terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Rio Vacacaí já foi navegável.

*No Museu João Pedro Nunes, em São Gabriel, existe um documento de grande valor histórico, e que serve como testemunho inequívoco do que foi o rio Vacacaí no passado. O documento é um levantamento do leito do rio, feito noo século XIX pela Câmara de Vereadores, através de uma Comissão presidida por Manoel Ribeiro Baltar, uma das mais notáveis figuras da épóca.

O levantamento visava tornar o rio navegável todo o ano, visto que no verão isso não era possível. A navegação no rio Vacacaí  foi encerrada definitivamente no dia 2 de agosto de 1940, quando aportou junto a ponte velha, a lancha a motor “Campinas”, procedente de Cachoeira do Sul, com um carregamento de arroz, embarcado no Pavão.

O estabelecimento de uma linha fluvial de navegação entre São Gabriel e Porto Alegre deu-se no dia 4 de junho de 1860, com a chegada do navio “Cachoeira”, vindo da Capital do Estado. De São Gabriel saiam produtos como couro, sebo e charque e chegavam, principalmente manufaturados. Os navios também levavam e traziam passageiros.

O término da navegação deu-se devido os perigos existentes ao longo do curso do rio, como grandes troncos de árvores, que com as fortes correntezas verificadas na estação chuvosa, muitas vezes até furavam os cascos das embarcações. A limpeza do rio, anos à fio, foi mantida pelo Exército, através do 1º Regimento de Artilharia à Cavalo e funcionários civis e sua paralisação foi responsável pelo fim da navegação.

O rio Vacacaí tem um percurso total de 278 quilômetros, desde a sua nascente na serra de Barbaquá, até se lançar no rio Jacuí como seu principal afluente na margem direita. Corta o território gabrielense com um curso sinuoso de 168 quilômetros, servindo ainda de limite com o município de São Sepé, numa distância de 31 quilômetros.

Para se medir a diferença existente entre o Vacacaí do passado e o atual, vale a pena lembrar um trecho do livro “Viagens pelo Sul do Brasil”, de autoria do médico francês Roberto Avé-Lallemman:
  
“Ao despertar alegrou-me muito de que de novo me achava no domínio das águas do Vacacaí e do Jacuí, a ligação fluvial com a parte mais civilizada da província e com o caminho mais próximo do oceano. E para quem percorreu o solitário distrito das Missões e a desabitada margem do Uruguai, todo o oeste da província, esse pensamento é sem dúvida consolador.” (Fonte: Matéria “Vacacaí, um rio que está desaparecendo”, de autoria do jornalista Nilo Dias, publicada no jornal “a Razão”, de Santa Maria, na edição de 4 de junho de 1968)

Rio Vacacaí. (Foto: Gilson Perottoni)

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