azambuja.

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