domingo, 16 de setembro de 2012

Roque Callage

*Mesmo não tendo nascido em São Gabriel, era filho de Santa Maria, onde nasceu no dia 13 de dezembro de 1886, Roque Callage deixou seu nome gravado como um dos mais importantes jornalistas que pisaram em solo gabrielense. Era fílho de Maria Cândida Leal de Oliveira e do imigrante italiano Luis Callage, que chegou em Santa Maria em 1876, estabelecendo-se com salão de barbearia na Rua do Acampamento, e conhecendo a mãe de Roque.

A Revolução, conhecida como "Federalista", eclodida em 1893 e que buscava derrobar o governador Júlio de Castilhos, atingiu a então pequenina Santa Maria em março de 1894, sendo a cidade, após a luta, invadida por tropas revolucionárias que, a cavalo, cercaram-na por três dias. Esse episódio marcou profundamente Roque e todos os de sua geração.

O período rebelde durou, até 1895, quando o Governo do Estado conseguiu debelar o últímo foco de resistência, com o trucidamento do almirante carioca, convertido em chefe federalista, Saldanha da Gama.

Foi nesse ambiente que começou a formação intelectual do escritor. Carente de recursos próprios, Roque não teve instrução acadêmica formal, sendo considerado um autodidata.

Com a abertura, em 1907, em Santa Maria, do "Colégio Ítalo-Brasileíro", por Umberto Ancaram, agente consular da Itálía naquela cidade, foí convidado a ensinar língua portuguesa.

Em 1908, com 22 anos, publicou seu primeiro livro "Prosas de Ontem", connsiderado fraco, inclusive pelo próprio autor. Pitorescamente, num gesto de autocrítica, procurou ao longo de sua vida, recolher todos os exemplares em circulação, existindo mesmo um que dedica à a si próprio "Pelas asneiras que escreveu".

Mais amadurecido, transferiu-se para São Gabriel, onde assumiu a função de jornalista nos periódicos "A Tribuna", "0 Comércio" e "0 Diário da Tarde". Roque foi bem recebido pela comunidade local, onde despontava o poderoso cbefe político Fernando Abbot. Em São Gabriel casou com a senhora Anita Banalli, filha de um casal de italianos originários do Tírol.

Nessa época consolidou seu perfil de jornalista. Já a faceta de escritor regionalista surgiu com seu primeiro livro do gênero, "Terra Gaúcha" (1914). O Rio Grande, marginalizado do resto do país pela política de "Café com Leíte" da República Velha, via no regionalismo uma espécie de auto-afirmação.

Após uma breve experiência como colaborador no jornal "A Noite", fixou residência definitiva em Porto Alegre como jornalista no "Correio do Povo", de Caldas Júnior.

Roque Callage, nessa altura, já reconhecido como jornalista e escritor regionalista, especialmente pelo lançamento de dois novos livros "Crônicas e Contos" (1920) e "Terra Natal" (1920), este editado pela Editora Globo, a maior de então, aderiu ao crescente movimento de contestação ao Governo Borges de Medeiros, chamado de "Chimango" porseus oposicionistas..

Em 1922, Borges resolveu se candidatar mais uma vez ao Governo do Estado, contando, como sempre, com métodos fraudatórios de eleição. Dessa feita formou-se uma aliança estimular uma oposição organizada. O veterano político, Assis Brasil, foi quem desafiou Borges na disputa nas urnas.

Fracionou-se, assim, o Rio Grande, entre "Assisistas" e "Borgistas". Foi nesse clima que o escritor acabou preso no café "A Barrosa", reduto dos assisistas, vindo a ser solto logo depois, por nada ter sido provado contra ele.

Borges foi declarado vencedor, o que originou uma grande revolta da oposição, que acuosu a fraude. A disputa nas urnas, transformou-se em disputa em armas. A oposição, liderada por Assis Brasil, aderiu à revolta armada para impedir a posse de Borges no Governo do Estado.

O escritor, que durante o período de rebelião acompanhou algumas forças revolucionárias pelo interior do Estado, reuniu episódios reais da campanha militar para colocá-los em um pequeno livro, "O Drama das Coxilhas" (1923), onde narrou, em forma de crônicas, a história da fase revolucionária. O livro foi editado em São Paulo por Monteiro Lobato em 1930.

A Revolução durou onze meses, até a pacificação do Estado pelo Governo Federal. Roque retomou então às suas atividades de jornalista, no recém criado (1925), "Diário de Notícias", onde assinou uma coluna chamada "A Cidade", com sugestões e críticas sobre a urbanização de Porto Alegre; de escritor, com o lançamento de novos livros "Vocabulário Gaúcho" (1926), "Quero-Quero" (1927) e "No Fogão do Gaúcho" (1929), todos editados pela "Livraria do Globo".

As discussões, antes políticas, passaram a ser literárias. Com o surgimento do "Modernismo", os escritores regionalistas sentiram-se no dever de reagir. Foi assim que encotramos Roque Callage numa sátira aos Modernistas como "autores de versos sobre "Bundas Rebolantes que Rebolam".

Em 1930, finalmente uma Revolução, liderada pelo Rio Grande do Sul, veio a derrubar o eixo Minas-São Paulo que constituía a República Velha. Foi exatamente sobre esse acontecimento, que Callage escreveu o seu último livro "Episódios da Revolução" (Outubro de 1930).

Figura de sua época, Roque Callage coincidentemente, morreu com ela, em maio de 1931. Não viu, assim, o novo papel que o Rio Grande do Sul assumiu no país, com a Revolução de 1930, sob o comando de Getúlio Vargas.

Roque Callage, jornalista e escritor, foi cronista do seu tempo, intérprete do Rio Grande da chinoca, da querência e do galpão. Assim como do Rio Grande do caudilho, do cavalo e da revolução.

Livros de Roque Callage: "Prosas de Ontem (1908)", "Escombros (1910)", "Terra Gaúcha (1914)", "Terra Natal (1914)", "Crônicas e Contos (1920)", "Rincão (1921)", "O Drama das Coxilhas (1923)", "Vocabulário Gaúcho (1923)", "Quero-Quero (1927)", "No Fogão do Gaúcho (1929)" e "Episódios da Revolução de 1930 (1930)". (Fonte: Página do Gaúcho)

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