terça-feira, 25 de dezembro de 2012

"Talco" Cardoso

Quem viveu há alguns anos atrás na região dos municípios de Rosário do Sul, Cacequi e São Gabriel, no Rio Grande do Sul, por certo conheceu pessoalmente Tarquino Cardoso, ou ouviu falar das façanhas do “Talco”, nome pelo qual ficou conhecido esse famoso matreiro.

É bom que se explique o uso do termo "matreiro", para que os leitores desavisados tenham uma idéia. O termo é fronteiriço. A rigor, um espanholismo. Designa os tauras campeiros rebelados contra a justiça e a lei.

Não são criminosos comuns. A exemplo de Martin Fierro, são os últimos gaúchos gaudérios, que não aceitaram as imposições do modernismo e da evolução.

Vindos de ancestrais libertos na largueza dos campos, sem aramado, não puderam compreender, nem aceitaram, a estreiteza das rédeas da lei de uma sociedade padronizada.

Acuados no fundo dos campos, nos “pajonais”, nos montes e nos descampados, viviam de pilhagens, forçados pela situação, carneando os rebanhos das estâncias para sobreviver.

De quando em vez, faziam uma incursão arriscada nalgum povoado escondido, para, desafiando a polícia, comprar, com magros cobres, um pouco de erva, sal, munição e alguma garrafa de canha, para prover o borrachão.

Se o comissário, avisado, chegava, trocavam tiros. E atropelando o cerco, se mandavam “à la cria”, valendo-se das patas de “pingos” velozes. Sempre andavam bem montados. Cavalos, é claro, não lhes faltava".

"Talco" Cardoso foi considerado durante muito tempo, o homem mais valente da fronteira Oeste. Uma vez fez parar o trem Minuano no meio do campo para pegar um cavalo. Foi morto pelas costas por Jorge Locatelli, seu companheiro de roubo de gado, em 1955. (Fonte: http://www.pontodevista.jor.br/historia/talco1.htm

Tarquino Cardoso, o famoso "Talco".

"Talco" Cardoso, no pátio da cadeia de Cacequi. Essa foto, da qual já foram tiradas muitas cópias, foi doada pela irmã de "Talco" Cardoso, dona Gení Alves Gasso, ao senhor Jorge Marcos Telles de Oliveira.


Capa do livro do saudoso escritor vitoriense Sejanes Dornelles, que conta as peripécias dos últimos bandoleiros a cavalo.

2 comentários:

  1. Conheci as história de Talco, na Década de 50, sempre aviam comentários sobre suas façanhas em São Gabriel onde morávamos! meu pai serviu em Bagé com um irmão de Talco, o Osvaldo Alves Uma certa vez, lá por 1952, Uma pessoa esteve onde morávamos, queria falar com meu pai, mas o encontro não houve, não sei do que se tratava, e também a nossa empregada me falou que era um bandido! de pois de muitos anos fui ligando os acontecimentos e discrições de como talco se vestia, e sempre usava um lenço azul, o que identifiquei na ocasião, ele usava um lenço de pescoço , parecia de seda azul e branco, em xadrez! além de sua fisionomia semelhante as fotos publicadas, ligando os fatos que aconteceu na época. Uma irmã de Osvaldo que se Chamava Leonilda Alves, pediu para meu pai, licença pra fazer um baile numa casa desocupada que tinha na chácara onde morávamos , na ocasião roubaram um revolver 45 que meu pai guardava na casa de residência , Sei que houve uma investigação pelo exercito mas não sei o que deu! Daí mudamos pra invernada reiuna , onde aconteceu a visita de uma pessoa , que hoje identifico como sendo o Talco, meu pai não o recebeu! após este fato, as vezes acontecia bem tarde da noite alguém atirava com arma de fogo em direção ao casarão, de uns cem metros da estrada que passava em frente a invernada! um dia até, acertaram a janela do local onde eu dormia! pra correr e assustar o atirador, o pai montou vigília com alguns soldados a uns 50 metros donde vinha os disparos, certa noite houve o disparam, mas os soldados dormiram e quando se alertaram o individuo já ia longe, mesmo assim deram um tiros de mosquetão pro alto. depois disto não houve mas o fato! não sabemos quem foi, tinha na época 6 anos, não entendia nada sobre os adulto; mas agora , fazendo uma analise dos fatos da época, bem possível estar relacionada com os acontecimento do baile, roubo do revolver, visita do irmão, dos promotores do referido baile, que meu pai não recebeu! é uma pequena narração do que testemunhei sobre este lendário Gaúcho! Lembro , perfeitamente quando a pessoa chegou na cerca ao lado da frente da casa, perguntando pelo pai, inclusive meu irmão mais velho estava comigo; e lá da cozinha , que ficava uns 30 m de onde estávamos, a empregada chamava Paulo Luiz! Jonatas vem tomar café, o meu irmão foi correndo , eu pensei, mas já tomamos o café da tarde, e fiquei, o senhor me perguntava como se chama! que idade tens,! e batia com a palma da mão na minha cabeça! lá na cozinha a empregada não parava de chamar! acabei indo, Ela me falou menino! aquele homem é um bandido, nisso ouvi meu pai de outra sala gritou não quero falar com ninguém! e ouve um estampido de mosquetão! e nada mais soube!

    ResponderExcluir